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O anjo anuncia: a Vida virá até ti: Comentário ao Evangelho do 4.º Domingo do Advento

Imagem A anunciação | Arnold Machin | C. 1944 | Tate Modern, Londres, Inglaterra | D.R.

O anjo anuncia: a Vida virá até ti: Comentário ao Evangelho do 4.º Domingo do Advento

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». ( Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». (Do Evangelho do 4.º Domingo do Advento, Lucas 1, 26-38)


A incarnação do Verbo é como uma semente lançada ao sulco do solo. A semente cai e leva para dentro da terra uma energia de vida. A terra à sua volta envolve-a e alimenta-a, cede-lhe os seus elementos químicos inertes, e a semente transforma-se numa dimensão superior: do frio escuro da terra extrai cor, perfume e sabor, que se manifestam na mais pequena flor ou na árvore secular (G. Vannucci).

A nossa fé começa por uma anunciação: um anjo afirma que o Omnipotente se faz criança, frémito no ventre de Maria, desejo de leite e carícias.

A anunciação é o ponto de êxtase da história humana, a fresta por onde entra a água de uma outra fonte, a abertura através da qual o divino se enxerta, como um ramo de oliveira no velho tronco, que reaprende a florir. Esse anúncio é uma fenda de luz pela qual a nossa história respira, abre as asas, levanta voo.

A primeira palavra do anjo a Maria, "chaire", não é uma simples saudação; dentro dela vibra aquela coisa boa e rara que todos nós, todos os dias, procuramos: a alegria - "sê feliz". Não exige: "reza, ajoelha-te, faz isto ou aquilo". Mas simplesmente: abre-te à alegria, como uma porta se abre ao sol. Deus aproxima-se e cinge-te num abraço, Ele vem e traz uma promessa de felicidade.

A segunda palavra revela o porquê da alegria: és cheia de graça. Uma palavra nova, nunca antes soletrada na Bíblia ou nas sinagogas, literalmente inaudita, que faz tremer Maria: Deus inclinou-se sobre ti, enamorou-se de ti, deu-se a ti, e tu transbordas de Deus. O teu nome é: amada para sempre. Ternamente, livremente, sem arrependimentos, amada.

E anuncia que Deus escolhe um ventre de mulher, que entra na nossa corrente de santos e pecadores, nesta corrente grávida de lama e ouro; que se espalha por todas as veias do mundo, até aos últimos ramos da criação. Percebe-se que Maria fique sem palavras e que responda primeiro com o silêncio, e depois com uma pergunta: como é possível?

A vocação de Maria é a nossa própria vocação: todos somos chamados a ser mães de Jesus, a torná-lo vivo, presente, importante neste caminho, nesta casa, nas nossas relações.

O anjo Gabriel é novamente enviado a cada casa para anunciar a cada um: «Sê feliz, também tu és amado para sempre, a Vida virá até ti». Eu acredito num anjo que tem a semente de Deus na voz; acredito num Menino, do ventre de uma mulher, que é a história da ternura de Deus, imagem alta e pura do rosto do ser humano.

 

Ermes Ronchi
In "Avvenire"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 20.12.2014

 

 
Imagem A anunciação | Arnold Machin | C. 1944 | Tate Modern, Londres, Inglaterra | D.R.
A anunciação é o ponto de êxtase da história humana, a fresta por onde entra a água de uma outra fonte, a abertura através da qual o divino se enxerta, como um ramo de oliveira no velho tronco, que reaprende a florir
A vocação de Maria é a nossa própria vocação: todos somos chamados a ser mães de Jesus, a torná-lo vivo, presente, importante neste caminho, nesta casa, nas nossas relações
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