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Novas igrejas: O estilo atual chama-se colaboração

Imagem Igreja da Ressurreição de Cristo | Cino Zucchi | Milão, Itália | D.R.

Novas igrejas: O estilo atual chama-se colaboração

Havia um tempo em que se sabia como eram feitas as igrejas: reconheciam-se à primeira vista. Mas hoje, como se distinguem no amontoado das múltiplas sugestões arquitetónicas? O argumento, já debatidíssimo, é retomado no encontro no 14.º Congresso Litúrgico Internacional, dedicado ao tema "Visto de fora", que decorrerá no mosteiro de Bose, em Itália, de 2 a 4 de junho, organizado em colaboração com o Secretariado dos Bens Culturais da Conferência Episcopal Italiana e o Conselho Nacional de Arquitetos, com a participação de especialistas de vários países.

O debate interessa a todos, crentes e não-crentes. Porque se as igrejas históricas eram expressões mais evidentes do seu tempo, a nossa época difunde-se nas manifestações formais mais diversas. Se o Barroco foi intérprete pontual do Concílio de Trento, com as formas modernas encontramo-nos diante de linguagens distantes da tradição, por incertas na transmissão da mensagem do Concílio Vaticano II.

D. Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto, considera que «as igrejas se constroem por duas razões: para exprimir louvor ao Senhor e adorá-lo, e para que a comunidade possa encontrar-se unida na fé e na experiência do amor do Pai. Se a Contra-reforma [reação "católica" à reforma "protestante] enfatizava a harmonia da forma e as igrejas manifestavam-na recolhendo-a em torno da centralidade da presença real do Santíssimo Sacramento, o século XX, com o trauma das grandes guerras, do Holocausto, faz a experiência do silêncio de Deus e da laceração do homem».

«Consequentemente arte e arquitetura exprimem-se em formas por vezes fragmentárias, que falam de uma nova necessidade de Deus. Isto encontra resposta na divina misericórdia, não por acaso testemunhada no coração do século XX por Santa Faustina Kowalska, canonizada por João Paulo II», acrescenta o prelado.

Hoje, o edifício da igreja pode ser representativo quer de uma mensagem teológica, quer da comunidade que a constrói. Por exemplo, «a nova igreja de San Rocco, próximo de Chieti, que se está a ultimar, culmina com um grande lucernário em forma de cruz, a representar a ferida e o sofrimento, mas ao mesmo tempo ao amor divino e à redenção que dele deriva. E o prórpio Mario Botta, o arquiteto que escolhi para a projetar, concordou que não se pode fazer arquitetura sagrada sem escutar o povo, num diálogo mutuamente frutuoso», explicou o arcebispo.

O diálogo ocorrido para esta nova igreja é exemplar de um novo "estilo" que emergiu após as experiências que se seguiram ao Concílio: não arquitetónico, mas de método, como salienta o padre Valerio Penanasso, responsável do episcopado italiano pelas novas construções e pelos bens culturais: «Depois do Concílio a Igreja evitou indicar formas específicas. Não queria edifícios repetitivos, baseados num modelo único, mas expressões que manifestam o que a comunidade vive: escolheu, por isso, erigir igrejas em função de uma eclesiologia que reassume a piedade popular, a cultura, o sentido de corresponsabilidade que se ativa entre fiéis e presbíteros. Uma eclesiologia fortemente marcada a partir do magistério do papa Francisco».

«Dado que cada comunidade habita o próprio território, com todas as suas particularidades históricas e atuais, o edifício igreja em que se encontra deve exprimir essa especificidade. No qual a "nobre simplicidade" conheça a via da beleza e, ao mesmo tempo, da pobreza: pode encontrar expressão em muitas soluções, inclusive de carácter tecnológico, por exemplo para modelar a luz em experiência poética, onde elemento natural e artificial de fundem. Pede-se a cada projeto que seja apreendido como «próprio de cada pessoa, na orgânica disposição dos polos litúrgicos, mas também no oferecer ocasiões de recolhimento para o individual».

Mais de 50 anos depois do Concílio, após o qual houve uma retirada do proprietário da obra e um período de liberdade para os projetistas fora do comum», hoje pede-se a ambos «um diálogo intenso», realça o liturgista Angelo Lameri. «A "Sacrosanctum Concilium" [constituição do Vaticano II sobre a liturgia] insiste na importãncia não só da formação de artistas, mas também dos sacerdotes, de modo a "estarem aptos a orientar como convém os artistas na realização das suas obras"». «Entre artistas, arquitetos e presbíteros requer-se uma formação recíproca, alimentada por momentos e espaços de diálogo e confronto», defende o especialista. Desse diálogo surgirá um novo estilo: a igreja de amanhã será igreja participada. E o novo nome da criatividade será: colaboração.

Na sessão de abertura do Congresso Litúrgico Internacional serão lidas as mensagem do Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, que expressará a bênção do papa Francisco, do patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I - que se fará representar pelo arcebispo de Telmessos, e dos responsáveis máximos da Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, cardeal Robert Sarah, e da Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi.

Entre os intervenientes encontram-se o representante do Patriarcado de Moscovo e peritos ligados a organismos episcopais italianos e pontifícios da liturgia, da cultura e dos Museus do Vaticano, na vertente da arte contemporânea, bem como especialistas de vários países.

"O olhar do cinema sobre as igrejas", "O imaginário das igrejas na arquitetura contemporânea", "O anúncio da fachada", "A fachada como estaleiro", "Projetar uma fachada", "O adro da hospitalidade" e "A qualidade urbana de uma igreja" são alguns dos temas a desenvolver pelos convidados.

 

Leonardo Servadio
In "Avvenire"
Redação: Com SNPC/rjm
Publicado em 31.05.2016

 

 

 
Imagem Igreja da Ressurreição de Cristo | Cino Zucchi | Milão, Itália | D.R.
Se a Contra-reforma enfatizava a harmonia da forma e as igrejas manifestavam-na recolhendo-a em torno da centralidade da presença real do Santíssimo Sacramento, o século XX, com o trauma das grandes guerras, do Holocausto, faz a experiência do silêncio de Deus e da laceração do homem»
Dado que cada comunidade habita o próprio território, com todas as suas particularidades históricas e atuais, o edifício igreja em que se encontra deve exprimir essa especificidade. No qual a "nobre simplicidade" conheça a via da beleza e, ao mesmo tempo, da pobreza
"O olhar do cinema sobre as igrejas", "O imaginário das igrejas na arquitetura contemporânea", "O anúncio da fachada", "A fachada como estaleiro", "Projetar uma fachada", "O adro da hospitalidade" e "A qualidade urbana de uma igreja" são alguns dos temas a desenvolver pelos convidados
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