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"O professor cristão na universidade" para a tornar «mais humilde» e crítica da racionalidade patológica

"O professor cristão na universidade" para a tornar «mais humilde» e crítica da racionalidade patológica

Imagem kasto/Bigstock.com

A universidade tem de ser «mais humilde, aceitar que há muitos outros caminhos para além de um tipo de racionalidade», considera o diretor do Departamento para a Cultura da arquidiocese de Braga, P. Eduardo Duque.

O responsável, que também assume a Pastoral Universitária da diocese minhota e é assistente do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior, está convicto de que os professores experienciam «o peso» dessa racionalidade «como algo patológico, uma racionalidade que não ama, mas que vicia por dentro e que chega mesmo a secar as vísceras para se sobreviver».

Estas são algumas das perspetivas contidas no documento de enquadramento do Encontro Nacional de Docentes e Investigadores do Ensino Superior, que a 22 de abril debate, em Fátima, o tema «O professor cristão na universidade», com a participação do cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, a partir das 10h30.

Além do prelado, magno chanceler da Universidade Católica Portuguesa, marcam também presença o investigador Henrique Leitão, Prémio Pessoa 2014 (14h00), e Álvaro Laborinho Lúcio, ex-ministro da Justiça e juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça (15h30), seguindo-se o debate moderado pela jornalista Maria João Costa.

Para o P. Eduardo Duque, a forma de a universidade «considerar a realidade cai num certo reducionismo, num certo tecnocratismo, já que, ao valorizar a experimentação ou a racionalidade dos cálculos sobre outras dimensões da vida, como a ética e a própria dimensão espiritual da pessoa, reduz o olhar amplo típico da universidade a uma cosmovisão ideológica e monocultural».

 

A universidade continua a guardar o «poder crítico e livre de pensar a cultura», que todavia é ameaçado por «duas formas rígidas de pensamento», os «tradicionalismos» e os «nacionalismos», «que não admitem o pluralismo e obstaculizam a possibilidade de diálogo com outras visões do mundo»



«É neste contexto, de quem quer refletir que na vida há muito mais do que a constatação de aspetos da realidade que podem ser medidos, calculados ou controlados, e de que a ciência não se pode restringir à ciência experimental, assentando o conhecimento nos estímulos e mecanismos causais, que propomos este encontro», aponta o sacerdote.

O texto, intitulado "À procura de uma racionalidade mais humana",  recorda que «um tipo de cultura não pode ser critério de juízo a outras culturas, bem pelo contrário, uma cultura só será capaz de dialogar com outras na medida em que seja capaz de autocrítica e de apreciar e acolher o diferente».  

A universidade continua a guardar o «poder crítico e livre de pensar a cultura», que todavia é ameaçado por «duas formas rígidas de pensamento», os «tradicionalismos» e os «nacionalismos», «que não admitem o pluralismo e obstaculizam a possibilidade de diálogo com outras visões do mundo».

«Acredito, também, que a universidade continua a guardar o seu poder recreativo e transformador com que sempre soube surpreender a história. Julgo, por isso, que este é um bom momento para se realizar o Encontro de Docentes e Investigadores, para sermos, mais do que reativos, pró-ativos, fontes de transformação e de esperança no meio onde trabalhamos», conclui o P. Eduardo Duque.

As inscrições, gratuitas e obrigatórias, decorrem até 19 de abril.



 

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