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Museu da Bíblia abre na capital dos EUA

Museu da Bíblia abre na capital dos EUA

Imagem D.R.

Abre hoje em Washington, D.C., capital dos EUA, o Museu da Bíblia, que ocupa as instalações de antigos armazéns e se estende por 40 mil m2, divididos por oito pisos.

O projeto, no valor de 420 milhões de euros e resultado de sete anos de planeamento, é obra do fundador e responsável pela cadeia de retalho Hobby Lobby, o cristão evangélico Steve Green, não tendo obtido qualquer financiamento estatal.

Além de fragmentos de manuscritos do Mar Morto, uma das maiores coleções privadas de Torás (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento) e uma Bíblia que pertenceu a Elvis Presley, o museu dispõe de auditórios e restaurantes, bem como um jardim no topo do edifício com plantas mencionadas na Sagrada Escritura.

A ladear os portões de entrada, com 11 metros de altura, encontram-se as primeiras 80 linhas do livro do Génesis, o primeiro da Bíblia, reproduzidos da primeira impressão mecânica, realizada no séc. XV.

O roteiro museológico compreende um guia digital e um ecrã interativo que responde a perguntas sobre a Bíblia.

«A equipa de inovadores do Museu da Bíblia, em concertação com algumas das mentes mais criativas e técnicas do mundo, dedicou-se a construir o museu tecnologicamente mais avançado do mundo», vincou o presidente da instituição.



«Será uma experiência memorável para todos os géneros de visitantes do país e do mundo, uma oportunidade para explorar um livro bem conhecido de uma forma totalmente nova»



Cary Summers salientou que estão reunidos «os mais impressionantes sistemas eletrónicos do mundo, sonhados para criar a melhor experiência museológica». Um dos destaques é um auditório de 472 lugares concebido para projeção a 360 graus, com recurso a 17 projetores 4K, de alta resolução.

À entrada, um teto com um ecrã de 42 metros e 555 painéis LED oferece ao visitante uma introdução imediata – e brilhante – às exposições.

«O museu destacar-se-á na paisagem museológica de Washington. Será uma experiência memorável para todos os géneros de visitantes do país e do mundo, uma oportunidade para explorar um livro bem conhecido de uma forma totalmente nova. A arquitetura junta humanidade, história, arte e tecnologia para expressar o espírito e o significado dos antigos escritos da Bíblia», disse o arquiteto principal, David Greenbaum.

Os visitantes, que podem visitar o museu gratuitamente – embora seja sugerida uma oferta de 15 dólares – vão encontrar parte do espólio bíblico reunido por Green nas últimas décadas, que abrange artefactos obtidos ilegalmente no Médio Oriente.

No terceiro andar, será possível percorrer «o mundo de Jesus de Nazaré», que recria uma povoação da Galileia, incluindo uma sinagoga. Foram também recriadas histórias bíblicas, como a de Noé e a inundação. A atmosfera «kitsch», escreve o “The Art Newspaper”, ecoa a dos parques históricos e religiosos existentes no país.

«Não se trata de expor a nossa fé. Apenas queremos apresentar os factos e deixar que os visitantes decidam», afirmou Steve Green.



A separação entre Estado e Igreja «conduziu a uma estranha situação onde é possível encontrar pessoas muito bem educadas que nunca nas suas vidas tiveram uma oportunidade de aprender algo de académico sobre a Bíblia»



Em conferência de imprensa que decorreu em outubro, Cary Summers descreveu a instituição como «não-sectária» e um «grande guarda-chuva». Aos colaboradores, todavia, foram requeridas «declarações de fé».

«O museu abraçará muitas tradições de fé que abarcam a Bíblia», declarou o responsável, que prometeu «diversidade cultural e eclesiástica». Neste sentido as exposições incluirão personalidades que não partilham a política conservadora de Green, como Desmond Tutu e Dorothy Day.

Gordon Campbell, membro do grupo de conselheiros do museu, salienta que a prioridade é levar as pessoas «a ler a Bíblia pela mesma razão que lêem Shakespeare – ou seja, é bom para elas».

«A Bíblia é um elemento cultural que devia ser trazido de volta para a esfera pública», defendeu David Trobisch, diretor das coleções do museu, que revelou que a instituição tem planos para se expandir para Londres e Berlim.

A separação entre Estado e Igreja nos EUA «conduziu a uma estranha situação onde é possível encontrar pessoas muito bem educadas que nunca nas suas vidas tiveram uma oportunidade de aprender algo de académico sobre a Bíblia. Tudo o que sabem foi das suas comunidades de fé», notou.

Joe Baden, professor da universidade de Yale, considera que o museu pode não refletir a complexidade da Bíblia, dado que não é prestada muita atenção às formas como os católicos, judeus, muçulmanos e mórmones veem o texto: «Estão a contar a história da Bíblia que é particularmente protestante norte-americana».






 

SNPC
Fontes: The Art Newspaper, The Huffington Post, Blooloop
Publicado em 18.11.2017

 

 

 
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