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Papa aponta caminhos para misericórdia de todos os dias: suportar as fraquezas do próximo

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Imagem Papa Francisco | palinchak/Bigstock.com

Dedicamos a catequese de hoje a uma obra de misericórdia que todos conhecemos muito bem, mas que talvez não coloquemos em prática como deveríamos: suportar pacientemente as pessoas arreliadoras, e com as há! Somos todos muito corajosos ao identificar uma presença que pode dar incómodo: acontece quando encontramos alguém na rua ou quando recebemos um telefonema…

Pensamos logo: «Por quanto tempo tenho de ouvir as lamentações, os mexericos, os pedidos ou as vaidades desta pessoa?». Acontece também, às vezes, que as pessoas incómodas são as mais próximas de nós: entre os parentes há sempre alguém; no local de trabalho não faltam; e nem sequer no tempo livre estamos isentos. O que devemos fazer com as pessoas arreliadoras? Mas também nós, muitas vezes, somos arreliadores para os outros, também nós! Porque é que entre as obras de misericórdia foi inserida também esta, suportar pacientemente as pessoas arreliadoras?

Na Bíblia vemos que o próprio Deus tem de usar a misericórdia para suportar as lamentações do seu povo. Por exemplo, no livro do Êxodo, o povo torna-se verdadeiramente insuportável: primeiro chora porque é escravo no Egito, e Deus liberta-o; depois, no deserto, lamenta-se porque não há o que comer, e Deus envia as codornizes e o maná, mas apesar disto as lamentações não cessam. Moisés fazia de mediador entre Deus e o povo, e também ele, algumas vezes, será arreliador para o Senhor. Mas Deus teve paciência e assim ensinou a Moisés e ao povo também esta dimensão essencial da fé.



Pensemos no grande empenho que se pode colocar quando ajudamos as pessoas a crescer na fé e na vida. Penso, por exemplo, nos catequistas – entre os quais há muitas mães e muitas religiosas -, que dedicam tempo para ensinar aos jovens os elementos basilares da fé. Quanto cansaço, sobretudo quando os jovens preferem brincar a ouvir o catecismo!



Surge então, espontânea, uma primeira pergunta: alguma vez fazemos o exame de consciência para ver se também nós, por vezes, nos podemos tornar arreliadores para os outros? É fácil apontar o dedo contra os defeitos e as faltas dos outros, mas devemos aprender a colocar-nos na pele dos outros.

Olhemos sobretudo para Jesus: quanta paciência teve de ter nos três anos da sua vida pública. Uma vez, quando estava a caminhar com os discípulos, foi parado pela mãe de João e Tiago, que lhe afirmou: «Diz que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e outro à tua esquerda no teu reino». A mãe defendia os interesses dos seus filhos, é sempre a mãe. Jesus parte mesmo daquela situação para dar um ensinamento fundamental: o seu não é um reino de poder e glória, como os terrenos, mas de serviço e doação aos outros. Jesus ensina a ir sempre ao essencial e a olhar mais longe para assumir com responsabilidade a própria missão.

Poderemos ver aqui a referência a outras duas obras de misericórdia espiritual: a de advertir os pecadores e a de ensinar os ignorantes. Pensemos no grande empenho que se pode colocar quando ajudamos as pessoas a crescer na fé e na vida. Penso, por exemplo, nos catequistas – entre os quais há muitas mães e muitas religiosas -, que dedicam tempo para ensinar aos jovens os elementos basilares da fé. Quanto cansaço, sobretudo quando os jovens preferem brincar a ouvir o catecismo!



A exigência de aconselhar, advertir e ensinar não nos deve fazer sentir superiores aos outros, mas antes de tudo obriga-nos a reentrar em nós próprios para verificar se somos coerentes com quanto pedimos aos outros



Acompanhar na procura do essencial é belo e importante, porque nos faz partilhar a alegria de apreciar o sentido da vida. Muitas vezes acontece-nos encontrar pessoas que se detêm em coisas superficiais, efémeras e banais; por vezes porque não encontraram alguém que as estimulasse a procurar outras, a apreciar os verdadeiros tesouros. Ensinar a olhar para o essencial é uma ajuda determinante, especialmente num tempo como o nosso, que parece ter perdido a orientação e segue pequenas satisfações. Ensinar a descobrir que coisa o Senhor quer de nós e como poderemos corresponder-lhe significa caminhar para crescer na própria vocação.

Assim as palavras de Jesus à mãe de João e Tiago, e depois a todo o grupo de discípulos, indicam o caminho para evitar cair na inveja, na ambição e na adulação, tentações que estão sempre à espreita inclusive entre nós, cristãos. A exigência de aconselhar, advertir e ensinar não nos deve fazer sentir superiores aos outros, mas antes de tudo obriga-nos a reentrar em nós próprios para verificar se somos coerentes com quanto pedimos aos outros. Não esqueçamos as palavras de Jesus: «Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não reparas na trave que está na tua própria vista?». O Espírito Santo nos ajude a ser pacientes no suportar e humildes e simples no aconselhar.



 

Papa Francisco
Vaticano, audiência geral, 16.11.2016
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 16.11.2016

 

 
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