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Música sacra e canto litúrgico devem estar «plenamente inculturados nas linguagens artísticas» atuais, afirma papa

Música sacra e canto litúrgico devem estar «plenamente inculturados nas linguagens artísticas» atuais, afirma papa

Imagem Fra Angelico | 1428-30 | National Gallery, Londres, Reino Unido

«É necessário fazer com que a música sacra e o canto litúrgico sejam plenamente inculturados nas linguagens artísticas e musicais da atualidade», afirmou hoje o papa ao receber, no Vaticano, os participantes no Congresso Internacional sobre a Música Sacra.

A iniciativa, que começou quinta-feira e termina este sábado, é organizada pelo Conselho Pontifício da Cultura e a Congregação para a Educação Católica, em colaboração com organismos ligados à música e liturgia da Santa Sé, tendo-se centrado no tema "música e Igreja: culto e cultura 50 anos depois da 'Musica sacram'".

«[Os compositores devem ser capazes de] incarnar e traduzir a Palavra de Deus em cantos, sons, harmonias que façam vibrar o coração dos nossos contemporâneos, criando também um oportuno ambiente emotivo, que disponha para a fé e suscite o acolhimento e a plena participação no mistério que se celebra», declarou Francisco.

Ao mesmo tempo, sublinhou o papa, a Igreja deve «salvaguardar e valorizar o rico e multiforme património herdado do passado, utilizando-o com equilíbrio no presente e evitando o risco de uma visão nostálgica ou "arqueológica"».

«Certamente o encontro com a modernidade e a introdução de línguas faladas na liturgia suscitou muitos problemas: de linguagem, de formas e de géneros musicais. Por vezes prevaleceu uma certa mediocridade, superficialidade e banalidade, em prejuízo da beleza e intensidade das celebrações litúrgicas», assinalou.



O congresso pretendeu «aprofundar, numa ótica interdisciplinar e ecuménica, a relação atual entre a música sacra e a cultura contemporânea, entre o repertório musical adotado e usado pela comunidade cristã e as tendências musicais prevalecentes»



Francisco apelou aos agentes envolvidos nas celebrações, desde compositores a coros, passando por animadores e músicos, para colaborarem na «renovação, sobretudo qualitativa, da música sacra e do canto litúrgico».

Este propósito exige «uma adequada formação musical, inclusive em quantos se preparam para se tornarem sacerdotes, no diálogo com as correntes musicais atuais, com as instâncias das diversas áreas culturais e em atitude ecuménica», apontou o papa.

O congresso pretendeu «aprofundar, numa ótica interdisciplinar e ecuménica, a relação atual entre a música sacra e a cultura contemporânea, entre o repertório musical adotado e usado pela comunidade cristã e as tendências musicais prevalecentes», a par da «reflexão sobre a formação estética e musical quer do clero e dos religiosos, quer dos leigos comprometidos na vida pastoral», afirmou Francisco.

A instrução "Musica sacram", sobre a música na liturgia católica, foi publicada em 1967, ano e meio após a conclusão do Concílio Vaticano II (1962-1965).

O papa citou o texto quando refere que «a ação litúrgica reveste-se de maior nobreza quando é celebrada com canto, com cada um dos ministros a desempenhar a sua função própria, e com a participação do povo participa nela. Desta maneira, a oração toma uma forma mais penetrante, o mistério da sagrada liturgia e o seu carácter hierárquico manifestam-se mais claramente, a unidade dos corações torna-se mais profunda a partir da unidade das vozes, as almas elevam-se mais facilmente às coisas celestes por meio do esplendor das coisas sacras, e toda a celebração prefigura mais claramente a liturgia que se realiza na Jerusalém celeste».



«A música sacra e o canto litúrgico têm a tarefa de nos dar o sentido da glória de Deus, da sua beleza, da sua santidade que nos envolve como uma nuvem luminosa»



«Várias vezes o documento, seguindo as indicações conciliares, evidencia a importância da participação de toda a assembleia dos fiéis, definida "ativa, consciente, plena", e sublinha também muito claramente que a "verdadeira solenidade de uma ação litúrgica não depende tanto da forma mais rica do canto e do aparato mais faustoso das cerimónias, mas sobretudo do modo digno e religioso da celebração», sublinhou o papa.

Para Francisco, «a participação ativa e consciente» consiste em «saber entrar profundamente» na manifestação de Deus em cada celebração eucarística, na qual Ele «se faz presente no meio do seu povo, chamado a participar realmente na salvação realizada por Cristo morto e ressuscitado».

A renovação da música sacra requer saber «contemplar, adorar e acolher» a ação divina, «percecionar-lhe o sentido, graças, em particular, ao silêncio religioso e à musicalidade da linguagem» com que Deus fala, acentuou o papa.

«Encorajo-vos a não perder de vista este importante objetivo: ajudar a assembleia litúrgica e o povo de Deus a percecionar e participar, com todos os sentidos, físicos e espirituais, no mistério de Deus. A música sacra e o canto litúrgico têm a tarefa de nos dar o sentido da glória de Deus, da sua beleza, da sua santidade que nos envolve como uma nuvem luminosa», concluiu Francisco.



 

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