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«O que me espanta, diz Deus, é a esperança. E disso não me canso»: Luís Miguel Cintra lê Charles Péguy (1)

Imagem Luís Miguel Cintra | Capela do Rato, Lisboa, 11.12.2014 | D.R.

«O que me espanta, diz Deus, é a esperança. E disso não me canso»: Luís Miguel Cintra lê Charles Péguy (1)

«O que me espanta, diz Deus, é a esperança./ E disso não me canso./ Essa pequena esperança que parece não ser nada./ Essa esperança menina./ Imortal.»

«A Fé é uma Esposa fiel./ A Caridade é uma Mãe./ Uma mãe ardente, toda coração./ Ou uma irmã mais velha que é como uma mãe./ Mas a Esperança é uma menina que parece não ser nada./ Que veio ao mundo no dia de Natal do ano passado./ Que ainda brinca com o janeiro bonacheirão./ Com os seus pinheirinhos em madeira alemã cobertos/ de neve pintada./ Com a vaca e o burro em madeira alemã./ Pintados./ E a manjedoura cheia de palha que os animais não comem./ Porque são de madeira./ Mas é essa menina que atravessará os mundos./ Essa menina de nada./ Só ela, guiando as outras, atravessará/ os mundos revolvidos.»

«A pequena esperança caminha entre as suas irmãs mais velhas/ e não lhe é dada a devida atenção./ No caminho da salvação, no caminho da carne,/ no caminho pedregoso da salvação, na estrada interminável,/ nessa estrada entre as suas duas irmãs,/ caminha a pequena esperança./ Entre as duas irmãs grandes./ Aquela que é casada, e aquela que é mãe./ E ninguém repara nela, o povo cristão só repara/ nas duas irmãs grandes./ A primeira e a última./ Que caminham com pressa./ Para o tempo presente./ No instante momentâneo que passa./ O povo cristão só vê as duas grandes irmãs./ Só olha para as duas irmãs grandes./ A da direita e a da esquerda./ E quase não repara na que caminha no meio.»

«É ela, essa menina, que arrasta tudo consigo./ Porque a Fé só vê aquilo que é./ Mas ela, ela vê aquilo que será./ A Caridade só ama aquilo que é./ Mas ela, ela ama aquilo que será.// A Fé vê o que é./ No Tempo e na Eternidade./ A Esperança vê o que será./ No tempo e na eternidade.// Ou seja: o futuro da própria eternidade.»

Estes são alguns dos excertos de "Os portais do mistério da segunda virtude", de Charles Péguy, que o ator e encenador Luís Miguel Cintra leu esta quinta-feira na Capela do Rato, em Lisboa, a partir da tradução do poeta Armando Silva Carvalho, numa edição recentemente lançada pela Paulinas Editora.

«Péguy escreveu, entre outros, aquele que é, porventura, o mais assombroso poema sobre a esperança de toda a literatura contemporânea e que dá conteúdo ao volume "Os Portais do Mistério da Segunda Virtude". O teólogo von Balthasar haveria de colocá-lo entre os génios religiosos que celebram a glória de Deus, ao lado de Santo Agostinho, de Dante, de Pascal ou de Hopkins», escreve o padre José Tolentino Mendonça no prefácio do volume.

Neste vídeo apresentamos o primeiro extrato da leitura de Luís Miguel Cintra que selecionámos. Outros se seguirão nos próximos dias.




 

Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 14.12.2014

 

 
Imagem Luís Miguel Cintra | Capela do Rato, Lisboa, 11.12.2014 | D.R.
É ela, essa menina, que arrasta tudo consigo./ Porque a Fé só vê aquilo que é./ Mas ela, ela vê aquilo que será./ A Caridade só ama aquilo que é./ Mas ela, ela ama aquilo que será.// A Fé vê o que é./ No Tempo e na Eternidade./ A Esperança vê o que será./ No tempo e na eternidade
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