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«Nada une mais com Deus do que um ato de misericórdia»: Primeira meditação do papa no retiro de sacerdotes

Imagem Papa Francisco | D.R.

«Nada une mais com Deus do que um ato de misericórdia»: Primeira meditação do papa no retiro de sacerdotes

O papa profere hoje três meditações no âmbito do retiro que está a pregar para o Jubileu dos Sacerdotes e Seminaristas, iniciativa programada no âmbito do Ano Jubilar da Misericórdia, que a Igreja católica assinala até 27 de novembro.

As intervenções de Francisco são distribuídas em três basílicas papais, em Roma: a primeira ocorreu em S. João de Latrão, a segunda acontecerá às 11h00 (hora de Portugal continental) em Santa Maria Maior e, pelas 15h00, em S. Paulo Fora de Muros.

Excertos da primeira meditação:

«Começamos esta jornada de retiro espiritual. E acredito que nos fará bem orar uns pelos outros, ou seja, em comunhão. Um retiro, mas em comunhão, todos. Escolhi o tema da misericórdia. Primeiro, uma pequena introdução, para todo o retiro.»

«A misericórdia, no seu aspeto mais feminino (…) é o visceral amor materno que se comove diante da fragilidade da sua criatura recém-nascida e a abraça, fornecendo-lhe tudo aquilo que lhe falta para que possa viver e crescer (“rahamim”); e, no seu aspeto propriamente masculino, é a fidelidade forte do Pai que sempre sustém, perdoa e torna a colocar no caminho os seus filhos. A misericórdia é tanto o fruto de uma “aliança” – por isso se diz que Deus se recorda do seu (pacto de) misericórdia (“hesed”) – quando um “ato” gratuito de benevolência e bondade que brota da nossa mais profunda psicologia e se traduz numa obra externa (“eleos”, que se torna esmola).

Esta inclusividade permite que seja sempre ao alcance de todos agir com misericórdia, experimentar compaixão por quem sofre, comover-se por quem tem necessidade, indignar-se, o revoltar-se das entranhas perante uma injustiça patente, e pôr-se imediatamente a fazer alguma coisa de concreto, com respeito e ternura, para solucionar a situação. E, partindo deste sentimento visceral, está ao alcance de todos olhar para Deus na perspetiva deste primeiro e último atributo com o qual Jesus quis revelar para nós: o nome de Deus é Misericórdia.»

«Quando meditamos na misericórdia acontece alguma coisa de especial. A dinâmica dos Exercícios Espirituais potencia-se desde o interior. A misericórdia faz ver que os caminhos objetivos da mística clássica – purgativa, iluminativa e unitiva – nunca são etapas consecutivas, que se possam deixar atrás das costas. Precisamos sempre de nova conversão, de maior contemplação e de um renovado amor. Estas três fases misturam-se e regressam. Nada une mais com Deus do que um ato de misericórdia – e este não é um exagero. Nada une mais com Deus do que um ato de misericórdia – seja a misericórdia com a qual o Senhor nos perdoa os nossos pecados, seja a graça que nos dá para praticar as obras de misericórdia em seu nome.

Nada ilumina mais a fé do que o purgar os nossos pecados, e nada há mais claro que Mateus 25 e aquele «felizes os misericordiosos porque obterão misericórdia» (5, 7) para compreender qual é a vontade de Deus, a missão a que nos envia. À misericórdia pode aplicar-se aquele ensinamento de Jesus: «Com a medida com que medirdes, ser-vos-á medido» (Mateus 7, 2). Permiti-me: penso aqui naqueles confessores impacientes, que dão bastonadas aos penitentes, que lhes dão reprimendas… Assim te tratará Deus. Assim! Nem que seja por isso, não fazeis essas coisas.

A misericórdia permite-nos passar do sentirmo-nos objeto de misericórdia ao desejo de oferecer misericórdia. Podem conviver, numa saudável tensão, o sentimento de vergonha pelos próprios pecados com o sentimento da dignidade à qual o Senhor nos eleva. Podemos passar sem preâmbulos da distância à festa, como na parábola do filho pródigo, e utilizar como recetáculo da misericórdia o nosso próprio pecado. Repito isto, que é a chave da primeira mediação: utilizar como recetáculo da misericórdia o nosso próprio pecado. A misericórdia impele-nos a passar do pessoal ao comunitário. Quando agimos com misericórdia, como nos milagres da multiplicação dos pães, que nascem da compaixão de Jesus pelo seu povo e pelos estrangeiros, os pães multiplicam-se na medida em que são partilhados.»

 

In "Rádio Vaticano"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 02.06.2016

 

 
Imagem Papa Francisco | D.R.
À misericórdia pode aplicar-se aquele ensinamento de Jesus: «Com a medida com que medirdes, ser-vos-á medido» (Mateus 7, 2). Permiti-me: penso aqui naqueles confessores impacientes, que dão bastonadas aos penitentes, que lhes dão reprimendas… Assim te tratará Deus. Assim!
A misericórdia permite-nos passar do sentirmo-nos objeto de misericórdia ao desejo de oferecer misericórdia. Podemos passar sem preâmbulos da distância à festa, como na parábola do filho pródigo, e utilizar como recetáculo da misericórdia o nosso próprio pecado
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