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Leitura: "O endereço de Deus - A busca da felicidade através da fé"

Leitura: "O endereço de Deus - A busca da felicidade através da fé"

Imagem Capa | D.R.

«Ao longo destas páginas, vou apresentar diversos relatos – todos verídicos – de pessoas que descobriram «o endereço de Deus» e se encontraram com o Senhor. Das mais simples e estranhas às mais complicadas e dramáticas situações, todas, à sua maneira, tiveram um encontro especial com Deus. A Luz brilhou no coração de cada uma e, mais do que nunca, sentiram a presença do divino nas suas vidas. E, a partir desse dia, tudo se modificou. Os seus pensamentos deixaram de ser os mesmos. Os seus desejos criaram um sentido novo. As suas expectativas tornaram-se outras. No seu íntimo, alguma coisa mudou profundamente.»

É este o propósito de Carlos Afonso Schmitt no livro "O endereço de Deus - A busca da felicidade através da fé", que a Paulinas Editora publicou recentemente com 35 meditações que convidam o leitor a permanecer atento aos acontecimentos da vida: «Quando menos esperamos, Deus manifesta-se. É preciso que os olhos do espírito estejam abertos. Os sinais que nos são enviados, às vezes, são subtis e misteriosos e passam facilmente despercebidos. Mais uma vez, perderíamos a oportunidade de encontrar o seu "endereço".

A Bíblia, a Eucaristia, a oração, a dedicação ao próximo, na alegria ou na dor, na doença ou no restabelecimento, na natureza próxima e no cosmo, numa criança ou na morte, «tudo fala de Deus», mesmo nas situações em que menos se espera, como a primeira que transcrevemos. Mas «buscar a Deus, dentro de si, no âmago do seu coração, é o caminho mais curto e seguro para encontrá-lo. Persistir na caminhada com fé e paciência, como quem anda no deserto, crente na certeza de um oásis».



Comovido e calado, escutava atentamente o desabafo daquela mãe. Nada havia a acrescentar, a não ser a minha comunhão fraterna e consternada diante da imensa dor daquele coração de mãe e da alegria da sua extraordinária descoberta. Deus viera visitá-la



Na dor de uma despedida

– Jamais imaginei que encontrasse Deus na hora em que a maior das dores humanas bateu à minha porta. A dor de ver a minha filha partir, com seis anos de idade, foi a experiência mais dramática que o meu coração de mãe já havia vivido. Inimaginável a angústia e o desespero que se apoderaram de mim, quando vi a minha filha, esmagada por um carro, sendo retirada pelos bombeiros, já sem vida. Cena triste e lamentável que os meus olhos apavorados gravaram! Como se, nesse instante, o meu coração se partisse e uma parte dele fosse levada no carro dos bombeiros. A minha filha partira, e para sempre!... No meio da dor que insistia em atormentar-me, no meio da saudade que aumentava cada dia, no meio de tantas perguntas sem resposta, uma luz começou a brilhar. Na brevidade da vida da minha filha que partira, o meu coração de mãe reencontrou Deus. A minha fé, adormecida, acordou.

Era este o triste relato e o choroso desabafo que Ester fazia, ao procurar comigo respostas para o seu coração enlutado.

– É como se a pequena Luísa tivesse vindo para tirar-me do marasmo espiritual em que eu vegetava. Ela foi um anjo que tocou o meu coração – dizia-me Ester, entre lágrimas. – É indescritível o que se passou no meu íntimo. Senti a mão de Deus tocar-me e, no meio de tanto sofrimento, uma profunda paz de espírito apoderou-se de mim. E o incrível aconteceu! Descobri «o endereço de Deus» na morte da minha filha. Como se o anjo em que ela se transformou me envolvesse no seu amor e Deus olhasse para mim através dos seus olhos azuis. Na dor da despedida, um encontro surpreendente: Deus viera visitar-me.

Comovido e calado, escutava atentamente o desabafo daquela mãe. Nada havia a acrescentar, a não ser a minha comunhão fraterna e consternada diante da imensa dor daquele coração de mãe e da alegria da sua extraordinária descoberta. Deus viera visitá-la, enxugando as suas lágrimas e amenizando a dor da despedida. Ester sabia, com absoluta certeza, que o espírito da pequena Luísa voltara para o mundo celestial e que ela não morrera para sempre. Sentia a sua presença na forma de energia angelical, presença amiga a transmitir-lhe paz. O poder da fé confortava a sua alma, e o seu amor de mãe superava toda e qualquer tristeza. Ester tinha outros filhos para cuidar, marido a consolar, casa para zelar...



Bebi a sua generosidade e a sua compreensão por não me julgar pelos trajes esfarrapados. Bebi muito mais: bebi o amor de Deus naquele copo de água. Donde viriam tão inusitados pensamentos? Eu, Lucas, lembrando-me de Deus? A bondade desse copo de água fora tanta que abalara a estrutura de pedra do meu coração endurecido pelo sofrimento



«A força do herói» renascia diariamente nela, tornando as suas mãos milagrosas, os seus braços poderosos, as suas pernas incansáveis.

A dor de uma partida, o encontro com Deus, a fé renascendo: eis a metamorfose de Ester. As surpresas do universo não param de acontecer. Multiplicam-se ao longo das semanas, germinam, crescem e enchem os celeiros de colheitas fartas. Hoje é Ester quem fortalece outras mães, quem enxuga as suas lágrimas, erguendo-as das suas prostrações.

Onde menos se espera, descobre-se «o endereço de Deus».

É assim, amigo: Ele está em toda parte. Olhos abertos, coração recetivo... e o encontro acontece. Também para ti.

 

Apenas um copo de água

É difícil acreditar que «o endereço de Deus» possa encontrar-se num copo de água. Mas...

– Foi exatamente isso que aconteceu certo dia comigo – dizia-me Lucas, nome de evangelista que em nada combinava com a figura sem-abrigo que o confidente encarnara.

Lucas abandonara os seus familiares, destruído por uma incrível deceção amorosa, prostrado por uma obstinada mágoa que o rebentara por dentro.

Aos poucos, a deceção foi aumentando para transformar-se em tristeza, em revolta, em depressão profunda. A mágoa fez dele um homem angustiado, frio e inconformado com tudo e com todos. O seu destino tornou-se a rua, o roubo e a mendicância. As lajes frias e duras de um viaduto acolhiam-no à noite, no meio da sujeira e mau cheiro.



Isto tudo ultrapassa o «mero acaso». Ao que normalmente chamamos «coincidências», o mundo espiritual denomina de «sinais». Cabe-nos unicamente a tarefa de interpretá-los, à luz da intuição e da fé, quando o universo nos brinda com estes «anjos» em forma de livros, revistas, amigos ocasionais, telefonemas imprevistos, visitas inesperadas...



Vida sofrida, maltrapilha e triste. Noites de insónia, ora pelo frio congelante, ora pela fome que o torturava. Dias de desânimo e cansaço, sem forças para recolher as caixas de papelão que lhe garantiriam a comida necessária. Lucas... quem diria! A sua vida regrada acabando num descalabro destes! Miséria das misérias, escória da sociedade, alimentando-se com a imundície das sobras do lixo! Pobre criatura arrastando-se na lama sórdida de uma vida torpe! Sem higiene, sem um mínimo de conforto, sem cuidados de saúde... vegetava, apenas vegetava.

Passaram-se anos, longos e duros anos. Um dia, no entanto, também «o filho pródigo» voltou. Lucas voltaria?... Para onde iria, se nenhum relacionamento mantinha com os seus familiares?

Antes, uma profunda conversão interior teria de acontecer. O olhar de Deus estava observando a sua vida, acompanhando atentamente os seus passos.

– Um dia – narrava ele a sua própria história –, um sol escaldante e uma sede inclemente rachavam-me os lábios. Deambulava no meio de uma favela, rodeado de gente pobre e sofrida como eu. Foi lá que uma «coisa» muito estranha aconteceu comigo. Misteriosa, inexplicável, divina. Pedira, por amor de Deus, um copo de água a uma senhora idosa. «Se é “por amor de Deus”, meu jovem – disse-me –, arranjo-lhe um copo, sim. Não temos água encanada aqui. Tenho ainda um pouco. Chegará para a sua sede.» E a velha senhora, de mãos trémulas, trouxe-me um refrescante copo de água. Gole a gole, bebi a sua solidariedade, e muito mais teria bebido se mais água houvesse. Bebi a sua generosidade e a sua compreensão por não me julgar pelos trajes esfarrapados. Bebi muito mais: bebi o amor de Deus naquele copo de água. Donde viriam tão inusitados pensamentos? Eu, Lucas, lembrando-me de Deus? A bondade desse copo de água fora tanta que abalara a estrutura de pedra do meu coração endurecido pelo sofrimento. Dia após dia, a minha vida começou a mudar. Aquele copo de água, aos poucos, foi diluindo as minhas mágoas, lavando a minha alma empedernida, cheia de ódio e revoltas. Há muitos anos que não sentia uma paz tão saborosa, tamanha leveza interior tomando conta de mim. E se Deus estivesse a falar comigo, que certeza eu teria de compreendê-lo? Ele veio de mansinho, despertando a esperança adormecida, fazendo ressurgir a minha fé moribunda. Aconteceu comigo o que jamais poderia imaginar: descobri, num copo de água, «o endereço de Deus». Sim,  num copo de água...



«O endereço de Deus» não é encontrado «fora», distante, como se ele estivesse acima das nuvens, no «céu». Pelo contrário, é em sua casa, em seu coração, que ele se esconde. Procure-o no seu íntimo e Deus revelar-se-á



Os sinais que nos são enviados

Os «mensageiros» de Deus estão por toda parte. Apesar disso, passamos por eles sem percebê-los. Quando nos encontramos com eles, não os reconhecemos.

A cada dia, inúmeros sinais são-nos endereçados. São como «anjos» que Deus envia. É a maneira de Ele nos visitar e falar connosco.

Desatentos e racionais, muitas vezes demoramos a interpretar os avisos do Céu. À primeira vista parecem indiferentes, sem relação com a nossa vida. E eles passam...

No seu amor pelos homens, Deus quer fazer-se conhecer. Ele vem ao nosso encontro através de muitos sinais, próprios para ensinar-nos a desvendar as suas manifestações.

As crenças populares acreditam em «acasos». Para uma fé mais esclarecida, o acaso não existe. Tudo no universo está interligado. Uma intenção, para além das nossas frágeis compreensões, tudo organiza e dirige. Nessa perspetiva, não há vítimas. Somos todos corresponsáveis por tudo o que nos sucede. Em todo o momento fazemos escolhas, porque Deus assim o permite, respeitando o nosso livre arbítrio.

Interessado em ajudar-nos, Deus alerta-nos ao longo da nossa caminhada. Quer, de alguma forma, facilitar os nossos passos. Proteger-nos. Evitar que façamos escolhas erradas. Ou, simplesmente, mostrar que nos ama.

Há alguns anos, eu precisava de realizar uma delicada cirurgia. Era o início de um cancro. Ao ser detetado, o susto inicial abalou-me um pouco.

No entanto, vencer o «invasor» exigia também fortalecer a minha fé e o meu sistema imunológico. Várias pessoas – algumas desconhecidas – «surgiram» então na minha vida, oferecendo-me livros sobre o assunto. Revistas de saúde que eu assinava, exatamente naquele mês traziam farto material relativo ao meu tipo de cirurgia. Tudo conspirava a meu favor. Uma grande «sincronicidade», como explica Jung nos seus escritos.



Quando pensava tê-lo descoberto, desiludia-se ao constatar que ainda não fora dessa vez. Persistentemente voltava a procurar. Teria de encontrá-lo! Era impossível não ser atendida, se a fé que movia o seu coração lhe dizia que sim. «Procurai e encontrareis! Batei e a porta vos será aberta!»



Descobri, mais tarde, já curado, que fora Deus manifestando-se. Era a sua maneira de dizer-me: «Estou contigo nesta cirurgia. Confie!»

E assim aconteceu. Alguém me indicou até o médico adequado ao meu caso.

Ao sair, certo dia, de um laboratório, desnorteado com a notícia, alguém me acalmou:

– Fica tranquilo! O médico que te sugeri é muito competente. Foi ele «a mão de Deus» que me operou também.

Que «coincidência» aquele encontro! Mais tarde, entendi que era mais um «sinal» dos muitos que Deus me dera.

Um paciente meu, antes de iniciar a sessão de terapia holística dizia-se feliz por me ter encontrado.

– Você não sabe como a vida é curiosa! Procurei tanto o seu telefone e, agora, descobri que vive na mesma cidade que eu! Ainda mais, que foi numa padaria que ouvi falar de um «novo terapeuta» que viera morar na cidade. É muita «coincidência»!

E se, os que estavam a falar a respeito desse terapeuta, fossem «mensageiros de Deus»?

E se a mão de Deus tivesse guiado os passos desse homem, que precisava tanto de ajuda, a entrar naquela padaria naquele exato momento, mesmo sem saber ao certo o que iria comprar, como ele mesmo afirmava?



Era tanta felicidade que abrasava o meu coração, que ele transbordava de pura alegria. O meu coração tornou-se «o endereço de Deus», quando tão longe e fora de mim o procurava. Agora sei onde e como encontrá-lo. O amor de Deus presenteou-me com o dia mais gratificante e maravilhoso da minha vida



Isto tudo ultrapassa o «mero acaso». Ao que normalmente chamamos «coincidências», o mundo espiritual denomina de «sinais». Cabe-nos unicamente a tarefa de interpretá-los, à luz da intuição e da fé, quando o universo nos brinda com estes «anjos» em forma de livros, revistas, amigos ocasionais, telefonemas imprevistos, visitas inesperadas...

Olhos abertos e ouvidos atentos: Deus está a passar! Os seus sinais falam-nos do seu «endereço». É só segui-los...

 

A sua casa, o seu coração: eis «o endereço de Deus»

Nas palavras de Jesus, repetidas vezes ao longo da sua pregação, o «Reino de Deus» ganhou destaque especial. Este Reino que «não é deste mundo» (Jo 18,36); um Reino, portanto, sem armas e soldados, sem poder e dominação. Um Reino diferente.

O «Reino dos Céus é semelhante»... e o Mestre conta ao povo belíssimas parábolas que ilustram a sua mensagem: é como a semente do agricultor, como a rede, como a pedra preciosa, como o grão de mostarda... (cf. Mt 13,1-58). Ele tem as suas raízes aqui, mas cresce em direção ao Céu. A sua terra é o coração humano, pois é aí que ele se desenvolve e frutifica. É aí que devemos procurá-lo: dentro de nós.

«O endereço de Deus» não é encontrado «fora», distante, como se ele estivesse acima das nuvens, no «céu». Pelo contrário, é em sua casa, em seu coração, que ele se esconde. Procure-o no seu íntimo e Deus revelar-se-á.

Helena era assim: eterna aprendiz, uma incansável e confiante buscadora de Deus. Percorrera os mais diversos caminhos ao longo das suas buscas. Andara por todas as estradas que lhe indicassem, sem a certeza de ter encontrado «o endereço de Deus».

Quando pensava tê-lo descoberto, desiludia-se ao constatar que ainda não fora dessa vez. Persistentemente voltava a procurar. Teria de encontrá-lo! Era impossível não ser atendida, se a fé que movia o seu coração lhe dizia que sim. «Procurai e encontrareis! Batei e a porta vos será aberta!» (Mt 7,7).

– Eu andava um tanto desanimada – confessou-me Helena. – Dececionada com a falta de respostas aos meus pedidos. Descrente de mim e do próprio amor de Deus em atender-me. Até que um dia... no silêncio do meu quarto (cf. Mt 6,5-6), ao entrar em oração, no mais íntimo de mim, Deus se revelou. Senti o meu coração ser envolvido pela sua presença. O seu amor tomou conta de mim e tive a certeza de ser uma com Ele. Era tanta felicidade que abrasava o meu coração, que ele transbordava de pura alegria. O meu coração tornou-se «o endereço de Deus», quando tão longe e fora de mim o procurava. Agora sei onde e como encontrá-lo. O amor de Deus presenteou-me com o dia mais gratificante e maravilhoso da minha vida. Estou feliz, muito feliz!

Era Helena relatando a sua experiência.

És tu levando a cabo as tuas buscas e descobertas. Já sabes: a tua casa e teu coração são «o endereço de Deus» que tanto procuras.

Feliz encontro!



 

Edição: SNPC
Publicado em 09.03.2017

 

Título: O endereço de Deus - A busca da felicidade através da fé
Autor: Carlos Afonso Schmitt
Paulinas: Título do livro
136: Título do livro
Preço: 7,65 €
ISBN: 978-989-673-563-0

 

 
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