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Papa critica quem sabe muito de Deus mas não o encontra e pede cristãos sem medo de sujar as mãos

O papa lançou hoje o desafio aos fiéis para serem «cristãos a sério», que «não têm medo de sujar as mãos, as roupas, quando se fazem próximos», que estejam «abertos às surpresas» e que, como Jesus, «paguem pelos outros».

Na missa a que presidiu esta manhã, Francisco baseou a homilia no Evangelho em que um doutor da lei judaica pergunta quem é o seu próximo a Jesus, que lhe responde com a parábola do samaritano que socorre um homem caído à beira da estrada depois de ter sido atacado por dois salteadores.

Ao comentar a narrativa (Lucas 10, 25-37), o papa sublinhou que um sacerdote passou ao lado do homem ferido e ignorou-o, pensando apenas na iminente «hora da missa», e o mesmo acontece com o levita, «homem de cultura da lei».

Trata-se de dois «funcionários» que, «coerentes» com o facto de o serem, disseram: «Não toca a mim» socorrer o ferido. Ao contrário, quem «não passa ao largo» é o samaritano, considerado «um pecador» e por isso «excomungado do povo de Israel». O «mais pecador teve compaixão», vincou Francisco.

«Não olhou para o relógio, não pensou no sangue [do homem assaltado]. Fez-se próximo dele – desceu da montada –, enfaixou-lhe as feridas, derramando-lhes óleo e vinho. Sujou as mãos, sujou as roupas», apontou.



«Mas tu és uma pessoa aberta? Estás aberta às surpresas de Deus ou és um cristão funcionário, fechado? “Eu faço isto, vou à missa ao domingo, a Comunhão, a Confissão uma vez por ano, isto, aquilo… Cumpro as regras”. Estes são os cristãos funcionários, que não estão abertos às surpresas de Deus»



Ao contrário dos “fiéis” judeus, «não disse: “Vou deixá-lo aqui, chamem os médicos, eles que venham. Eu vou-me embora, fiz o que me cabia”. Não. Cuidou, como que dizendo: “Agora tu és meu, não por posse, mas para servir-te”. Não era um funcionário, era um homem com coração, um homem com o coração aberto».

Quer o samaritano quer o estalajadeiro que recebeu o homem ferido «não eram funcionários», vincou o papa, antes de “atualizar” a parábola, ironizando: «“Tu és cristão? Tu és cristã?”. “Sim, sim, vou à missa aos domingos e procura fazer o que é certo… menos maldizer, porque gosto sempre de maldizer, mas o resto faço bem”».

«Mas tu és uma pessoa aberta? Estás aberta às surpresas de Deus ou és um cristão funcionário, fechado? “Eu faço isto, vou à missa ao domingo, a Comunhão, a Confissão uma vez por ano, isto, aquilo… Cumpro as regras”. Estes são os cristãos funcionários, que não estão abertos às surpresas de Deus, que sabem muito de Deus mas não encontram Deus. Que nunca se encantaram perante um testemunho. Aliás: são incapazes de dar testemunho», observou.

Francisco desafiou os católicos, «leigos e pastores», a interrogar-se se são cristãos abertos ao que Deus dá «a cada dia», se são abertos «às surpresas de Deus, que muitas vezes, como o samaritano, coloca dificuldades», ou se são funcionários apenas preocupados em «cumprir a regra», permanecendo depois constrangidos por ela.

«Cada um de nós é o homem ferido, e o samaritano é Jesus. E curou-nos as feridas. Fez-se próximo. Cuidou de nós. Pagou por nós. E disse à sua Igreja: “Se for preciso mais, paga tu, que Eu regressarei e pagar-te-ei”. Pensai bem: neste trecho está todo o Evangelho», frisou.



 

Giada Aquilino
In Vatican News
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: "Parábola do bom samaritano" (det.) | Jan Wijnants | 1670 | Museru Hermitage, S. Petersburgo, Rússia
Publicado em 08.10.2018

 

 
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