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Na vertigem do “Pokemon Go”, não esqueçamos a “app” que funciona com o coração e até sem “smartphone”

Imagem D.R.

Na vertigem do “Pokemon Go”, não esqueçamos a “app” que funciona com o coração e até sem “smartphone”

O “Pokemon Go” é uma aplicação que permite, através do “smartphone”, andar à caça e se o jogador for habilidoso, meter no bolso, em sentido digital, uma ou mais criaturas virtuais, tornando ainda mais realista o jogo criado pela Nintendo para a consola portátil Game Boy, e entretanto já atualizado em meios de comunicação mais tradicionais, como desenhos animados televisivos e baralhos de cartas.

O jogo tem esmagado, em número de visualizações e “downloads” colossos digitais como “Whatsapp”, “Instagram”, “Snapchat” e “Twitter”, criando «comportamentos de massa como a procura obsessiva» das criaturas mais raras, chegando a provocar acidentes devido à distração causada pelos olhos fixos no ecrã, sublinha Massimiliano Padula, investigador de comunicação, em texto publicado pela SIR, agência noticiosa da Igreja católica italiana.

«O “Pokemon Go” torna-se o universo simbólico de uma contemporaneidade que tem ainda necessidade de heróis para encontrar fragmentos de gratificação. E fá-lo tirando da gaveta das recordações uma produção manga japonesa dos anos 90 que narra as vicissitudes se seres imaginários que, uma vez capturados, começam a combater entre eles», explica o docente.

Massimiliano Padula realça que a cada inovação técnica «corresponde uma mutação antropológica». No caso do “Pokemon Go”, as consequências «não são nada encorajadoras», defende: «Descarregamos [fazemos o “download”], logo somos. E tornamo-nos não só peças de um videojogo, mas testemunhas inconscientes e gratuitas de uma multinacional. O “Pokemon Go” é antes de tudo um extraordinário achado de “marketing” globalizado e englobante».

À semelhança do “Facebook” ou de qualquer outro espaço digital, o “Pokemon Go” «não é mais do que uma projeção do humano: de quem o pensa e cria e de quem o usa e, em alguns casos, abusa. O homem permanece sempre o protagonista de cada forma de tecnologia, mesmo da mais extrema. Mas às vezes perde-se no caminho, não discerne, não exprime plenamente as próprias qualidades éticas», defende o investigador.

«Os “media” somos nós. “Pokemon Go” é aquilo que nós queremos que seja. Cabe ao homem escolher ser engolido, arriscando embater contra um poste na rua, ou vivê-lo de maneira autêntica, como uma simples oportunidade de passatempo e divertimento», conclui Massimiliano Padula.

Perante a atual vertigem do “Pokemon Go”, experimentemos imaginar se há formas de utilizar, não o jogo, mas a tecnologia que o permite, para anunciar o Evangelho e testemunhar o amor cristão. Vêm-me à mente os «irmãos mais pequeninos». Será assim tão difícil projetar uma aplicação [“app”] que nos indique, no “smartphone”, se próximo de nós está alguém em carne e osso que tem fome e sede? Um idoso sozinho, talvez com muitas doenças? Um amigo entristecido e fragilizado por qualquer provação mas que não o quis fazer saber? Uma pessoa muito aborrecida que temos tendência a ignorá-la?

Na verdade, essa aplicação já existe: chama-se “Proximon”, e funciona também “smartphone”. É um sistema integrado olhos-ouvidos, que transmite um sinal preciso ao coração e/ou às entranhas (que, em reação, se contorcem). O problema é que muitas vezes a ligação perde-se. E todavia o bom samaritano, que Cristo apontou há dois mil anos, já sabia usar essa aplicação. Talvez sejamos nós que não a saibamos fazer funcionar.

 

A partir de textos de Massimiliano Padula/SIR e Guido Mocellin/Avvenire
Trad. / redação: Rui Jorge Martins
Publicado em 22.07.2016

 

 
Imagem D.R.
À semelhança do “Facebook” ou de qualquer outro espaço digital, o “Pokemon Go” «não é mais do que uma projeção do humano: de quem o pensa e cria e de quem o usa e, em alguns casos, abusa. O homem permanece sempre o protagonista de cada forma de tecnologia, mesmo da mais extrema. Mas às vezes perde-se no caminho, não discerne, não exprime plenamente as próprias qualidades éticas»
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