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Papa alerta para pensamento único que destrói cristianismo e diz que Natal deixou de ser o que é

Imagem © L'Osservatore Romano

Papa alerta para pensamento único que destrói cristianismo e diz que Natal deixou de ser o que é

“Se todos fazem assim, porque não hei de eu fazer também?”: a tentação da cedência à «mundanidade» e ao «humanismo» que quer substituir o rosto de Cristo, partindo de ideais aparentemente inofensivos para o cristianismo, foi hoje destacada pelo papa Francisco, na missa a que presidiu, no Vaticano.

A leitura bíblica inicial proclamada nas missas desta segunda-feira, extraída do primeiro livro dos Macabeus, fala de uma «raiz de pecado»: o rei helenista, isto é, próximo do pensamento e cultura grega, Antíoco Epifânio impõe os usos pagãos ao «povo eleito» em Israel.

Comentando «a imagem da raiz que está sob a terra», Francisco, citado pela Rádio Vaticano, referiu que «não se vê, parece não fazer mal, mas depois cresce e mostra, faz ver, a própria realidade».

No caso do excerto bíblico, tratava-se de uma «raiz razoável» que impelia alguns israelitas a aliarem-se com as nações vizinhas, de modo a serem protegidos, recorrendo a uma argumentação ingénua.

«Porquê tantas diferenças? Desde que nos separámos deles acabámos muito mal. Sigamo-los, sejamos iguais», poderiam dizer, segundo o papa, os defensores da absorção da cultura judaica por parte da grega.

Francisco alertou para o perigo da «mundanidade» - equivalente a dizer: «Leiloemos a nossa identidade, somos iguais a todos» -, que conduziu parte dos israelitas a «renegarem a fé».

«O que parecia tão razoável – somos como todos, somos normais – tornou-se na destruição», vincou o papa, acrescentando, referindo-se ainda à primeira leitura bíblica, que o rei determinou que no seu território «todos formassem um só povo» e «abandonassem os seus costumes», impondo «o pensamento único».

Então, «todos os povos se adequaram às ordens do rei: também muitos israelitas aceitaram o seu culto, sacrificaram aos ídolos e profanaram o sábado. A apostasia», apontou.

«A mundanidade conduz-te ao pensamento único e à apostasia. Não são permitidas as diferenças: todos iguais. E na história da Igreja vimos – penso num caso – que às festas religiosas foi mudado o nome – o Natal do Senhor tem outro nome – para anular a identidade», salientou.

Na sequência das ordens do monarca, foram queimados os livros relacionados com a lei judaica, e se alguém a ela obedecia, era sentenciado à morte; assim se assistiu à «perseguição», desencadeada por uma «raiz venenosa», assinalou o papa.

«Impressionou-me sempre que o Senhor, na Última Ceia, naquela longa oração, rezasse pela unidade dos seus e pedisse ao Pai que os libertasse de todo o espírito do mundo, de toda a mundanidade, porque a mundanidade destrói a identidade; a mundanidade leva ao pensamento único», frisou Francisco.

À semelhança de uma grande árvore, nascida de uma simples e minúscula semente, o mesmo pode acontecer com a cultura predominante, que se impõe e seca tudo o que está ao seu redor.

«Começa por uma raiz, mas é pequena, e acaba na abominação da desolação, na perseguição. Este é o engano da mundanidade, e por isso Jesus pedia ao Pai, naquela ceia: “Pai, não te peço que os tires do mundo, mas guardai-os do mundo”, desta mentalidade, deste humanismo que vem tomar o lugar do verdadeiro homem, Jesus Cristo, que vem tirar-nos a identidade cristã e nos leva ao pensamento único: “Todos fazem assim, porque é que não faremos também?”», acentuou.

Perante este contexto, os católicos são convidados a fazer um exame de consciência: «Como é a minha identidade? É cristã ou mundana? Ou digo-me cristão porque desde criança fui batizado ou nasci num país cristão, onde todos são cristãos?».

«A mundanidade que entra lentamente, cresce, justifica-se e contagia: cresce como aquela raiz, justifica-se – “façamos como toda a gente, não somos muito diferentes” -, procura sempre uma justificação, e no fim contagia, e tantos males vêm daí», realçou.

Os textos bíblicos das missas dos últimos dias do ano litúrgico, que termina a 28 de novembro, exorta os cristãos a estarem atentos às «raízes venenosas», disse.

«Peçamos ao Senhor pela Igreja, para que o Senhor a guarde de toda a forma de mundanidade. Que a Igreja tenha sempre a identidade de Jesus Cristo; que todos nós tenhamos a identidade que recebemos no Batismo, e que esta identidade, por se querer ser como todos, por causa da “normalidade”, não seja deitada fora. Que o Senhor nos dê a graça de manter e guardar a nossa identidade cristã contra o espírito de mundanidade que sempre cresce, se justifica e contagia», concluiu Francisco.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 16.11.2015

 

 
Imagem © L'Osservatore Romano
«A mundanidade conduz-te ao pensamento único e à apostasia. Não são permitidas as diferenças: todos iguais. E na história da Igreja vimos – penso num caso – que às festas religiosas foi mudado o nome – o Natal do Senhor tem outro nome – para anular a identidade»
Os católicos são convidados a fazer um exame de consciência: «Como é a minha identidade? É cristã ou mundana? Ou digo-me cristão porque desde criança fui batizado ou nasci num país cristão, onde todos são cristãos?»
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