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Num tempo em que nos dizem que estaríamos melhor sozinhos, é preciso apostar na fraternidade

«Num período em que parecem voltar mentalidades que nos convidam a desconfiar dos outros, que querem demonstrar-nos com estatísticas que estaremos melhor, teremos mais prosperidade, haveria mais segurança se estivéssemos sozinhos», é preciso voltar a «apostar de novo no irmão, na fraternidade universal», declarou hoje o papa.

Na missa a que presidiu esta tarde, no santuário internacional de Aglona, na Letónia, Francisco não escondeu as dificuldades no relacionamento entre pessoas com passados e culturas díspares: «A harmonia custa sempre, quando somos diferentes, quando os anos, as histórias e as circunstâncias nos situam em modos de sentir, pensar e fazer que, à primeira vista, parecem opostos».

«Quando ouvimos, com fé, a ordem de acolher e ser acolhidos, é possível construir a unidade na diversidade, porque não nos travam nem dividem as diferenças, mas somos capazes de olhar mais além, ver os outros na sua dignidade mais profunda, como filhos de um e mesmo Pai», apontou.

Francisco desafiou a assembleia a ir ao encontro do povo «para o consolar e fazer-lhe companhia», sem medo de «experimentar a força da ternura» e de ver a vida ficar «complicada pelos outros».



«Mantivestes-vos constantes, perseverastes na fé. Nem o regime nazista nem o soviético apagaram a fé nos vossos corações e, a alguns de vós, não vos fizeram sequer desistir de vos dedicardes à vida sacerdotal, religiosa, à catequese e a vários outros serviços eclesiais que punham em risco a vida»



O papa acentuou que viver no mesmo território de outros não significa abrir o coração: «De facto, é possível estar junto de muitíssimas pessoas, pode-se até compartilhar a mesma casa, bairro ou trabalho; pode-se compartilhar a fé, contemplar e desfrutar os mesmos mistérios, mas sem acolher, nem praticar uma aceitação amorosa do outro».

«Quantos esposos poderiam contar a história de estar próximos, mas não juntos! Quantos jovens sentem dolorosamente esta distância dos adultos! Quantos idosos se sentem friamente tratados, mas não carinhosamente cuidados e acolhidos», afirmou, observando, todavia, que «às vezes» a abertura aos outros faz «muito mal».

Durante a manhã, o papa encontrou-se com idosos na catedral católica de S. Tiago, em Riga, capital da Letónia, tendo evocado «toda a espécie de provações» a que foram submetidos.

«Mantivestes-vos constantes, perseverastes na fé. Nem o regime nazista nem o soviético apagaram a fé nos vossos corações e, a alguns de vós, não vos fizeram sequer desistir de vos dedicardes à vida sacerdotal, religiosa, à catequese e a vários outros serviços eclesiais que punham em risco a vida», sublinhou.

Após a missa em Aglona, o papa regressa a Vilnius, capital da Lituânia, onde pernoita, deslocando-se na manhã de terça-feira para Talinn, capital da Estónia, onde passa o dia e conclui a viagem que desde sábado o levou aos países bálticos, por ocasião do centenário da sua independência.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: Papa Francisco | 24.9.2018 | Aglona, Letónia | Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 24.09.2018

 

 

 
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