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«Não precisará a política da luz da fé?», questiona arcebispo de Braga

Imagem Assembleia da República, Lisboa | D.R.

«Não precisará a política da luz da fé?», questiona arcebispo de Braga

«São poucos aqueles que acreditam nos políticos e muitos desejam uma nova geração», afirmou o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, esta sexta-feira, dia em que a Igreja católica evoca a memória de S. Geraldo, padroeiro principal da cidade.

Presidindo à missa na sé de Braga, por ocasião daquela memória litúrgica, o prelado frisou que a necessidade de «entender a política como vocação que envolve o pensamento e o agir de quem cuida da coisa pública numa única preocupação de construir o bem comum é uma urgência a encontrar respostas».

«Não precisará a política da luz da fé e não deverão os políticos cristãos ser protagonistas de uma ação renovadora da sociedade?, questionou o arcebispo na homilia, enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

«Creio não ser inoportuno, e muito menos interpretado como intromissão em casa alheia, reconhecer a necessidade de políticos – homens e mulheres – que, sem rótulos artificiais, se assumam como construtores ativos de uma sociedade mais digna», vincou.

Entre as prioridades dos políticos devem estar «a família defendida e protegida como célula vital da sociedade, o trabalho com dignidade e como direito onde os direitos se respeitam e o dever de trabalhar se assume, a economia como arte de construir uma casa de fraternidade e igualdade».

Para o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, importa também promover «a luta persistente pela causa do bem comum, a aceitação do destino universal dos bens, a solidariedade como prática quotidiana», a par da proteção do ambiente.

D. Jorge Ortiga elogiou os políticos que, «a nível autárquico de juntas ou câmaras, assim como a nível de serviços ou da Assembleia da República (...), têm no peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres deixando-se inspirar por valores que permanecem num período da pós-modernidade».

Lembrando que o património é «testemunho de uma identidade», D. Jorge Ortiga evocou o papel da Igreja na edificação da cidade, realidade que não se esgotou no passado mas que deve continuar na atualidade, ainda que os tempos sejam outros.

«O Liberalismo trouxe depois o regime da separação de poderes, que defendemos e respeitamos. Mas, se Braga foi construída a partir da fé dos arcebispos, não deverá ou poderá ela – em regime de perfeita liberdade de consciência – continuar a ser delineada e pensada por homens que não só não escondem a sua fé mas permitem que ela seja luz de um projeto marcado por valores evangélicos onde as pessoas são colocadas no centro de todas as decisões?», interrogou.

A terminar a homilia, o prelado evocou, em oração, o padroeiro da cidade: «S. Geraldo nos conceda o dom, num ano em que queremos mostrar que a fé deve estar em todos os ambientes humanos, de gastar a vida na responsabilidade desinteressada de construirmos aldeias e cidades à medida do Homem e com lugar para uma vida digna a proporcionar a todos, e não apenas a alguns».

S.Geraldo nasceu na Gália e professou no mosteiro de Moissac, onde desempenhou os cargos de bibliotecário, mestre dos oblatos e cantor. Mais tarde, foi chamado para a catedral de Toledo. Eleito bispo de Braga, exerceu importante atividade na reorganização da diocese, na promoção da vida monástica, na reforma litúrgica e pastoral, bem como na aplicação da disciplina eclesiástica, vindo a morrer a 5 de dezembro de 1108, refere texto publicado na página do Secretariado Nacional de Liturgia.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 05.12.2014

 

 
Imagem Assembleia da República, Lisboa | D.R.
D. Jorge Ortiga elogiou os políticos que, «a nível autárquico de juntas ou câmaras, assim como a nível de serviços ou da Assembleia da República (...), têm no peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres deixando-se inspirar por valores que permanecem num período da pós-modernidade
O Liberalismo trouxe depois o regime da separação de poderes, que defendemos e respeitamos. Mas, se Braga foi construída a partir da fé dos arcebispos, não deverá ou poderá ela – em regime de perfeita liberdade de consciência – continuar a ser delineada e pensada por homens que não escondem a sua fé?
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