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«Viver como cristão», em vez de «pensar como cristão e viver como pagão»: Apelo do papa no dia do primeiro mártir da Igreja

Imagem Papa Francisco | Bênção na oração do Angelus | Praça de S. Pedro, Vaticano, 26.12.2014 | AP Photo/Alessandra Tarantino | D.R.

«Viver como cristão», em vez de «pensar como cristão e viver como pagão»: Apelo do papa no dia do primeiro mártir da Igreja

Hoje a liturgia recorda o testemunho de Santo Estêvão. Escolhido pelos apóstolos, juntamente com outros seis, para a diaconia da caridade, isto é, para assistir os pobres, os órfãos, as viúvas na comunidade de Jerusalém, ele torna-se o primeiro mártir da Igreja. Com o seu martírio, Estêvão honra a vinda ao mundo do rei dos reis, dá testemunho dele e oferece o dom da sua própria vida, como fazia no serviço aos mais necessitados. E assim nos mostra como viver em plenitude o mistério do Natal.

O Evangelho desta festa reporta uma parte do discurso de Jesus aos seus discípulos no momento em que os envia em missão. Diz, entre outras coisas: «Sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas quem perseverar até ao fim será salvo» (Mateus 10, 22). Estas palavras do Senhor não perturbam a celebração do Natal, mas despojam-na daquele falso revestimento adocicado que não lhe pertence. Fazem-nos compreender que nas provações aceites por causa da fé, a violência é derrotada pelo amor, a morte pela vida.

Para acolher verdadeiramente Jesus na nossa existência e prolongar a alegria da noite santa, o caminho é precisamente o indicado pelo Evangelho de hoje, isto é, dar testemunho de Jesus na humildade, no serviço silencioso, sem medo de andar contracorrente e de sofrer as consequências. E se nem todos são chamados, como Santo Estêvão, a derramar o próprio sangue, a cada cristão, todavia, é pedido que seja coerente em cada circunstância com a fé que professa. E a coerência cristã é uma graça que devemos pedir ao Senhor. Ser coerentes, viver como cristãos, e não dizer «sou cristão» e viver como pagão. A coerência é uma graça a pedir hoje.

Seguir o Evangelho é decerto um caminho exigente, mas belo, belíssimo, e quem o percorre com fidelidade e coragem recebe o dom prometido pelo Senhor aos homens e às mulheres de boa vontade. Como cantavam os anjos no dia de Natal: «Paz! Paz!». Esta paz dada por Deus é capaz de confortar a consciência daqueles que, através das provações da vida, sabem acolher a Palavra de Deus e se comprometem a observá-la com perseverança até ao fim.

Hoje rezamos de maneira particular por quantos são discriminados, perseguidos e mortos por causa do testemunho que dão de Cristo. Quero dizer a cada um deles: se levardes esta cruz com amor, tereis entrado no mistério do Natal, estais no coração de Cristo e da Igreja.

Rezemos igualmente para que, graças também ao sacrifício destes mártires de hoje – são muitos, muitíssimos – se reforce em todo o mundo o compromisso para reconhecer e assegurar concretamente a liberdade religiosa, que é um direito inalienável de cada pessoa humana. (…)

Não esqueceis: coerência cristã, isto é, pensar, sentir e viver como cristão, e não pensar como cristão e viver como pagão: isso não! Hoje peçamos a Santo Estêvão a graça da coerência cristã. E por favor, continuai a rezar por mim, não o esqueceis.

 

Papa Francisco
Alocuções antes e após oração do Angelus, Vaticano, 26.12.2014
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 26.12.2014

 

 
Imagem Papa Francisco | Bênção na oração do Angelus | Praça de S. Pedro, Vaticano, 26.12.2014 | AP Photo/Alessandra Tarantino | D.R.
Rezemos para que, graças também ao sacrifício destes mártires de hoje – são muitos, muitíssimos – se reforce em todo o mundo o compromisso para reconhecer e assegurar concretamente a liberdade religiosa, que é um direito inalienável de cada pessoa humana
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