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Natal em Pequim: Das maçãs às missas controladas

Natal em Pequim: Das maçãs às missas controladas

Imagem Pequim, China | VadimL/Bigstock.com

Dar uma maçã no Natal tornou-se um gesto popular entre os cristãos de Pequim, de tal forma que as paróquias dão uma a cada pessoa que participa na missa da meia-noite. Porquê? Porque em mandarim “maçã” e “paz” têm sons semelhantes.

As ruas, lojas e centros comerciais estão repletas de símbolos natalícios. Nas igrejas a solenidade é preparada com cânticos, decorações, presépios, mas acima de tudo a construir «o presépio no coração».

Os padres George, de uma comunidade católica clandestina, e Aloysius, de uma comunidade oficial, descrevem algumas das características mais marcantes do Natal na capital da República Popular da China.

 

P. George

O nosso povo celebra o nascimento de Jesus de maneiras diferentes. Preparamos o presépio, decoramos a igreja e organizamos momentos musicais e espetáculos. Durante este período também nos empenhamos em atividades caritativas, como um jantar na véspera de Natal e muitas outras coisas.

A vida de fé está concentrada acima de tudo na celebração litúrgica. No início do Advento os padres têm de preparar todos os passos, para que os corações dos fiéis possam chegar ao nascimento de Jesus.

Em relação ao aspeto litúrgico, o presépio é preparado para representar cuidadosamente o nascimento de Jesus. São fornecidas aos fiéis mais informações litúrgicas para que todos estejam prontos a entrar no novo ano litúrgico juntamente com a Santa Igreja.

Enfatizamos muito a meditação diária. A Palavra de Deus ajuda-nos a seguir melhor o caminho do Senhor. Devemos sublinhar a importância do tempo do Advento, preparando cuidadosamente a homilia e pregando fielmente a todos os fiéis. Sem uma vida espiritual e um coração aberto, todas as outras atividades de Natal parecem vazias e superficiais.

Devemos ter em mente a importância do sacramento da Reconciliação e os sacerdotes devem poder oferecer aos leigos tempo suficiente para o receber. Nesses casos é aconselhável convidar alguns sacerdotes das paróquias vizinhas para atender as necessidades dos fiéis.

Preparar o presépio não é o trabalho exclusivo do pároco ou das freiras. Acredito que é uma boa oportunidade para convidar os leigos a colaborarem. Além disso, o presépio deve ser simples, tendo em mente a pobreza e a humildade de Nosso Senhor. Através do arrependimento humilde, sacrifício duro, oração e dedicação, podemos construir o nosso presépio no coração.

O amor não se limita só às palavras, mas manifesta-se através de ações. No Natal prestamos mais atenção ao último e ao pobre, reservando os melhores lugares nas comemorações para eles, para que possam sentir mais o amor do Senhor perto do presépio e do altar. Para os doentes, acredito que o melhor presente é visitá-los e levar-lhes o sacramento da Reconciliação e a Eucaristia.

Com muita antecipação preparamos o grupo de mestres da cerimónia e do coro. Uma liturgia ordenada e solene, acompanhada por música e cânticos, ajuda os fiéis a entrarem mais numa atmosfera de ação de graças e no mistério da fé na véspera de Natal.

Depois de recebermos a mensagem do Papa (“Urbi et orbi” no dia de Natal), partilhamo-la com líderes leigos. Mas é importante para os padres saboreá-la bem primeiro, de forma pessoal.

Ao tempo de Jesus havia muitos albergues em Jerusalém, mas não havia espaço para a Criança. Li recentemente que o Natal é boicotado em algumas partes da China. Após dois mil anos ainda há muita hostilidade em relação a Jesus em muitas partes do mundo.

Lembro-me de que há alguns anos preparámos tudo para o Natal, mas proibiram-nos de celebrar a tarde do dia anterior. Como não pudemos celebrar a missa da véspera de Natal, apenas 30 pessoas permaneceram naquela noite.

O Natal está de novo em nós. Será um Natal de paz? O Menino Jesus sorri da manjedoura e abraça todos os povos do mundo. Ele é o Rei da Paz.

 

P. Aloysius

Em dezembro, em Pequim, lojas, restaurantes, padarias e centros comerciais estão sempre decorados com muitas decorações de Natal. Não há apenas cartazes publicitários, mas a partir de meados de dezembro mesmo os vendedores usam o capuz vermelho do Pai Natal.

Ontem à noite fui a uma loja de roupas. Vi que, na frente da loja, havia uma pequena mas fofa rena recheada. Para celebrar o Natal há luzes e árvores de Natal em todo o lado, nas praças, em frente aos edifícios e, às vezes, até em áreas residenciais.

Aos poucos percebi que o Natal não representa hoje uma festa exclusivamente cristã, mas tornou-se cada vez mais popular e comercial. Paralelamente a esse fenómeno crescente, há contra-exemplos. Por exemplo, várias escolas e universidades proibiram todos os tipos de celebrações de Natal.

A cidade está imersa na atmosfera natalícia: árvores de Natal, Pais Natais, música de Natal, etc. Mas para os cristãos o verdadeiro significado do Natal é encontrado apenas na Igreja. Todos os anos em Pequim centenas, milhares de pessoas participam na missa de Natal.

As igrejas locais tentam celebrar o maior número de missas possível e entregam gratuitamente o ingresso de admissão. Infelizmente, devido às multidões e ao tamanho limitado das igrejas, às vezes é difícil atender as necessidades de cada membro.

Em particular este ano, depois de alguns incêndios na cidade, as igrejas serão ainda mais rigorosamente controladas.

A entrega de presentes no Natal faz parte dos símbolos deste dia festivo. Há algum presente especial na China? Sim: dar uma maçã.

Em mandarim, a homofonia afeta muitas vezes a comunicação. Na véspera de Natal é dada uma maçã porque a palavra “maçã” (“ping guo”) soa como a palavra “paz” (he ping). Colocada dentro de uma caixa colorida, com um cartão de boas-festas, a maçã tornou-se um presente típico cristão na China. Qualquer um que vá à igreja pode obter uma.

A alegria dos católicos chineses também está nas duas missas na véspera de Natal: uma é celebrada ao final da tarde, a outra a partir das 23h30.

Durante as três ou quatro horas entre as duas missas muitas atividades são frequentemente organizadas: uma vigília com a oração de Taizé ou um concerto de Natal. Graças a danças, músicas e muitos outros espetáculos, a celebração atinge o seu ponto alto.



 

In AsiaNews
Trad.: SNPC
Publicado em 20.12.2017

 

 
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