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Igreja e Cultura

Relação da Igreja com a cultura deve ser criada na «tensão entre discursos que divergem de uma conceção cristã da vida»

O que é mais importante (criar, manter, repensar) na relação da Igreja com a Cultura?

Na sociedade em que vivemos é ainda pertinente e rigoroso o diagnóstico feito em 1939 por T. S. Eliot, segundo o qual “muito da vida moderna é meramente uma sanção de objetivos não cristãos” (A ideia de uma sociedade cristã). No entanto, não é menos pertinente e rigoroso o diagnóstico de Chesterton: “no mundo moderno em que vivemos, com os seus movimentos modernos, continua presente o legado católico” (É o humanismo uma religião?).

Será perante esta tensão entre discursos que divergem de (ou confrontam mesmo) uma conceção cristã da vida, e uma matriz que, sendo relevantemente cristã nos seus fundamentos, parece diluir-se nas nossas práticas quotidianas, que a Igreja deve criar, manter e repensar a sua relação com a Cultura.

Na coabitação destas três sugestões de percurso - criar, manter e repensar, reside a resposta que o presente exige à Igreja no seu todo.

A realidade decorrente do facto de o discurso católico ter deixado de ser dominante, deve ser entendida como oportunidade para nos repensarmos enquanto alteri-dade(s), e para assim partir ao encontro de outros outros.

Como referiu Bento XVI no encontro com o mundo da cultura no CCB, “há toda uma aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo, levando a sociedade a perceber que, proclamando a verdade, é um serviço que a Igreja presta à sociedade, abrindo horizontes novos de futuro, de grandeza e dignidade”.

Na humildade que esta postura de nós exige, deverá ainda compreender-se aquilo que ela significa de abertura para o reconhecimento de novas formas de expressão estéticas e da espiritualidade que elas porventura encerram. Penso, por exemplo, naquela que, à partida, pode parecer ser a estranha dimensão espiritual de meros espaços monocromáticos da pintura de Mark Rothko. Porque, contra os divulgados hedonismo e ceticismo, urge não abdicar da busca do Belo e da Verdade.

E dessa busca participa o inevitável exercício da razão, como demonstra D. Manuel Clemente em 1810-1910-2010. Datas e Desafios.

Por fim, exige-se de cada católico que “não tenha vergonha” de intervir na cidade, que não receie a polémica, e que não abdique de dar voz a uma postura ética, que é também estética, de estar no mundo; uma forma ética que foi determinante na construção da matriz cultural que é a nossa - algo que importa não deixar de recordar, analisar e compreender.

Mas isso compete, também, a cada um de nós.

 

Este depoimento integra a edição de novembro de 2011 do "Observatório da Cultura" (n.º 16). Leia mais respostas à pergunta.

 

Mário Avelar
Professor da Universidade Aberta
© SNPC | 17.11.11

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Capela Árvore da Vida
Foto: Nelson Garrido

 

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