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"Ousadia da Ressurreição": Convento recebe exposição de arte

"Ousadia da Ressurreição": Convento recebe exposição de arte

Imagem Série "Ousadia da Ressurreição" (det.) | © Ricardo de Campos

É inaugurada este sábado nos claustros do convento de S. Domingos, em Viana do Castelo, a exposição "Ousadia da Ressurreição", com obras de Ricardo de Campos (n. 1977) que deixam entrever «a grandeza do amor».

«Podemos falar duma pintura da inocência: porque o olhar do artista despe-se de preconceitos e surge tão límpido e inocente como o das crianças», escreve o P. Vasco Cruz Gonçalves, responsável pela paróquia de Nossa Senhora de Monserrate, onde se situa o espaço expositivo.

As pinturas de Ricardo de Campos revelam que é «no instante entre a exaustão do sofrimento e o limiar da morte, que desperta a ilusão da luz, o brilho do amor e a força da vida».

«Nessa incessante explosão de luz, nesses raios incandescentes que o pintor vê na morte mais trágica, injusta e violenta da história da humanidade, entrevê-se a grandeza do amor», assinala o texto do pároco incluído no catálogo da exposição, enviado hoje ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.



«A capacidade transformadora da arte pode construir um mundo «como se a dor não existisse» e propô-lo como realidade; ou pode enfrentar a nudez do problema, sem falsas construções, para que o grito de dor se torne audível e visível»



Para o bispo de Viana, D. Anacleto Oliveira, o brado de Jesus na cruz, «meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?», «não é um grito de desespero ou de revolta contra Deus», mas «o clamor de um justo que, no auge da maior injustiça de que está a ser vítima, encontra o caminho para confirmar e impor a sua justiça – no Deus a quem grita e se entrega».

«Dizer a Fé, em qualquer formato, é apenas uma tentativa de aproximação Àquele que, sempre e em tudo, nos ultrapassa. A Fé não é, por isso, um objeto inerte; não é a expressão de um exercício matemático. Não é isso: é muito mais que isso», acentua, por seu lado, o bispo que preside à Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

D. Pio Alves considera que a soma dos passos, «mesmo que inseguros» de Ricardo de Campos «tem a marca dominante da alegria: “a alegria do Evangelho (que) enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”, daqueles que, de algum modo, o procuram».

O presidente do Centro Regional de Braga da Universidade Católica, João Duque, observa, igualmente no catálogo, que «são dois os caminhos da arte, perante o problema do sofrimento: dissimulação ou manifestação».



As obras do autor revelam-se «poesia épica quase insuportável de olhar, quão arrepiante é o canto das cordas vocais das mulheres do mesmo Minho que habita o autor quando encarnam a Verónica, vibrantes e estridentes, porque ardem de paixão, porque – como também Ricardo de Campos na sua pintura – cantam a Paixão»



«A capacidade transformadora da arte pode construir um mundo "como se a dor não existisse" e propô-lo como realidade; ou pode enfrentar a nudez do problema, sem falsas construções, para que o grito de dor se torne audível e visível», aponta o também diretor adjunto da Faculdade de Teologia.

A segunda via, encarar a dor, «coincide com o caminho do Crucificado», e por isso «o grito de dor de todas as vítimas inocentes torna-se, assim, uma incómoda presença na ilusão de um paraíso auto-construído. Dá-se, pois, o primeiro passo para uma libertação possível, que o Crucificado e Ressuscitado antecipou na sua história de dor».

As obras do autor revelam-se «poesia épica quase insuportável de olhar (Livro de Isaías 53,3), quão arrepiante é o canto das cordas vocais das mulheres do mesmo Minho que habita o autor quando encarnam a Verónica, vibrantes e estridentes, porque ardem de paixão, porque – como também Ricardo de Campos na sua pintura – cantam a Paixão», salienta o diretor do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte.

Natural de Monção, Ricardo de Campos é licenciado em Estudos Artísticos e frequenta o mestrado em Arte Contemporânea. Integrou mais de 60 exposições individuais e cerca de 100 coletivas em Portugal, Espanha, França, Itália, Áustria, EUA e China, tendo obtido vários prémios.

A exposição está aberta das 10h00 às 12h00 e das 14h30 às 18h00 a partir deste domingo, 9 de abril, até dia 23, encerrando no Domingo de Páscoa.





 

SNPC
Publicado em 07.04.2017

 

 

 
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