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Olhar impuro

«Tudo parece impuro aos impuros, como tudo parece amarelo ao olho de quem tem icterícia», escreveu o poeta inglês Alexander Pope (1688-1744) no seu poema didático "Ensaio sobre a crítica" (1711).

É fácil evocar o paralelo positivo da Carta a Tito de Paulo, o célebre «omnia munda mundis" (1, 15), frase da versão latina da Bíblia («tudo é puro para os puros»). Sim, porque muitas realidades são erradamente julgadas por causa do sujeito que as examina.

Se se tem o olho infetado, vê-se todo o mundo como viciado, negro, perverso, negativamente monocromático, precisamente como acontece ao olho de quem tem icterícia ou a quem anda com pesadas lentes escuras.

Ao contrário, quem tem o olhar puro sabe distinguir bem e mal, mas sabe também julgar o mal com compaixão, sabe perdoar, sabe também converter com a paciência do amor.

Ter o olhar límpido não quer dizer ver tudo como um Éden paradisíaco, porque seria como cair num daltonismo espiritual. Quer dizer, antes, saber discernir entre luz e treva, conservando no entanto a força transfiguradora e iluminadora da pureza.

O escritor grego do séc. III a.C. Diógenes Laércio, na sua "Vida dos filósofos", colocava na boca do seu homónimo, Diógenes o Cínico, que viveu século e meio antes dele, esta frase: «Também o sol penetra nas latrinas, mas não é por elas contaminado».

Quem tem luz dentro de si, quem tem uma consciência pura, passa no meio do mundo perverso e doente e irradia a sua paz e o seu testemunho, sem desprezo, mas também sem cedências.


 

P. (Card.) Gianfranco Ravasi
In Avvenire
Trad.: SNPC
Imagem: Dillerjb/Bigstock.com
Publicado em 09.06.2018

 

 
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