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Mapa da viagem interior faz-se de tensão, expetativa e desejo, maior dos perigos é o «piloto automático»

«Numa viagem interior o grande perigo é a rotina, o fazer por fazer», como se fosse «um piloto automático» o GPS da vida, considera o P. José Tolentino Mendonça, que verá as suas meditações propostas ao papa Francisco e à cúria romana durante o retiro de Quaresma deste ano publicadas em Espanha pela editora Sal Terrae".

Falando sobre o tema das pregações, "O elogio da sede", em entrevista à página "Vida Nueva Digital", o teólogo reitera que «crer não é ter a soluções nem ter encontrado as respostas», mas «habitar o caminho, habitar a tensão».

«Neste sentido, mais do que estarem saciados de Deus, nós, crentes, aprendemos os benefícios da sede, a importância de viver no desejo de Deus. Um crente não tem Deus, não o domestica com os seus rituais e crenças. Vive na expetativa de Deus e da sua revelação que, em grande medida, é sempre surpreendente», assinala.

O novo diretor da Faculdade de Teologia retoma um dos seus temas de eleição, voltar a ver todas as coisas com o deslumbramento da criança, da primeira vez: «O assombro é poder abrir os olhos e dar-se conta do que somos. É ter um olhar crítico sobre a nossa própria realidade. É essa frescura que permite ao Espírito infiltrar-se nas nossas vidas».

Referindo-se aos autores citados nos exercícios espirituais, o P. Tolentino Mendonça afirmou que nas leituras que escolhe reflete-se o que lhe parecem ser «os caminhos do presente e do futuro da Igreja», sempre «em diálogo com o magistério do papa Francisco e o que ele representa, com esse impulso reformista que está a introduzir».

«A teologia não pode ser uma ideologia nem se pode confundir a espiritualidade com um conjunto de abstrações. A literatura traz histórias de vida, modelos do vivido a nível pessoal para os aplicar a uma reflexão de conjunto», observa.

Por isso, prossegue, «a grande vantagem de utilizar o texto bíblico e a tradição espiritual cristã, mas também a antropologia, o cinema, a literatura, a pintura e as artes em geral, é que tornam possível uma tradução existencial da mensagem cristã».

Referindo-se à defesa da vida no que diz respeito às condições de existência não só no princípio e fim, o biblista defende que «o cristianismo deve abraçar a humanidade, especialmente a humanidade frágil e mais vulnerável, numa opção clara, sem ambiguidades, pelos mais pobres».

«Este papa tem sido um motor extraordinário para o catolicismo contemporâneo, porque trouxe essa sede, esse sonho de um cristianismo capaz de sair de si mesmo e de gerar um cultura do encontro, de serviço à humanidade. Não é por acaso que tanta gente está a dar outra oportunidade à Igreja com Francisco», observa.



 

António Marujo/Vida Nueva Digital
Trad./edição: SNPC
Imagem: champlifezy/Bigstock.com
Publicado em 11.06.2018

 

 
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