Observatório da Cultura
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Igreja e Cultura

«Deveremos repensar certo alheamento de muitos cristãos e comunidades, em relação aos processos culturais»

O que é mais importante (criar, manter, repensar) na relação da Igreja com a Cultura?

1. Penso ser necessário criar mais espaços e iniciativas de formação dos fiéis leigos, a nível local (eventualmente paroquial), para tornar os cristãos portugueses mais capazes de entrar no debate público e na construção da cultura, seja do ponto de vista geral, seja enquanto cultura artística e intelectual. Aliás, a atual cultura da informação, com o correspondente pluralismo que a determina, constitui um desafio a que só se pode responder com profunda formação. A organização pastoral da Igreja não pode descurar essa formação do espírito crítico e exigente de todos os seus fiéis, sem aceção.

2. Penso que será de manter e aprofundar a presença de certas instituições eclesiais no mundo da cultura: por um lado, a atividade cada vez mais visível e fértil do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, nas suas intervenções oportunas; por outro lado, a formação superior e a presença no mundo da investigação, proporcionada pela Universidade Católica Portuguesa. Nesse campo, penso ser importante incentivar a investigação sobre os processos da cultura contemporânea, em relação com a nossa memória cultural e na projeção de um futuro mais acolhedor do ser humano. Esse é, sem dúvida, um importantíssimo contributo da Igreja para a configuração da cultura atual e futura.

3. Penso que deveremos repensar certo alheamento de muitos cristãos e comunidades, em relação aos processos culturais do nosso mundo. Esse alheamento pode ser originado por certo tradicionalismo religioso de inércia, que se limita a práticas mínimas de manutenção de uma débil identidade cristã e não assume o seu papel configurador de cultura; ou então, pode ser originado por um novo espírito de seita, que apenas se preocupa com a vida interna das pequenas comunidades, sem se aventurar na praça pública, no debate comum, como contributo para a humanidade toda.

Por outro lado, no campo concreto da formação superior, devido ao seu lugar estratégico na relação com a cultura, considero ser necessário repensar a identidade e as práticas da Universidade Católica Portuguesa. Isso permitirá, certamente, colocar a questão essencial do seu lugar na Igreja e na sociedade portuguesa, libertando-a de eventuais reducionismos e aproximando-a sempre mais da sua missão fundamental de ser um espaço de aprofundamento e transmissão da antropologia cristã, no seio da cultura em que habitamos e que também construímos.

 

Este depoimento integra a edição de novembro de 2011 do "Observatório da Cultura" (n.º 16). Leia mais respostas à pergunta.

 

João Duque
Presidente do Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa
© SNPC | 10.11.11

Foto
Capela Árvore da Vida
Foto: Nelson Garrido

 

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