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«Não é por gritar mais alto», mas sim pelo «diálogo», que a Igreja é ouvida, afirma arcebispo

Imagem D. Donald Bolen | D.R.

«Não é por gritar mais alto», mas sim pelo «diálogo», que a Igreja é ouvida, afirma arcebispo

A Igreja católica só será capaz de criar mudanças na sociedade se se empenhar no diálogo com as pessoas que estão fora da comunidade de fé através de uma «profunda escuta» delas sobre temas difíceis, considera o arcebispo canadiano Donald Bolen.

O prelado de 55 anos, que o papa Francisco nomeou este verão para dirigir a arquidiocese de Regina, considera que não é por aumentar o volume que os católicos vão conseguir fazer valer a sua posição.

«Quando estamos a lidar com questões realmente difíceis e desafiantes, precisamos de ser fiéis ao ensinamento da Igreja, fiéis ao "kerygma" [primeiro anúncio, com os conteúdos básicos da fé], à revelação que nos foi dada, mas precisamos de levar isso para o diálogo se quisermos ser tomados a sério e se quisermos ter influência no mundo», declarou à página norte-americana National Catholic Reporter (NCR).

O arcebispo sustentou que «não é por gritar mais alto» que os católicos conseguem ser ouvidos, mas por se «envolver numa conversação articulada e desafiando posições», e acrescentou que partilha de uma visão de Igreja «em diálogo com a cultura mais ampla, respeitadora da cultura, com uma mensagem para proclamar, mas também escutando profundamente».

«Num tempo em que o papa Francisco apela a uma cultura do encontro e afirmou que o que era mais necessário no nosso mundo era "diálogo, diálogo, diálogo", conseguimos promover o diálogo em muitas frentes», relatou à página da sua anterior diocese, de que é agora administrador apostólico.

Entre os eventos organizados pela diocese de Saskatoon incluíram-se fóruns inter-religiosos sobre temas como a fé na esfera pública e paz e terrorismo, um debate público sobre a compaixão com um budista tibetano e um diálogo sobre a música de Leonard Cohen entre Bolen e o rabino Claudio Jodorkovsy.

O diálogo entre cristãos católicos e evangélicos na diocese canadiana produziu uma declaração conjunta e alimentou várias discussões e amizades, tendo também sido criado um programa ecuménico formativo.

«Também procurámos, num espírito de diálogo, parcerias dentro de comunidades, com agências sociais, organizações e instituições, para trabalhar em conjunto para o bem comum; isto ressoa a forte ênfase do papa Francisco na justiça e em chegar às pessoas nas periferias», salientou Bolen, que de 2001 a 2008 trabalhou no Vaticano, ao serviço do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

As declarações à NCR do arcebispo, que entra solenemente na arquidiocese de Regina a 14 de outubro, foram feitas desde Espanha, onde integra uma peregrinação de cinco semanas com outras pessoas através do Caminho de Santiago.

«Há muitos peregrinos na estrada», relatou, antes de sublinhar: «É bom ter uma pequena distância da minha rotina diária, que tende a ser muito atarefada e com bastante stress. Aqui apenas rezo, ando e faço visitas, e vivo uma vida mais simples durante algum tempo».

Em junho deste ano Donald Bolan aderiu a uma iniciativa de sensibilização para os problemas das pessoas sem abrigo, tendo passado 36 horas na rua a pedir esmola e repousado à noite num dormitório público.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 30.08.2016

 

 
Imagem D. Donald Bolen | D.R.
«Também procurámos, num espírito de diálogo, parcerias dentro de comunidades, com agências sociais, organizações e instituições, para trabalhar em conjunto para o bem comum; isto ressoa a forte ênfase do papa Francisco na justiça e em chegar às pessoas nas periferias»
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