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Não deixes que a tua vida se apague no ecrã de um “smartphone”: Papa escreve aos jovens

«Não deixeis, queridos jovens, que os fulgores da juventude se apaguem na escuridão duma sala fechada, onde a única janela para olhar o mundo seja a do computador e do “smartphone”.»

Este é um dos apelos que o papa faz na mensagem para a 33.ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se assinala no próximo dia 25 de março, domingo de Ramos, e que ocorre a pouco mais de meio ano do Sínodo dos Bispos, que em outubro debate o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

«Abri de par em par as portas da vossa vida! Os vossos espaços e tempos sejam habitados por pessoas concretas, relações profundas, que vos deem a possibilidade de compartilhar experiências autênticas e reais no vosso dia-a-dia», encoraja Francisco.

O tema da Jornada, «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus» (Lucas 1, 30), inspirou o questionamento que o papa coloca no primeiro número do texto: «E vós, jovens, quais são os medos que tendes? Que é que vos preocupa mais profundamente?».

Um dos medos mais comuns entre os jovens «é o de não ser amados, bem-queridos, de não ser aceites», pelo que muitos, «na tentativa de se adequar a padrões frequentemente artificiais e inatingíveis, têm a sensação de dever ser diferentes daquilo que são na realidade».



«Muitas vezes o obstáculo à fé não é a incredulidade, mas o medo. Neste sentido, o trabalho de discernimento, depois de ter identificado os nossos medos, deve ajudar-nos a superá-los, abrindo-nos à vida e enfrentando serenamente os desafios que ela nos apresenta»



«Fazem contínuos “foto-retoques” das imagens próprias, escondendo-se por trás de máscaras e identidades falsas, até chegarem quase a tornar-se eles mesmos um “fake”, um falso. Muitos têm a obsessão de receber o maior número possível de apreciações “gosto”, assinala.

O temor de «não conseguir encontrar uma segurança afetiva e ficar sozinhos» e a «precariedade do trabalho» são igualmente comuns entre crentes e não crentes, enquanto que aqueles que têm fé se perguntam sobre se conseguirão corresponder às exigências de uma vida consagrada.

«Alguns pensam: talvez Deus me peça ou virá a pedir demais; talvez, ao percorrer a estrada que Ele me aponta, não seja verdadeiramente feliz, ou não esteja à altura do que me pede. Outros interrogam-se: se seguir o caminho que Deus me indica, quem me garante que conseguirei percorrê-lo até ao fim? Desanimarei? Perderei o entusiasmo? Serei capaz de perseverar a vida inteira?», assinala Francisco.

O papa convida os jovens a «dar um nome» aos seus medos: «Hoje, na situação concreta que estou a viver, o que é que me angustia, o que é que mais temo? O que é que me bloqueia e impede de avançar? Porque é que não tenho a coragem de abraçar as decisões importantes que deveria tomar? Não tenhais medo de olhar, honestamente, para os vossos medos, reconhecê-los pelo que são e enfrentá-los». 

«Muitas vezes o obstáculo à fé não é a incredulidade, mas o medo. Neste sentido, o trabalho de discernimento, depois de ter identificado os nossos medos, deve ajudar-nos a superá-los, abrindo-nos à vida e enfrentando serenamente os desafios que ela nos apresenta. De modo particular para nós, cristãos, o medo nunca deve ter a última palavra, mas ser ocasião para realizar um ato de fé em Deus... e também na vida», sublinha a mensagem. 



«Amaremos inclusive quem nos poderia parecer, por si mesmo, pouco amável. É um amor que se torna serviço e dedicação, sobretudo pelos mais fracos e os mais pobres, que transforma os nossos rostos e nos enche de alegria»



Francisco lembra que na Bíblia encontra-se «365 vezes a expressão “não temer”, nas suas múltiplas variações», como que a dizer que Deus quer que os seres humanos estejam «livres do medo todos os dias do ano».

Depois de assinalar que «os cristãos autênticos não têm medo de se abrir aos outros, de compartilhar os seus espaços vitais transformando-os em espaços de fraternidade», o papa evoca o «exemplo de Maria» para que seja possível viver «concretamente» a «caridade» que «impele a amar a Deus acima de tudo» e as pessoas com quem se partilha a vida.

«Amaremos inclusive quem nos poderia parecer, por si mesmo, pouco amável. É um amor que se torna serviço e dedicação, sobretudo pelos mais fracos e os mais pobres, que transforma os nossos rostos e nos enche de alegria», declara Francisco.

Esta Jornada, que será celebrada a nível das dioceses, antecede o encontro mundial marcado para janeiro de 2019, no Panamá, para onde são convidados jovens de todo o mundo e que, com muita probabilidade, será presidida pelo papa, que realça: «A JMJ é para os corajosos! Não para jovens que procuram apenas a comodidade, recuando à vista das dificuldades». 


 

SNPC
Imagem: Maria_Savenko/Bigstock.com
Publicado em 22.02.2018

 

 

 
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