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O pobre que pede ajuda é Deus a bater à porta do coração

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O pobre que pede ajuda é Deus a bater à porta do coração

A verdadeira fé é estar consciente da existência dos pobres, pois neles é Deus que bate à porta do coração, sublinhou hoje o papa durante a missa a que presidiu, na Casa de Santa Marta, no Vaticano.

No Evangelho proclamado nas missas desta quinta-feira (Lucas 16, 19-31), Jesus conta a parábola do homem rico que se «vestia de linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias», não se dando conta de que à sua porta estava um pobre, de nome Lázaro, coberto de chagas.

O homem rico «conhecia os mandamentos», possuía «uma certa religiosidade», mas estava «fechado no seu pequeno mundo, o mundo dos banquetes, das roupas, da vaidade, dos amigos, um homem fechado numa bolha».

Esse homem, prosseguiu o papa, «não se dava conta do que acontecia fora do seu mundo fechado. Não pensava, por exemplo, nas carências de tanta gente ou na necessidade de companhia dos doentes, só pensava nele, nas suas riquezas, na sua boa vida».

«Não conhecia qualquer periferia, estava totalmente fechado em si mesmo. Mesmo a periferia, que estava junto à porta da sua casa, não a conhecia», confiando «apenas em si mesmo, nas suas coisas, não confiava em Deus», e por isso «não deixou herança» nem «vida», acrescentou.

Para reforçar o carácter débil da personagem, o Evangelho não refere «como se chamava, apenas diz que era um homem rico, e quando o nome é apenas um adjetivo é porque perdeu, perdeu substância, perdeu força».

«Este é rico, este é poderoso, este pode fazer tudo, este é um padre de carreira, um bispo de carreira... Quantas vezes nos acontece nomear as pessoas com adjetivos, não com nomes, porque não têm substância», afirmou.

Mas será que «Deus, que é pai», não teve misericórdia do homem rico?: «Não bateu à porta do seu coração para o demover? Sim, Ele estava à porta, na pessoa de Lázaro, que sim, tinha nome. E esse Lázaro, com as suas carências e a sua miséria, a sua doença, era precisamente o Senhor que batia à porta, para que aquele homem abrisse o coração e a misericórdia pudesse entrar. Mas não, ele não via, estava apenas fechado; para ele, para lá da porta não havia nada.

O tempo da Quaresma é propício a meditar em algumas interpelações sugeridas pelo Evangelho de hoje: «Estou no caminho da vida ou no caminho da mentira? Quantos fechamentos tenho ainda no meu coração? Onde está a minha alegria: no fazer ou no dizer? No sair de mim mesmo para ir ao encontro dos outros, para ajudar?».

«Peçamos ao Senhor, enquanto pensamos nisto, na nossa vida, a graça de ver sempre os Lázaros que estão à nossa parte, os Lázaros que batem ao coração, e sair de nós mesmos com generosidade, com atitude de misericórdia, para que a misericórdia de Deus possa entrar no nosso coração», concluiu Francisco.

 

Sergio Centofanti
In "Rádio Vaticano"
Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 25.02.2016

 

 
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Deus «estava à porta, na pessoa de Lázaro, que sim, tinha nome. E esse Lázaro, com as suas carências e a sua miséria, a sua doença, era precisamente o Senhor que batia à porta, para que aquele homem abrisse o coração e a misericórdia pudesse entrar. Mas não, ele não via, estava apenas fechado; para ele, para lá da porta não havia nada»
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