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Ódio e amor

Ódio e amor

Imagem digitalista/Bigstock.com

«O ódio é um licor precioso, um veneno mais caro do que o dos Bórgia. Porque é feito com o nosso sangue, a nossa saúde, o nosso sono e dois terços do nosso amor.»

Na fantasia popular os Bórgia, família nobre espanhola estabelecida em Roma quando um dos seus membros, Afonso, se torna o papa Calisto III (1455-58), tornaram-se o emblema da crueldade desenfreada (Cesare Bórgia), da corrupção (papa Alexandre VI), do vício (Lucrécia Bórgia), possivelmente com algum excesso de fantasia.

Ao seu veneno faz referência o poeta francês do séc. XIX Chardes Baudelaire com esta definição de ódio, presente no seu escrito sobre a Arte Romântica. Nas suas palavras, deveras acesas, há uma verdade em que devemos meditar.

Quando o ódio faz caminho em nós – e devemos reconhecer que todos temos no nosso coração uma gota desse veneno –, é qualquer coisa de nós que é absorvido. É a nossa saúde, o sono, a vitalidade que não envolvidos e não se tem paz.

Mas há um aspeto que habitualmente não se considera. Baudelaire diz que o ódio é feito de «dois terços do nosso amor». E isto está demonstrado, porque muitas vezes o ódio é uma forma perversa para exprimir um amor desiludido, tanto é que se cunhou o dito que «quem odeia, ama».

O ódio pode ser uma degeneração do amor e é por isso que devemos sempre controlar as nossas paixões, sentimentos, emoções, para que não nos enlouqueçam e arrastem para um remoinho do qual é difícil emergir para rever o céu e a paz.



 

P. (Card.) Gianfranco Ravasi
In "Avvenire"
Trad.: SNPC
Publicado em 09.12.2017

 

 
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