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O que é que a Igreja tem a ver com a "mundanidade" da moda e do espetáculo?

Anjos, evocações da Mãe de Jesus e vestidos de cintura fina inspirados em paramentos episcopais adornaram o tapete vermelho daquela que é considerada a maior noite do mundo da moda, realizada esta segunda-feira, na gala anual do Metropolitan Museum of Art (Met), em Nova Iorque.

O tema da noite, o mesmo da propalada exposição que começa a 10 de maio, contando com a colaboração da Santa Sé - "Heavenly bodies: Fashion and the catholic imagination” (Corpos celestiais: Moda e a imagética católica) -, constituiu o cenário ideal para que alguns dos protagonistas do evento se sentissem de regresso a casa.

O comediante, ator e apresentador Jimmy Fallon, que pode ser visto diariamente em Portugal na televisão por cabo, afirmou que estava animado pela oportunidade de conhecer a coleção de peças emprestadas pela Santa Sé, e revelou que, de certa forma, apanhou o "vírus" da atuação através do seu serviço como acólito.

«Está-se numa espécie de palco quando se é acólito, a tocar os sinos, e os meus pais vinham ver-me. Eu estava lá na missa das seis e meia da manhã. É quase como um espetáculo, é muito teatral», disse.

Questionado sobre o que a gala do Met significava para ele, George Clooney, peso pesado de Hollywood, também recordou o seu tempo de serviço ao altar: «Sabe que eu fui acólito. Eu era um bom rapaz católico e conheço a Igreja católica».

Para a cantora Madonna, ícone da cultura pop cujo nome está inextrincavelmente ligado à arte católica, e que passa agora tempo significativo da sua vida em Lisboa, o tema da noite «significa que Deus é amor».

Enquanto que algumas atrizes em início de carreira, quando perguntadas sobre o que mais gostariam de ver, responderam com o nome de uma celebridade de alto perfil que supostamente participaria na gala, outras referiram os nomes de grandes personalidades do mundo da moda. Mas houve também quem tivesse mencionado os tesouros da sacristia da Capela Sistina.

«Há uma grande arte, é claro, na história da Igreja católica, e estou ansioso para ver a arte que foi trazida do Vaticano», declarou Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts e candidato presidencial em 2012.

As cantoras Rihanna, Kate Perry e Ariana Grande, e os atores Jared Leto e Anne Hathaway exibiram na passadeira vermelha roupa relacionada com o tema da exposição.

Quem passou ao lado dos holofotes foi o cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova Iorque, que preferiu entrar por uma porta lateral, o que não impediu que vários participantes tivessem manifestado satisfação pela presença.

«Você pode questionar-se: "O que é que a Igreja está a fazer aqui? Por que é que a Igreja faz parte de tudo isto?” Você pode questionar-se: “O que é que o cardeal arcebispo de Nova Iorque tem a ver com isto?” Eu fiz as mesmas perguntas quando fui convidado pela primeira vez, há alguns meses», explicou.

«É porque a Igreja e a imagética católica têm três coisas: verdade, bondade e beleza. É por isso que temos ótimas escolas e universidades para ensinar a verdade. É por isso que amamos servir os pobres para fazer o bem. E é por isso que gostamos de coisas como arte, poesia, música, liturgia e, sim, até mesmo moda, para agradecer a Deus pelo presente da beleza», frisou Timothy Dolan.

A gala, que contou com a atuação, mantida em segredo, do coro da Capela Sistina, ocorre na primeira segunda-feira de maio, servindo como recolha de fundos para o museu. 



 

Claire Giangravè, Christopher White
In Crux
Com WWD
Trad. / edição: SNPC
Imagem: Amal e George Clooney | Gala do Met | 7.5.2018 | Nova Iorque, EUA | D.R.
Publicado em 18.05.2018

 

 
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