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O Menino entre mãos e imagens: Presépio contemporâneo

O Menino entre mãos e imagens: Presépio contemporâneo

Imagem "Avènement" (det.) | Samuel Yal | Paris, França | 2016 | Fotografia: Samuel Yal | D.R.

Pelo sétimo ano consecutivo, a Igreja da Madalena, em Paris, dá a um artista contemporâneo a oportunidade de testemunhar os mistérios do nascimento de Jesus através da realização de um presépio.

No Natal de 2016 os visitantes poderão descobrir, até 2 de fevereiro, o presépio em cera de Samuel Yal (n. 1982), intitulado “Avènement”, que se pode traduzir por “Advento”, “Chegada”, “Vinda”.

O artista, que trabalha há vários anos sobre o rosto e o corpo, modelados, repetidos, fragmentados, criou uma obra em que o único rosto esculpido é o do Menino adormecido. Em torno dele, as mãos suspensas são uma passagem entre visível e invisível, para que cada visitante se encontre no que está a acontecer.

O material habitualmente privilegiado por Samuel Yal é a porcelana. Para esta peça, o artista escolheu outro material frágil de brancura translúcida, mas que evoca todo o poder daquilo que transporta: a cera das velas consumidas na igreja da Madalena. Muitas são as orações prolongadas neste gesto.



Uma dezena de pares de mãos de todas as idades estão suspensas e iluminam o Menino como luzeiros na noite. «Umas abertas, acolhedoras, maternais ou paternais, outras hesitantes…



«Cristo, novo Adão, faz-nos reviver a beleza da Criação, esta Criação primordial onde Deus modela o homem à sua imagem, modelando-o da argila. Aqui não há argila, mas cera. Sinal da oração dos homens, das mulheres, das crianças, esta massa humana amassada por Deus após a origem do mundo. Assim nasce a vida humana querida, criada por Deus», comenta o pároco, padre Bruno Horaist.

Samuel Yal complementa: «Matéria maleável sensível ao calor, ao ponto de poder liquefazer-se, como dizem alguns místicos a propósito do coração dos santos».

No centro da instalação, um menino nu, só, encolhido. Em torno dele, ninguém. Apenas atitudes. Uma dezena de pares de mãos de todas as idades estão suspensas e iluminam o Menino como luzeiros na noite. «Umas abertas, acolhedoras, maternais ou paternais, outras hesitantes… Algumas poderiam quase abrir-se», observa o artista.

As mãos das pessoas presentes no presépio nessa noite? Porque não as nossas? «Elas abrem o espaço dos possíveis. Um espaço entre claro e escuro, parcelado de pequenas luzes brancas também elas suspensas, que vêm citar a noite profunda e estrelada que é a noite do nosso mundo, a de um nascimento que se torna chegada: Natal».



Santos, criminosos, mártires, carrascos… todos enredados uns aos outros, solidários do que atravessa o ser humano, evocando todos os rostos que a humanidade pode assumir. Diante do Menino, nu, tudo se revela e tudo pode recomeçar



A criança repousa sobre uma pilha de palha densa, preta e branca, fotografias seccionadas em faixas estreitas sobre outras, completas, que em conjunto formam um húmus de humanidade, estratos da história do mundo, que é também a nossa história.

Do padre Jacques Hamel, assassinado este ano em França a Adolf Hitler, passando por Osama Bin Laden, Anne Frank, Charles Péguy, os religiosos do mosteiro de Thibbirine, Fidel Castro, Martin Luther King, Augusto Pinochet, John Lennon, Paul Claudel, entre outros.

Santos, criminosos, mártires, carrascos… todos enredados uns aos outros, solidários do que atravessa o ser humano, evocando todos os rostos que a humanidade pode assumir. Diante do Menino, nu, tudo se revela e tudo pode recomeçar.

Para além das mãos suspensas, é toda a humanidade que é sugerida por este leito, esta película de rostos. Porque o Menino nasce para os seus próximos, mas também para se fazer próximo de todos os que estão longe da terra, reflete o padre Bruno Horaist.

A pedido do artista, o filósofo e crítico de arte Fabrice Hadjadj escreveu um texto que apoia a oração e a meditação. As crianças, por seu lado, poderão descobrir o presépio de Amuel Yal com um suporte lúdico especialmente preparado para elas.





 

In "Narthex"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 23.12.2016

 

 
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