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Leitura: "Namasté – A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti”

Leitura: "Namasté – A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti”

Imagem Capa | D.R.

«Retratos que espelham a nobreza e a dignidade das pessoas que vivem em contextos de extrema miséria, mergulhadas numa realidade tão dura que as fez perder o distanciamento crítico e a capacidade de reconhecer a sua beleza.»

Este é o coração do livro "Namasté – A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti”, do padre e fotógrafo Paulo Teia, recentemente lançado pela editora Frente e Verso, em que o religioso da Companhia de Jesus narra a sua experiência de encontro com os mais marginalizados durante uma viagem de dois meses pela Índia.

«A maioria das imagens são retratos que espelham a nobreza e a dignidade das pessoas que vivem em contextos de extrema miséria, mergulhadas numa realidade tão dura que as fez perder o distanciamento crítico e a capacidade de reconhecer a sua beleza», sublinha um comunicado enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

A nota realça que a maioria das pessoas protagonistas do livro «nunca tinha sido fotografada ou, pelo menos, nunca tinha tido oportunidade de aceder à imagem de si própria».

Por isso, Paulo Teia ofereceu «cinco imagens a cada fotografado, distribuindo ao longo da viagem mais de 12 mil fotografias»: «A alegria que sentiam por ver a sua luz, dignidade e beleza transmitida na imagem é algo indescritível, afirma o autor», citado no comunicado.



Com este volume, o autor quis expressar uma das suas «mais profundas inquietudes como ser humano e como padre: dar a conhecer a vida dos mais pobres a partir da força da sua dignidade»



«Não é da beleza que falo, mas da verdade de uma beleza sofrida. De uma beleza dorida atentada, perseguida pela densidade de cada hora e de cada momento. Falo da Índia, um país onde se grita em silêncio. E é desse silêncio, que a beleza não esconde, que consigo dizer algo, sinto-o», escreve o sacerdote na crónica escrita incluída na segunda parte da obra, após as imagens.

«Conto cada rosto, na sua singular dor, na sua singular pincelada de cor. Uma imensa paleta retida e arrastada ao longo dos meses da única viagem. E hoje, quando olho, cheio de novo o que vivi. Esse passado que um dia será longínquo, e que é hoje em mim urgência. Não posso viver sem ele e sem a promessa de serviço e de entrega que ele atiça. Quero viver a partir da dor, da dor própria e da alheia. Da dor de uma beleza sofrida», declara, antes de frisar: «Durante todo este tempo, pude reconhecer no rosto daqueles que fotografei a espera de uma justiça à escala da humanidade».

Com este volume, o autor quis expressar uma das suas «mais profundas inquietudes como ser humano e como padre: dar a conhecer a vida dos mais pobres a partir da força da sua dignidade», escreve na introdução.

«Tratava-se de captar a luz da sua resistência ao caos, a força com que desafiam o estado de injustiça em que vivem sem perderem os contornos de pessoa, e de seres humanos que são», acrescenta.



Paulo Teia esteve seis meses em Madrid, onde aprofundou a sua formação na área da fotografia, e depois partiu para o Cambodja, onde esteve um mês, e para a Índia. Após esta experiência marcante, Paulo Teia foi enviado em missão para Moçambique, sendo atualmente o pároco da catedral de Tete»



Sobre o título do volume, Paulo Teia explica: «Um profundo agradecimento feito de luz. Esse é o significado que escolhi da palavra “Namaste” , numa das suas múltiplas referências, e que significa literalmente, “A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti”».

Nascido em 1969, Paulo Teia «é um autodidata, cujo gosto pela fotografia vem de longe, mas que só como jesuíta teve possibilidade de exercitar esta linguagem e de usá-la para tocar os mais excluídos.

Depois de entrar para a Companhia de Jesus, com 20 anos, Paulo Teia completou a formação em Filosofia e Teologia em Braga, Madrid e Paris, tendo sido ordenado padre em 2002, recebendo como primeira missão a comunidade do Pragal, Almada, onde criou um centro juvenil.

Em 2014, o religioso «pediu uma licença sabática para fazer uma viagem onde pudesse ir ao encontro dos mais pobres. Esteve seis meses em Madrid, onde aprofundou a sua formação na área da fotografia, e depois partiu para o Cambodja, onde esteve um mês, e para a Índia. Após esta experiência marcante, Paulo Teia foi enviado em missão para Moçambique, sendo atualmente o pároco da catedral de Tete».

No seu texto, Paulo Teia lança um apelo: «Gostaria que habitassem as minhas fotos, que partilhassem nelas casa e comida com aqueles que veem».





 

Rui Jorge Martins
Publicado em 14.11.2016

 

Título: Namasté – A luz de Deus em mim saúda a luz de Deus em ti
Autor: Paulo Teia
Editora: Frente e Verso
Páginas: 200
Preço: 40,00 €
ISBN: 978-989-98322-6-8

 

 
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