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«Nada de portas blindadas na Igreja, tudo aberto!»: Papa Francisco orienta Jubileu da Misericórdia

Imagem Papa Francisco | Audiência geral | Vaticano, 18.11.2015 | © Lusa

«Nada de portas blindadas na Igreja, tudo aberto!»: Papa Francisco orienta Jubileu da Misericórdia

Com esta reflexão chegámos ao umbral do Jubileu, está próximo [8 de dezembro]! Diante de nós está a grande porta da Misericórdia de Deus, uma porta bela, que acolhe o nosso arrependimento oferecendo a graça do seu perdão.

A porta está generosamente aberta, mas nós devemos corajosamente atravessar o umbral, cada um de nós tem dentro de si coisas que pesam, ou não? Todos somos pecadores, aproveitemos este momento que está a chegar e atravessemos o umbral desta misericórdia de Deus, que nunca se cansa de perdoar, entremos por esta porta, coragem!

Do Sínodo dos Bispos, que celebrámos no passado mês de outubro, todas as famílias e a Igreja inteira receberam um grande encorajamento a encontrarem-se no umbral desta porta aberta.

A Igreja foi encorajada a abrir as suas portas, para sair com o Senhor ao encontro dos filhos e filhas a caminho, às vezes incertos, às vezes perdidos, nestes tempos difíceis. As famílias cristãs, em particular, foram encorajadas a abrir a porta ao Senhor que espera para entrar, levando a sua bênção e a sua amizade.

E se a porta da misericórdia de Deus está sempre aberta, também as portas das nossas instituições devem estar abertas para que todos possamos sair a levar a misericórdia de Deus; isto significa o Jubileu, deixar entrar e sair o Senhor.

O Senhor nunca força a porta: também Ele pede permissão para entrar, não força a porta, como diz no livro do Apocalipse: «Eis que estou à porta e bato» (imaginemos o Senhor que bate á porta do nosso coração); «se alguém escuta a minha voz e me abre a porta, Eu entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo» (3,20).

E na última grande visão deste livro, assim se profetiza da Cidade de Deus: «As suas portas nunca se fecharão durante o dia», o que significa para sempre, porque «não mais será noite» (21,25). Foram colocadas no mundo em que não se fechavam as portas à chave. Ainda as há, mas não são tantas onde as portas blindadas se tornaram normais. (…)

Não devemos render-nos à ideia de dever aplicar este sistema a toda a nossa vida, à vida da família, da cidade, da sociedade. E muito menos à vida da Igreja. Seria terrível. Uma Igreja inospitaleira, tal como uma família encerrada sobre si mesma, mortifica o Evangelho e seca o mundo. Nada de portas blindadas na Igreja, tudo aberto!

A gestão simbólica das “portas” – dos umbrais, das passagens, das fronteiras – tornou-se crucial. A porta deve proteger, certamente, mas não rejeitar. A porta não deve ser forçada, ao contrário, pede-se permissão, porque a hospitalidade resplandece na liberdade do acolhimento, e obscurece-se na prepotência da invasão.

A porta abre-se frequentemente para ver se do lado de fora há alguém que espera, e talvez não tenha a coragem ou até a força de bater. Quanta gente perdeu a confiança, não tem a coragem de bater às portas do nosso coração cristão, das nossas igrejas, e estão aí, tirámos-lhes a confiança; por favor, isto não pode tornar a acontecer.

A porta diz muito da casa, e também da Igreja. A gestão da porta requer discernimento atento e, ao mesmo tempo, deve inspirar grande confiança. Queria prestar uma palavra de gratidão por todos os guardiões das portas: dos nossos condomínios, das instituições civis, das próprias igrejas. Muitas vezes a cortesia e a gentileza da portaria são capazes de oferecer uma imagem de humanidade e de acolhimento a toda a casa, logo desde a entrada. (…)

Na verdade, sabemos bem que nós próprios somos os guardiães e os servos da Porta de Deus, que é Jesus. Ele ilumina-nos em todas as portas da vida, incluindo a do nosso nascimento e da nossa morte. Ele próprio o afirmou: «Eu sou a porta: se alguém entra através de mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem» (João 10,9).

Jesus é a porta que nos faz entrar e sair. Porque o redil de Deus é um refúgio, não uma prisão! A casa de Deus é um refúgio, não uma prisão! São os ladrões que procuram evitar a porta, porque têm más intenções, e se introduzem no redil para enganar as ovelhas e aproveitar-se delas. Nós devemos passar pela porta e ouvir a voz de Jesus: se ouvimos o seu tom de voz, estamos seguros, estamos salvos. Podemos entrar sem medo e sair sem perigo.

Neste belíssimo discurso de Jesus, fala-se também do guardião que tem a tarefa de abrir ao Bom Pastor (cf. João 10,2). Se o guardião escuta a voz do Pastor, então abre e faz entrar todas as ovelhas que o Pastor leva, todas, incluindo as perdidas nos bosques, que o Bom Pastor foi à procura. As ovelhas não as escolhe o guardião, não o secretário paroquial, mas o Bom Pastor. O guardião, também ele, obedece à voz do Pastor. Por isso podemos muito bem dizer que nós devemos ser como esse guardião. A Igreja é a guardiã da casa do Senhor, não a proprietária.

A Santa Família de Nazaré [Jesus, Maria, José] sabe bem o que significa uma porta aberta ou fechada, para quem espera um filho, para quem não tem refúgio, para quem deve escapar ao perigo. As famílias cristãs façam dos seus umbrais de cada um pequeno grande sinal da Porta da misericórdia e do acolhimento de Deus. É precisamente assim que a Igreja deverá ser reconhecida, em cada canto da terra: como a guardiã de um Deus que bate, como acolhimento de um Deus que não te fecha a porta com a desculpa que não é de casa.

Com este espírito estamos todos próximos do Jubileu, estará a Porta Santa e a porta da misericórdia de Deus grande e a do nosso coração, para receber e dar o perdão a todos aqueles que se aproximarem da nossa porta.

 

Papa Francisco
Audiência geral, Vaticano, 18.11.2015
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 18.11.2015

 

 
Imagem Papa Francisco | Audiência geral | Vaticano, 18.11.2015 | © Lusa
A porta não deve ser forçada, ao contrário, pede-se permissão, porque a hospitalidade resplandece na liberdade do acolhimento, e obscurece-se na prepotência da invasão
Queria prestar uma palavra de gratidão por todos os guardiões das portas: dos nossos condomínios, das instituições civis, das próprias igrejas. Muitas vezes a cortesia e a gentileza da portaria são capazes de oferecer uma imagem de humanidade e de acolhimento a toda a casa, logo desde a entrada
As ovelhas não as escolhe o guardião, não o secretário paroquial, mas o Bom Pastor. O guardião, também ele, obedece à voz do Pastor. Por isso podemos muito bem dizer que nós devemos ser como esse guardião. A Igreja é a guardiã da casa do Senhor, não a proprietária
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