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Música: Adeus a Claudio Scimone, amigo de papas e maestro honorário da Orquestra Gulbenkian

O maestro italiano Claudio Scimone morreu esta quinta-feira em Pádua, onde nasceu a 23 de dezembro de 1934, na sequência de uma queda ocorrida há algumas semanas, causadora da fratura de algumas costelas e do repentino agravamento de saúde devido a complicações respiratórias.

Há quase 60 anos deu vida ao conjunto orquestral de câmara de “I Solisti Veneti”, de que foi sempre diretor artístico. Colaborou na conceção de óperas, concertos e gravações em muitas instituições de prestígio mundial em Verona, Veneza, Nápoles, Roma e Milão, entre outras cidades, e colaborou com a Orquestra Gulbenkian.

«É com tristeza que soubemos da notícia da morte do Maestro Claudio Scimone. Claudio Scimone foi Maestro Titular da Orquestra Gulbenkian entre 1979 e 1986, tendo-lhe sido então atribuído o título de maestro honorário. Nas décadas subsequentes continuou a dirigir com regularidade o Coro e a Orquestra Gulbenkian, tendo-se apresentado no Grande Auditório pela última vez no dia 20 de maio de 2016, dirigindo obras de Rossini, Boito, Verdi e o Stabat Mater de Pergolesi», lê-se na página da instituição.

O reconhecimento mundial começou na década de 60, com o agrupamento por ele fundado em 1959, ao retomar o barroco e o século XVIII italiano, em particular veneziano, como Vivaldi e Albinoni, abraçando depois as obras de Quinhentos até à música contemporânea.



A difusão da grande música para um público cada vez mais vasto e a promoção do repertório musical junto dos jovens foram sempre objetivos prioritários dos Solisti Veneti



Scimone distinguiu-se também pelas primeiras execuções modernas de obras de Rossini – por exemplo “Maomé II”, “Édipo em Colono” e “Moisés e o faraó” –, Salieri (“Le jugement dernier”) e Grétry (“Guilherme Tell”), a par da recuperação de “Orlando furioso”, de Vivaldi, de que brotou um renascimento do interesse pela obra do “padre vermelho”.

À cabeça dos Solistas Venezianos tem no ativo mais de seis mil concertos em mais de 90 países e uma discografia que ultrapassa os 350 títulos, em conjunto com as mais importantes orquestras do mundo.

Jean Pierre Rampal, Guy Touvron, Nathan Milstein, Chris Merrit, Sir James Galway, Salvatore Accardo, Uto Ughi, Marilyn Horne, Ruggero Raimondi, Cecilia Gasdia, Katia Ricciarelli, José Carreras, Samuel Ramey, Kathleen Battle e June Anderson são alguns dos intérpretes que dirigiu.

Entre os prémios e condecorações que recebeu está o “Grammy” e o título de Cavaleiro da Grã-Cruz, Ordem de Mérito, atribuído pelo presidente da República Italiana em 2000, e oito anos depois a Universidade de Pádua conferiu-lhe o doutoramento “Honoris Causa”.



O último concerto da orquestra, com direção artística de Scimone, foi realizado no domingo passado, em Bressanone



A vocação popular e divulgadora foi um dos elementos marcantes da carreira de Scimone. A difusão da grande música para um público cada vez mais vasto e a promoção do repertório musical junto dos jovens foram sempre objetivos prioritários dos Solisti Veneti, os primeiros em Itália a executar concertos nas escolas com programas e apresentações diferenciadas de acordo com os anos escolares.

«Ofereceu-nos execuções magistrais, mas sobretudo a alegria da descoberta de textos e autores do repertório musical veneziano que talvez tivéssemos esquecido e que, graças ao apuro da sua arte e à sua capacidade de empreendedor artístico, tornaram a ser a banda sonora da nossa terra, o cartão de visita de Veneza no mundo», recorda o presidente da Região Veneto, Luca Zaia.

Para a presidente do Senado italiano, Maria Elisabetta Alberti Casellati, a morte do maestro «é uma grave perda para a cultura musical italiana»: «Os seus Solisti Veneti, apreciados em todo o mundo, representam um motivo de orgulho para o nosso país».

O último concerto da orquestra, com direção artística de Scimone, foi realizado no domingo passado, em Bressanone, nos Alpes italianos, refere o jornal “Público”.


Imagem Claudio Scimone com o papa S. João Paulo II | D.R.

 

Massimo Iondini
In Avvenire
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: Claudio Scimone com o papa emérito Bento XVI
Publicado em 07.09.2018

 

 

 
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