Observatório da Cultura
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Igreja e Cultura

Igreja «não pode ficar satisfeita» quando «o lugar da verdade é o canto a que ninguém liga»

O que é mais importante (criar, manter, repensar) na relação da Igreja com a Cultura?

Rilke dizia que o nosso tempo se distingue de tempos mais antigos pelo facto de nós não termos Teatro - assim mesmo, com letra maiúscula. Não quer dizer que a dramaturgia contemporânea seja pior ou melhor do que a e épocas passadas. Quer dizer simplesmente que não há, no centro da nossa suposta comunidade, uma interrogação acerca do problema que nos é comum a todos: o que somos enquanto homens.

O grande defeito da nossa cultura tem a ver com isto. No coração de todo o barulho, de todos os gestos, de todas as formas de expressão, está o quê? Muitas vezes parece que não está nada, senão a própria vontade de exprimir seja o que for - e não me refiro apenas às secções assumidamente supérfluas do campo cultural. Em vez de criação, há ruído. Uma espécie de cultura à deriva, na qual os homens conservaram o hábito de falar, mas esqueceram-se do assunto que dá razão de ser ao discurso. Na verdade, não nos esquecemos de nada; cansámo-nos. E é esta a decadência contra a qual a Igreja deve lutar.

Quando penso na relação entre Igreja e cultura, penso no papel que os crentes podem desempenhar. A primeira coisa importante é não compactuar com este esvaziamento, com esta desistência em relação à única coisa urgente. Não promover a cultura morna na qual, apesar dos tons de voz, dos prémios e da gravidade cuidadosamente encenada, nada está em causa. A Igreja não pode ficar satisfeita com um cenário onde o lugar da verdade é o canto a que ninguém liga e a inquirição acerca do homem é uma forma de entretenimento tão insignificante como todas os outras.

Valores como a tolerância e o respeito pela alteridade saltaram da posição de moderação que lhes cabe para perverterem aquilo que vinham salvar: a possibilidade de um confronto regrado de perspetivas, com os olhos postos na verdade. Os olhos deixaram-se tapar, as pessoas jogam à defesa e a cultura é só uma área respeitável e inconsequente. Parece-me que este é um obstáculo ao qual nós, membros da Igreja, nem sempre temos sabido responder. O problema é o da integração do discurso católico num campo amorfo e não dominado pela fé. Em vez de ser olhado na sua pretensão de verdade universal, o discurso é visto como pertencendo a uma esfera restrita e completamente alheia.

O desafio da Igreja prende-se, assim, com a própria forma de apresentação do seu discurso. Não se trata de adequar o produto ao público. Trata-se de apresentar a sua mensagem como o que de facto é: uma resposta aos problemas do ser humano. Isso implica uma mudança de linguagem e implica tomar consciência da dimensão universal desta história em que estamos metidos. Falar para homens, como Chesterton fez.

 

Este depoimento integra a edição de novembro de 2011 do "Observatório da Cultura" (n.º 16). Leia mais respostas à pergunta.

 

Simão Lucas Pires
Estudante universitário
© SNPC | 21.11.11

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Capela Árvore da Vida
Foto: Nelson Garrido
















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