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Cinema: "Os olhos da Ásia", um olhar português sobre os missionários de "Silêncio"

Cinema: "Os olhos da Ásia", um olhar português sobre os missionários de "Silêncio"

Imagem "Os olhos da Ásia" | João Mário Grilo | D.R.

A Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, exibe esta sexta-feira o filme "Os olhos da Ásia", do realizador português João Mário Grilo, inspirado no romance "Silêncio", de Shusaku Endo, obra recentemente adaptada para o cinema por Martin Scorsese.

Estreada no festival de Locarno em 1996, a película começa num período anterior à obra do cineasta norte-americano, quando Julião de Nakaura, da Companhia de Jesus, foi, juntamente com quatro jovens, enviado a Roma pelos Jesuítas em meados de 1500, para dar testemunho de que o Japão se convertera ao cristianismo.

Cinco décadas mais tarde, Julião é obrigado a provar a sua fé, agora às cortes Shogun, que o forçavam a abandoná-la; resiste e torna-se mártir, enquanto o padre Cristovão Ferreira não suporta a tortura e renuncia, que no filme de Scorsese é interpretado por Liam Neeson, renuncia à fé, pelo menos exteriormente.

«Interessou-me tanto o personagem de Julião, o japonês que morre por causa do cristianismo, como o de Cristóvão Ferreira, o português que se torna japonês, ao negá-lo», explicou João Mário Grilo em entrevista ao Jornal de Letras, citada na página "Hardmusica".

Grilo articula a história dos mártires cristãos com a história contemporânea: «É aqui que entra Jane Powell, uma comissária cultural europeia interpretada por Geraldine Chaplin nos segmentos em Nagasaki, cidade de extrema importância na relação de Portugal com o Japão e da implantação do cristianismo (e onde terá morrido Cristóvão Ferreira)», escreve Zita Ferreira Braga.

A alusão a Nagasaki remete também para a memória da bomba atómica na Segunda Guerra Mundial, como é evocado nos de Walt Whitman que servem de epígrafe ao filme: «Incessantemente balança o berço/ que une o Hoje e o Amanhã».

Contando a história dos missionários jesuítas portugueses e outros mártires cristãos, "Os olhos da Ásia" é um filme que «tendo desaparecido um pouco da vista (injustamente: é um dos melhores do seu autor)», ganha agora, no contexto da exibição da obra de Scorsese, «uma boa ocasião para recuperar», escreveu o crítico de cinema Luís Miguel Oliveira no Público.

Tendo como protagonistas Geraldine Chaplin, João Perry, Rui Gomes e José Eduardo, esta coprodução de Portugal, França, Alemanha e Japão (88 min.), é apresentada às 21h30, depois de ter sido exibida a 6 de fevereiro, no cinema Nimas, em Lisboa, seguida de conversa entre o realizador e o padre José Tolentino Mendonça.









 

SNPC
Fontes: Hardmusica, Público
Publicado em 15.03.2017

 

 
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