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Padres portugueses do Curso Madre Teresa de Calcutá estão no Vaticano para a canonização da padroeira

Imagem Pagela do Curso Madre Teresa de Calcutá (frente) | D.R.

Padres portugueses do Curso Madre Teresa de Calcutá estão no Vaticano para a canonização da padroeira

Quatro padres portugueses e um cabo-verdiano que no curso do seminário escolheram como padroeira Madre Teresa de Calcutá, vão participar este domingo, no Vaticano, na celebração da sua canonização, presidida pelo papa Francisco.

Os sacerdotes, formados no patriarcado de Lisboa, escolheram a padroeira em 2003, no final do terceiro ano no seminário de S. José de Caparide, antes de passarem para o seminário de Cristo-Rei dos Olivais, onde concluíram o percurso formativo que os conduziu à ordenação diaconal e, depois, à sacerdotal, em 2007.

Os padres Carlos Aleixo Silva, Valter Malaquias, João Sobreiro e Filipe Sousa, do patriarcado de Lisboa, e Adriano Cabral, da diocese do Mindelo, Cabo Verde, partiram esta quinta e sexta-feira de Lisboa rumo ao Vaticano, levando nos corações o propósito de pedir a intercessão de Madre Teresa pelas pessoas pobres e necessitadas, bem como pelos fiéis que lhes estão confiados.

No momento da escolha da padroeira, que nos seminários maiores do patriarcado de Lisboa ocorre no terceiro ano da formação, após um processo de reflexão, oração e eleição, Madre Teresa ainda não tinha sido beatificada pelo papa S. João Paulo II, celebração que ocorreu a 19 de outubro de 2003.

Além dos cinco padres que viajaram para o Vaticano, o curso Madre Teresa de Calcutá era composto por mais dez seminaristas, dos quais três são hoje sacerdotes diocesanos: Rui de Jesus, do patriarcado de Lisboa, Pedro Dionísio e Ricardo Conceição, de Santarém. O frei Godfrey Okeke, nigeriano, recebeu a ordenação diaconal e é religioso carmelita. Os restantes seis membros são leigos.

«Faço parte de um grupo de seminaristas que, no inverno de 2003, tomou Madre Teresa de Calcutá como padroeira do seguimento do chamamento de Jesus», escreve o padre Carlos Aleixo Silva, em texto enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

«A liberdade do coração desta mulher de tantas terras, de tantas mudanças de planos, de tão grande vontade de escutar o Mestre, cativara-me havia muito. Mas a escolha como "padroeira de curso" levou-me a conhecer mais profundamente a forma prática e verdadeira com que viveu a fé. Li muito do que escreveu e, de tantas palavras, retive um desafio: “Entregai as vossas mãos para servir e os vossos corações para amar”. Inicialmente foi uma recomendação dirigida às suas irmãs; veio a tornar-se o mote do hino do nosso curso», assinala o sacerdote de 43 anos, o mais velho dos que foram ordenados.

«Mais tarde, já Padre, recebi como bênção as cartas da sua noite da fé, que atravessou sem se deixar desapossar da vontade firme de trilhar o caminho de Cristo - amar servindo, todos! Os textos deste grosso volume, que desejou destruídos, têm sido provas de que o seguimento do Mestre é algo muitas vezes misterioso, que nos leva por caminhos só conhecidos d’Ele. Algo que nos cativa para uma entrega de coração ao que Deus quer, sem condições impostas pelos nossos desejos. Algo que nos transforma por dentro, ao jeito de Jesus», prossegue o diretor do Externato de Penafirme e prefeito do Seminário de Penafirme.

«Treze anos passados, a Igreja reconhece solenemente que a sua vida foi a de uma autêntica discípula de Jesus, verdade já assumida por muitas pessoas em toda a Terra. Hoje, como há tantos anos, aquela figura miudinha e envelhecida, atarefada com os últimos do mundo, continua a desafiar-me com tudo o que fez e que ensinou a fazer, e também com aquelas palavras que não esqueço: “Entregai as vossas mãos para servir e os vossos corações para amar”», conclui o padre Carlos Aleixo Silva.

Para o padre Valter Malaquias, de 41 anos, responsável pela paróquia de Santos-o-Velho e S. Francisco de Paula, vigário da Vigararia de Lisboa III e capelão do Hospital da CUF-Infante Santo, a frase da padroeira que mais o marca é «fazer as coisas pequenas com um Amor grande».

«Penso que resume a vida de Madre Teresa de Calcutá e que tem sido uma ajuda concreta na minha vida de padre ao longo destes anos; conhecer os Santos ajuda-nos sempre a querer melhorar e a não desistir. Com Santa Teresa de Calcutá aprendi que a oração é de facto o fundamento do servir hoje aqueles que Deus coloca no meu caminho, com ela aprendi que Deus é aquele que está sempre ao nosso lado», salienta o sacerdote no testemunho que enviou para o SNPC.

O padre Filipe Sousa, de 33 anos, pároco de Coto e Salir de Matos e responsável pela vigararia de Caldas da Rainha – Peniche, começa o seu depoimento escrito lembrando que os santos sempre «ensinaram e demonstraram que a escolha por Cristo é radical».

«Madre Teresa, ao longo do meu percurso sacerdotal, foi aquela em que vi as obras evangélicas encarnadas. A misericórdia que a ninguém deve ser negada, a pobreza enquanto estilo de vida e a oração como princípio e cume do trabalho humano», assinala o sacerdote, que além da pároco é capelão do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha.

A santa de Calcutá «percebeu como ninguém a natureza e cultura humana, ao adotar o sari como hábito das suas irmãs, veste tradicional do povo indiano, mas a terminar num crucifixo, por cima do ombro esquerdo. Jesus que nos fala ao coração para o servirmos e sobre quem reclinamos a cabeça, como discípulos amados. Cristo vive e viveu inteiramente em madre Teresa de Calcutá», finaliza o padre Filipe Sousa.

«Há histórias de vida que nos fascinam e há vidas que transformam a história. Quando olho para Madre Teresa de Calcutá vejo a simplicidade do Evangelho a transformar a história da humanidade. Esta pequena Teresa soube acolher o desafio e a radicalidade do Evangelho. Digo pequena porque de facto era de baixa estatura e talvez por isso o seu olhar estivesse mais próximo daqueles que tantas vezes ocupam os passeios e os bancos das nossas ruas e jardins e que nós tantas vezes queremos esquecer. Mas ela não quis esquecer ou olhar para o outro lado da rua. Ela quis olhar para as feridas de tantos homens e mulheres, ela quis estender a mão para ajudar a levantar aqueles que tinham perdido toda a dignidade humana. Ela quis ir e estar onde mais ninguém queria estar, junto do sofrimento e da morte.»

É com estas palavras que começa o testemunho de Emanuel Oliveira, casado, pai de duas meninas, que trabalha ao serviço da Fundação Fé e Cooperação, organismo da Igreja católica em Portugal. E continua: «Pessoalmente impressiona-me a quantidade de Amor, de Bondade, de Compaixão e de Misericórdia que habitavam aquela mulher tão pequena e frágil. Mas provavelmente foi mesmo devido a esta fragilidade e simplicidade que Deus a escolheu para realizar tão grandes obras. Num mundo em que estamos tão habituados a fazer planos e a medir milhões de dados e a esperar sempre os melhores resultados, esta mulher apenas disse “sim” a este Deus que nunca esquece a humanidade que tanto ama».

«“Tenho sede...” Eram estas palavras de Jesus na cruz que Madre Teresa contemplava diariamente. Mas não contemplava apenas na parede da capela onde rezava ainda de madrugada. Escutava estas mesmas palavras no olhar de tantos homens, mulheres e crianças que ocupavam as ruas mais pobres, mais sujas e mais esquecidas de Calcutá. “Onde está Deus no meio do sofrimento do mundo?” perguntamos nós tantas vezes. Está ao lado de quem sofre a sofrer também. Foi esta a resposta que esta simples mulher de Calcutá soube dar diariamente. Para muitos ela foi a única companhia no momento derradeiro da morte. Foram verdadeiros milagres que Deus realizou por meio dela: ações concretas de serviço e de entrega aos mais abandonados que fizeram renascer a dignidade humana onde esta tinha desaparecido», recorda.

A terminar, escreve Emanuel Oliveira: «Dois mil anos antes desta história de Calcutá, e perante uma multidão que O seguia, Jesus disse aos seus discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer.” (Lc 9, 13) Acredito que a pequena Teresa de Calcutá ouviu muitas vezes esta palavra. Mas não se ficou pela dúvida que tantas vezes nos aprisiona: “como poderei fazer isso se não tenho os recursos necessários para o fazer?”. Esta simples mulher soube aceitar o desafio do Evangelho e transformar a humanidade que a rodeava com gestos simples de misericórdia e amor. Ela simplesmente entregou as suas mãos para servir e o seu coração para amar».

A pagela do curso Madre Teresa de Calcutá é composta, na frente, por uma fotografia a preto e branco da fundadora das Missionárias da Caridade. No verso, duas frases enquadram as assinaturas dos então seminaristas: «Tenho sede», palavras de Jesus na cruz, extraídas do Evangelho segundo S. João (19, 28), e «Entregai as vossas mãos para servir e os vossos corações para amar».

 

ImagemPagela do Curso Madre Teresa de Calcutá (frente) | D.R.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 04.09.2016

 

 
Imagem Pagela do Curso Madre Teresa de Calcutá (frente) | D.R.
A liberdade do coração desta mulher de tantas terras, de tantas mudanças de planos, de tão grande vontade de escutar o Mestre, cativara-me havia muito. Mas a escolha como "padroeira de curso" levou-me a conhecer mais profundamente a forma prática e verdadeira com que viveu a fé
Hoje, como há tantos anos, aquela figura miudinha e envelhecida, atarefada com os últimos do mundo, continua a desafiar-me com tudo o que fez e que ensinou a fazer, e também com aquelas palavras que não esqueço: “Entregai as vossas mãos para servir e os vossos corações para amar”
Com Santa Teresa de Calcutá aprendi que a oração é de facto o fundamento do servir hoje aqueles que Deus coloca no meu caminho, com ela aprendi que Deus é aquele que está sempre ao nosso lado
A santa de Calcutá «percebeu como ninguém a natureza e cultura humana, ao adotar o sari como hábito das suas irmãs, veste tradicional do povo indiano, mas a terminar num crucifixo, por cima do ombro esquerdo. Jesus que nos fala ao coração para o servirmos e sobre quem reclinamos a cabeça, como discípulos amados
«Tenho sede...” Eram estas palavras de Jesus na cruz que Madre Teresa contemplava diariamente. Mas não contemplava apenas na parede da capela onde rezava ainda de madrugada. Escutava estas mesmas palavras no olhar de tantos homens, mulheres e crianças que ocupavam as ruas mais pobres, mais sujas e mais esquecidas de Calcutá
Dois mil anos antes desta história de Calcutá, e perante uma multidão que O seguia, Jesus disse aos seus discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer.” (Lc 9, 13) Acredito que a pequena Teresa de Calcutá ouviu muitas vezes esta palavra. Mas não se ficou pela dúvida que tantas vezes nos aprisiona
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