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Madre Teresa de Calcutá vai ser santa

Imagem Madre Teresa de Calcutá | D.R.

Madre Teresa de Calcutá vai ser santa

O sim do papa chegou esta quinta-feira, 17 de dezembro, dia do seu aniversário. Francisco ratificou o reconhecimento do milagre atribuído a Madre Teresa de Calcutá (Skopje, 26.8.1910 – Calcutá, 5.9.1997) e determinou a promulgação do decreto.

Encerra-se assim o processo para a “apóstola dos últimos”, que será provavelmente canonizada a 4 de setembro, do Ano da Misericórdia. A data será tornada pública no próximo Consistório, encontro de cardeais com o papa.

Foi há três dias, a 15 de dezembro, que o caso da cura extraordinária foi sujeito à avaliação última de bispos e cardeais, que após terem decidido positivamente, o enviaram para aprovação de Francisco. A fase romana do processo iniciou-se em junho deste ano na diocese brasileira de Santos.

A cura extraordinária, ocorrida a 9 de dezembro de 2008, refere-se a um homem, hoje com 42 anos, que então se encontrava em fim de vida devido a múltiplos abcessos cerebrais com hidrocefalia obstrutiva, depois de ter sido submetido a transplante renal e à terapia com imunossupressores.

Os sete membros do colégio médico que a 10 de setembro examinaram o caso declararam que a resolução da doença era cientificamente inexplicável. Igualmente unânime foi o voto seguinte dos consultores teológicos, que, de acordo com as regras, são chamados a redigir a sua posição sobre a ligação causa-efeito entre a invocação à Beata Madre Teresa e a cura.

Ao tempo dos factos, a pessoa curada, engenheiro de profissão, com 35 anos, tinha-se casado havia recentemente. O seu calvário começou nos primeiros meses de 2008, e no fim desse ano foi diagnosticado com oito abcessos no cérebro. Os tratamentos hospitalares não surtiram efeito e o quadro clínico precipitou-se com o aparecimento da hidrocefalia.

A 9 de dezembro, já em coma, o doente entrou na sala de operações; devido a problemas técnicos, a intervenção foi adiada. Regressando ao bloco meia hora depois, o cirurgião, para sua surpresa, encontrou o paciente sentado, desperto e sem sintomas; tendo regressado à plena consciência, perguntou ao médico o que estava a fazer naquele local.

«Nunca vi um caso como este; todos os outros doentes parecidos com este, em 17 anos de profissão, morreram. Não posso dar uma explicação médico-científica», declarou o cirurgião no seu depoimento.

Os exames seguintes confirmaram a cura definitiva da patologia cerebral, sem qualquer sequela, e pouco tempo depois o engenheiro pôde retomar o seu trabalho e as atividades normais.

Há provas de que foram dirigidas muitas orações a Madre Teresa, especialmente durante a crise gravíssima de 9 de dezembro. A esposa do jovem, tendo em conta a situação crítica, pediu aos seus conhecidos para rezaram à Beata de Calcutá, de que era devota: «Dizei a Madre Teresa que o cure». Precisamente naquela meia hora de espera pela intervenção, ela estava com um padre e familiares a rezar a Madre Teresa na capela do hospital.

A morte da fundadora das Missionárias da Caridade suscitou grande comoção no mundo, com a Índia a conceder-lhe funeral solene de Estado. Entre as autoridades de vários países estava o então secretário geral da ONU, Javier Pérez de Cuéllar, para quem Madre Teresa «é as Nações Unidas», «é a paz no mundo».

«A sua longa vida de dedicação à cura dos pobres, dos doentes e dos desamparados foi um dos maiores exemplos de serviço à nossa humanidade», declarou por seu lado, na ocasião, o primeiro-ministro do Paquistão.

Durante a viagem que efetuou em setembro de 2014 a Tirana, capital da Albânia, país onde Madre Teresa nasceu, o papa recordou o seu encontro com a religiosa, no sínodo dos bispos ocorrido em 1994.

«Estava sentada precisamente atrás de mim durante os trabalhos. Admirei a sua força, a decisão das suas intervenções, sem se deixar impressionar pela assembleia dos bispos. Dizia aquilo que queria dizer», lembrou Francisco, que acrescentou, a sorrir: «Teria tido medo se tivesse sido a minha superiora!».

Madre Teresa está sepultada em Calcutá, na sede das Missionárias da Caridade. No simples túmulo branco está inciso um versículo do Evangelho segundo S. João que reflete a sua vida e o testemunho revolucionário da misericórdia que a Igreja é hoje chamada a viver: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei».

«É um Natal especial este que nos preparamos para viver. Acolhemos como alegria imensa o grande dom da notícia da canonização de Madre Teresa de Calcutá. Estamos profundamente gratos a Deus e ao Santo padre Francisco. Na comunidade católica de Calcutá há hoje uma atmosfera de grande entusiasmo», afirmou o arcebispo de Calcutá, D. Thomas D’Souza, à agência Fides.

«Esperámos este acontecimento durante muitos anos. Sentimos Madre Teresa como uma santa nossa. Madre Teresa santa é um dom para Calcutá, para a Igreja e para a toda a Índia», sublinhou o prelado.

«Não podia haver um momento melhor que este Ano da Misericórdia: Madre Teresa foi a santa da misericórdia e da compaixão que viveu plenamente em cada instante da sua vida. Viveu a compaixão para cada homem, sobretudo para com o doente, o leproso, o abandonado. Hoje ensina-nos a colocar a misericórdia no centro do agir da Igreja. Sentimo-nos fortemente inspirados por ela e a sua figura acompanhar-nos-á durante todo o Jubileu», acentuou D. Thomas D’Souza.

 

In "Avvenire"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 18.12.2015

 

 
Imagem Madre Teresa de Calcutá | D.R.
«Nunca vi um caso como este; todos os outros doentes parecidos com este, em 17 anos de profissão, morreram. Não posso dar uma explicação médico-científica», declarou o cirurgião no seu depoimento
«Admirei a sua força, a decisão das suas intervenções, sem se deixar impressionar pela assembleia dos bispos. Dizia aquilo que queria dizer», lembrou Francisco, que acrescentou, a sorrir: «Teria tido medo se tivesse sido a minha superiora!»

«Não podia haver um momento melhor que este Ano da Misericórdia: Madre Teresa foi a santa da misericórdia e da compaixão que viveu plenamente em cada instante da sua vida. Viveu a compaixão para cada homem, sobretudo para com o doente, o leproso, o abandonado. Hoje ensina-nos a colocar a misericórdia no centro do agir da Igreja»

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