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Outono ecuménico: Agenda do papa Francisco repleta de oportunidades de diálogo

Imagem Patriarca Bartolomeu e papa Francisco | D.R.

Outono ecuménico: Agenda do papa Francisco repleta de oportunidades de diálogo

As esperanças para a unidade dos cristãos podem não ser uma primavera de esperança, mas o calendário do papa Francisco para este outono está repleto de encontros ecuménicos.

Ainda que os desenvolvimentos no interior das Igrejas cristãs pareçam solidificar diferenças que tornariam difícil a plena unidade, não há sinais de que o desejo de encontro esteja a desvanecer-se. Com efeito, os cristãos divididos estão a aumentar as oportunidades para rezarem juntos e comprometerem-se no trabalho conjunto para ajudar pobres e necessitados.

Francisco vai abrir esta estação ecuménica no dia 20 de setembro, quando se encontrar com líderes e representantes cristãos de outras religiões em Assis, para comemorar o 30. aniversário do encontro inter-religioso pela paz em Assis (cf. “Artigos relacionados”).

Dez dias mais tarde, o papa voa para a Geórgia, país predominantemente ortodoxo. Em outubro, encontra-se e reza com o arcebispo anglicano de Canterbury, Justin Welby e, no fim do mês, viajará para a Suécia, tomando parte nos eventos ecuménicos que lançarão as comemorações dos 500 anos da Reforma protestante.

Reconhecer os pontos em que as Igrejas e comunidades cristãs divergem é um primeiro passo óbvio num diálogo para a superação das diferenças. Mas uma relação que se detenha aí dá a errada impressão de que as questões que dividem as Igrejas são mais importantes do que as crenças centrais do cristianismo que professam juntas no Credo.

A mensagem que o calendário outonal de Francisco transmite é de que «não interessa quais são as novas e antigas diferenças, continuam unidos por um Batismo comum e muitos elementos de fé comum, a par da comum obrigação de partilhar o Evangelho», considera o secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Num tempo em que o ritmo dos diálogos teológicos formais parece lento para muitos, «viver das relações espirituais é deslocar-se numa maneira muito positiva», acrescentou o bispo Brian Farrell.

Aproveitar as oportunidades para rezar juntos e fazer compromissos para trabalho conjunto nas áreas sociais e caritativas deverá «criar um clima de maior confiança, que ajudará a enfrentar as diferenças teológicas com confiança e uma melhor compreensão de cada um», acrescentou o responsável.

A visita do papa a Assis está agendada para durar apenas oito horas. Mas estar junto do arcebispo Welby e do patriarca ortodoxo ecuménico Bartolomeu de Constantinopla – bem como de líderes judeus, muçulmanos, budistas, hindus e sikhs – será uma afirmação da crença partilhada de que a verdadeira fé procura sempre a paz.

O ambiente da visita à Geórgia poderá não ser tão acolhedor como Francisco está habituado. Ainda que o patriarca ortodoxo Elias II tenha convidado o papa para visitar o país, encontrando-se com ele no primeiro dia, não está programado que tomem parte nas liturgia de cada um, o que se tornou uma prática comum quando o papa visita um país predominantemente ortodoxo.

Elías, de 83 anos, foi eleito a figura máxima da Igreja ortodoxa georgiana em 1977, quando o país ainda era uma república soviética e o governo comunista impunha severas restrições à prática da fé. Centenas de igrejas e mosteiros foram fechados, mas sob a liderança de Elias a Igreja começou, em 1980, a ser reconstruída e a crescer. Nos seus primeiros anos como patriarca, a Igreja ortodoxa da Geórgia esteve também envolvida no movimento ecuménico e Elias foi copresidente do Conselho Mundial de Igrejas.

Depois da dissolução da União Soviética, e à medida que os georgianos começaram a recuperar a sua identidade étnica e cultural, muito ligada à ortodoxia desde o séc. IV, houve um criticismo crescente quanto ao movimento ecuménico e à sua tendência, assim percecionada, de equiparar todas as expressões do cristianismo. A Igreja ortodoxa da Geórgia retirou-se do Conselho Mundial de Igrejas em 1997.

Quando representantes das 14 Igrejas ortodoxas do mundo se preparavam para se encontrar em Creta, em junho, a Igreja georgiana foi um das primeiras a anunciar que não participaria, devido à proposta contida num documento sobre relações com outros cristãos.

Apesar das questões teológicas e morais que separam católicos e anglicanos serem mais profundas dos que as afetam a relação entre católicos e ortodoxos, espera-se que a visita do arcebispo Welby ao Vaticano seja mais calorosa, incluindo a oração com o papa e a assinatura de uma declaração conjunta.

A visita do arcebispo marca o 50. aniversário do diálogo formal entre anglicanos e católicos, os 50 anos no Centro Anglicano em Roma e uma reunião da Comissão Internacional Anglicana-Católica Romana para a Unidade e Missão.

Enquanto o diálogo teológico formal continua, a comissão procura aspetos práticos em que católicos romanos e anglicanos possam dar maior testemunho da sua fé comum. A declaração comum focar-se-á, provavelmente, na ideia de encontrar formas de dar um testemunho cristão comum, trabalhando e rezando ao mesmo tempo pela unidade.

As outonais atividades ecuménicas de Francisco culminam em Lund, Suécia, a 31 de outubro, quanto participar na comemoração luterano-católica dos 500 anos do início da Reforma protestante.

De acordo com a Federação Luterana Mundial, que integra a organização, o encontro «destacará os sólidos desenvolvimentos ecuménicos entre católicos e luteranos e dons conjuntos recebidos através do diálogo».

Em 2013 o Vaticano e a Federação promulgaram um documento sobre as comemorações da efeméride, frisando que «ninguém que seja teologicamente responsável pode celebrar a divisão dos cristãos».

O texto, intitulado “Do conflito à comunhão”, apela aos católicos e luteranos para reconhecerem que Martinho Lutero queria reformar a Igreja, não fragmentá-la. Após 500 anos, os cristãos podem considerar que é mais fácil observar e experimentar as suas diferenças, mas o mundo precisa de um testemunho cristão unido, e a estação para isso é agora.

 

Cindy Wooden
In Catholic News Service
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 02.09.2016

 

 
Imagem Patriarca Bartolomeu e papa Francisco | D.R.
A mensagem que o calendário outonal de Francisco transmite é de que «não interessa quais são as novas e antigas diferenças, continuam unidos por um Batismo comum e muitos elementos de fé comum, a par da comum obrigação de partilhar o Evangelho»
Depois da dissolução da União Soviética, e à medida que os georgianos começaram a recuperar a sua identidade étnica e cultural, muito ligada à ortodoxia desde o séc. IV, houve um criticismo crescente quanto ao movimento ecuménico e à sua tendência, assim percecionada, de equiparar todas as expressões do cristianismo
Apesar das questões teológicas e morais que separam católicos e anglicanos serem mais profundas dos que as afetam a relação entre católicos e ortodoxos, espera-se que a visita do arcebispo Welby ao Vaticano seja mais calorosa, incluindo a oração com o papa e a assinatura de uma declaração conjunta
As outonais atividades ecuménicas de Francisco culminam em Lund, Suécia, a 31 de outubro, quanto participar na comemoração luterano-católica dos 500 anos do início da Reforma protestante
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