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Não há possibilidade de paz sem oração

Assinala-se hoje, 23 de fevereiro, um dia de oração e jejum pela paz, em particular pelo Sudão do Sul e a República Democrática do Congo, iniciativa lançada pelo papa Francisco a 4 de fevereiro.

O ser humano anseia no mais profundo do coração pela verdade e pela paz, pela vida para si próprio e para os outros. Ninguém pode sentir-se satisfeito de verdade quanto às suas aspirações enquanto houver homens e mulheres a quem são negados os mais elementares direitos humano, entre os quais, antes de todos, o direito à vida e à paz.

Apelar à consciência pessoal significa para todos, como primeira coisa, voltar a pensar, isto é, ativar um diálogo interior consigo próprio, com a verdade, com os outros, até chegar a recursos maiores do que os de cada indivíduo, forças capazes de quebrar as durezas de cada coração, de transformar o nosso olhar sobre a realidade e torná-lo capaz de discernir caminhos de paz e de vida talvez inimagináveis.

Cada pessoa é chamada a renovar diariamente – e em particular nas horas mais difíceis – um profundo exame de consciência, pedindo perdão aos irmãos e irmãs de humanidade por todas as vezes que a indiferença prevaleceu sobre a solidariedade, a mentira sobre a verdade, o ódio sobre o amor, a guerra sobre a paz.

Para os crentes, o diálogo interior com a verdade e com as forças que transcendem cada pessoa tem o nome de oração: não há possibilidade de paz sem a oração, com a qual se toma consciência de que a paz vai para além dos esforços humanos e encontra a sua fonte e realização numa Realidade que nos ultrapassa.



Será um dia de jejum durante o qual cada crente é chamado a orar ardentemente a Deus para que conceda ao mundo uma paz estável, e inspire a quantos têm a responsabilidade pelo bem comum soluções adequadas para os conflitos



Por isso, toda a pessoa que se proclama “religiosa” deve questionar-se seriamente até que ponto soube dirigir-se, no santuário da sua consciência, a Alguém para lá do próprio eu, e o quanto, ao contrário, prestou culto a todos os ídolos que a mente humana nunca cessa de fabricar e venerar.

Quanto a nós, cristãos, S. Paulo declara: «Em Cristo Jesus, vós, que outrora estáveis longe, agora, estais perto, pelo sangue de Cristo» (Efésios 2, 13); por isso os cristãos acreditaram sempre firmemente com o apóstolo que Cristo «é a nossa paz» (2, 14).

Mas se é verdade que a paz tem o nome de Jesus Cristo, é igualmente verdade que no decurso da história aqueles que se ornaram com o seu nome nem sempre souberam testemunhar o destino último do ser humano na comunhão em torno do trono do Cordeiro. As divisões que perduram entre os discípulos de Cristo são um escândalo e um verdadeiro contratestemunho.

Por estes motivos, o papa Francisco lançou um dia de oração e jejum pela paz em países esgotados pelo «trágico prolongamento de situações de conflito», pedindo inclusive «aos irmãos e irmãs não católicos e não cristãos para se associarem a esta iniciativa nas modalidades que considerarem mais oportunas».

Será um dia de jejum durante o qual cada crente é chamado a orar ardentemente a Deus para que conceda ao mundo uma paz estável, fundada na justiça, e inspire a quantos têm a responsabilidade pelo bem comum soluções adequadas para os conflitos que atingem o mundo.

Para os crentes de várias religiões a oração, o jejum e a esmola são exigências intrinsecamente ligadas à sua profissão de fé; para todos os cristãos são exigências feitas pelo próprio Jesus tendo em vista a luta contra Satanás e a assiduidade com Deus, e ao mesmo tempo sinal de comunhão fraterna.



 

Enzo Bianchi
In SIR
Trad.: SNPC
Imagem: Sudão do Sul | © Dominic Nahr/National Geographic
Publicado em 23.02.2018

 

 
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