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Igreja e Cultura

André Dourado: Cultura é «campo por excelência» para «contacto entre a Igreja e a sociedade»

Na relação entre a Igreja e a Cultura, é tempo de restaurar descomplexadamente uma das linhas mestras da relação entre as duas ao longo dos tempos, e que fez da segunda um meio privilegiado de propagação da Fé. Apesar da Cultura ser hoje feita de realidades muito diversificadas das quais a religião é apenas uma parte, e já não o centro, ela deve ser assumida, a par da área social/humanitária, como o campo por excelência no qual se estabelece o contacto entre a Igreja e a sociedade, tornando-se um palco de afirmação do papel da Igreja no mundo. Ao fazê-lo, a Igreja cumpre assim plenamente as palavras do Papa Paulo VI quando escrevia que "A Igreja deve entrar em diálogo com o mundo em que vive", palavras que, de resto, o próprio Papa Bento XVI lembrou em Lisboa no ano passado, no Centro Cultural de Belém.

Para além do seu relevante e crescente papel na conservação, estudo e divulgação do património histórico religioso - que se pertence antes de mais aos católicos, não deixa de constituir património usufruível por todos os portugueses, pelo qual todos são assim, também, responsáveis - a Igreja deve voltar a assumir-se como um motor de criação artística, não hesitando em recorrer a formas artísticas contemporâneas para satisfazer as suas necessidades cultuais, sejam elas relativas a bens móveis ou imóveis, utilizando todos os recursos da contemporaneidade, mesmo os tecnológicos, para cumprir a sua missão. No fundo, trata-se de constituir a Arte Sacra do nosso tempo, que o representará espiritualmente um dia como os testemunhos da arte sacra medieval ou barroca representam os seus.

É de registar, no entanto, que o momento que vivemos parece já realizar parte destes desideratos: entre a Igreja e a Cultura em Portugal estabeleceram-se relações fecundas nos últimos anos, que são testemunhadas pela qualidade da presença da Universidade Católica em todo o país, pelo fulgor intelectual e espiritual de algumas das principais figuras da Igreja portuguesa, como o Cardeal Patriarca de Lisboa ou o Bispo do Porto, e pela atividade da Pastoral Cultural das dioceses, nas quais se assinalam a abertura de arquivos e estruturas museológicas, a edição de livros e revistas, a realização de exposições, concertos e conferências, etc. Um bom exemplo dessa interação crescente é a programação que o padre e poeta Tolentino de Mendonça tem vindo a realizar na Capela do Rato, em Lisboa, na qual artistas plásticos são convidados a criar obras para este lugar de culto, e no qual atores consagrados leem textos sagrados ou religiosos, frente a públicos compostos por cristãos ou não cristãos, que neles reconhecem uma herança e um espaço de vida em comum. Daí que me pareça que os caminhos das (boas) relações entre a Igreja e a Cultura em Portugal estão já traçados, e que há apenas que os trilhar, aprofundando um diálogo que já existe, a benefício de ambas as partes.

 

Este depoimento integra a edição de novembro de 2011 do "Observatório da Cultura" (n.º 16).

Leia mais respostas à pergunta (em atualização).

 

André Dourado
Programador cultural
© SNPC | 06.11.11

Foto
Capela Árvore da Vida
Foto: Nelson Garrido

 

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