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«Mal espalha-se onde faltam cristãos audazes», sublinha papa

O papa afirmou hoje aos cerca de 70 mil jovens italianos presentes na Praça de S. Pedro, no Vaticano, que cada pessoa «é culpável pelo bem que podia fazer e não fez», depois de ontem, também à juventude transalpina, ter lamentado «o escândalo de uma Igreja formal, não testemunha», «o escândalo de uma Igreja fechada por não sair».

«Hoje exorto-vos a serdes protagonistas no bem», porque cada pessoa «é culpável do bem que podia fazer e não fez», sendo «necessário intervir onde mal se espalha, porque o mal espalha-se onde faltam cristãos audazes que se lhe oponham com o bem», declarou Francisco.

Os encontros do papa com os jovens, este sábado e hoje na oração do Angelus, decorreram no contexto da peregrinação ao Vaticano que nos últimos partiu das milhares paróquias italianas, antecipando o sínodo sobre os jovens, marcado para outubro, e a Jornada Mundial da Juventude, agendada para janeiro, no Panamá.

«Não basta não odiar, é preciso perdoar; não basta não ter rancor, é preciso rezar pelos inimigos; não basta não ser causa de divisão, é preciso levar paz onde não há; não basta não falar mal dos outros, é preciso interromper quanto ouvimos falar mal de alguém», na consciência de que quem não se opõe ao mal, alimenta-o «de modo tácito».



«Penso muitas vezes em Jesus que bate à porta, mas do lado de dentro, para que o deixamos sair, porque nós muitas vezes, sem testemunho, temo-lo prisioneiro das nossas formalidades, dos nossos fechamentos, dos nossos egoísmos, do nosso modo de viver clerical»



Francisco referiu-se às pessoas que «não fazem o mal, mas também não fazem o bem, e a sua vida decorre na indiferença, na apatia, na tepidez», comportamento que é «contrário ao Evangelho», porque «é bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem».

O cristão, assinalou o papa, deve viver de «maneira coerente, não com hipocrisia», no seguimento das promessas feitas no Batismo, o primeiro dos sete sacramentos, que implicam a «renúncia ao mal e a adesão ao bem».

Renunciar ao mal «significa dizer “não” a uma cultura da morte, que se manifesta na fuga do real para uma felicidade falsa que se exprime na mentira, no engano, na injustiça, no desprezo do outro. A tudo isto, “não”», apontou.

«Penso muitas vezes em Jesus que bate à porta, mas do lado de dentro, para que o deixamos sair, porque nós muitas vezes, sem testemunho, temo-lo prisioneiro das nossas formalidades, dos nossos fechamentos, dos nossos egoísmos, do nosso modo de viver clerical», afirmou o papa no encontro realizado no sábado, vincando que «o clericalismo é uma perversão da Igreja».

No cenário do circo Máximo, em Roma, Francisco expressou o desejo de que os jovens «corram mais depressa do que aqueles que na Igreja são algo lentos e temerosos» e vincou que é possível «encontrar a vida nos lugares onde reina a morte», tendo lembrado que muitos «sepulcros» esperam a presença dos cristãos.









 

Rui Jorge Martins
Fontes: Sala de Imprensa da Santa Sé (Vigília do papa Francisco com jovens italianos (Roma, 11.8.2018), Angelus (Vaticano, 12.8.2018))
Imagem: Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 12.08.2018

 

 
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