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Papa Francisco adverte «elites eclesiais» que se fecham em «grupinhos», «desprezam» os outros e «desertam» do «povo»

Imagem Papa Francisco | Vaticano, 28.1.2015 | AP Photo/Andrew Medichini | D.R.

Papa Francisco adverte «elites eclesiais» que se fecham em «grupinhos», «desprezam» os outros e «desertam» do «povo»

«Deus salva-nos num povo, não nas elites, que nós, com as nossas filosofias ou o nosso modo de entender a fé tenhamos feito», afirmou hoje o papa na missa a que presidiu, no Vaticano.

O Evangelho «dá os critérios para não seguir os modelos errados. E um desses modelos errados é privatizar a salvação», salientou Francisco na homilia, refere a Rádio Vaticano.

«Jesus salvou-nos a todos, mas não genericamente. Todos, mas cada um, com nome e apelido. E esta é a salvação pessoal. Sou realmente salvo, o Senhor olhou-me, deu a sua vida por mim, abriu esta porta, esta via nova para mim, e cada um de nós pode dizer «por mim», apontou.

O papa alertou para o individualismo dentro da Igreja: «Há o perigo de esquecer que Ele nos salvou singularmente, mas num povo. Num povo», vincou o papa, sublinhando que o autor da Carta aos Hebreus, a que pertence o excerto proclamado nas missas desta quinta-feira, afirma: «Prestemos atenção uns aos outros».

«Não há uma salvação só para mim», reforçou Francisco, antes de apontar três critérios «para não privatizar a salvação»: «A fé em Deus que nos purifica», a esperança que impele a «olhar para a promessa e seguir em frente» e «a caridade».

«Para não a privatizar [a salvação de Deus] devo perguntar a mim próprio se eu falo, comunico a fé; falo, comunico a esperança; falo, faço e comunico a caridade. Se numa comunidade não se fala, não se dá ânimo uns aos outros nestas três virtudes, os componentes dessa comunidade privatizaram a fé. Cada um procura a sua própria salvação, não a salvação de todos, a salvação do povo», frisou.

A Carta aos Hebreus oferece um conselho «prático» muito importante: «Não desertemos das reuniões, como é costume de alguns», o que, para Francisco, acontece quando se, numa paróquia ou num grupo cristão, se julgam os restantes membros: «É uma espécie de desprezo para com os outros. E esta não é a porta, a via nova e vivificante que o Senhor abriu, inaugurou».

«Desprezam os outros; desertam da comunidade total; desertam do povo de Deus; privatizaram a salvação; a salvação é para mim e para o meu grupinho, mas não para todo o povo de Deus. E isto é um erro muito grande. É aquilo que chamamos e que vemos – as “elites eclesiais”», acentuou.

Francisco sugeriu um exame de consciência: «Tenho a tendência de privatizar a salvação para mim, para o meu grupinho, para a minha elite, ou não deserto de todo o povo de Deus, não me afasto do povo de Deus e estou sempre na comunidade, na família, com a linguagem da fé, da esperança e a linguagem das obras de caridade?».

«Que o Senhor nos dê a graça de nos sentirmos sempre povo de Deus, salvos pessoalmente. É verdade: Ele salva com nome e apelido, mas salva-te num povo, não no grupinho que eu faço para mim», concluiu Francisco.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 29.01.2015

 

 
Imagem Papa Francisco | Vaticano, 28.1.2015 | AP Photo/Andrew Medichini | D.R.
Tenho a tendência de privatizar a salvação para mim, para o meu grupinho, para a minha elite, ou não deserto de todo o povo de Deus, não me afasto do povo de Deus e estou sempre na comunidade, na família, com a linguagem da fé, da esperança e a linguagem das obras de caridade?
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