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Luís Miguel Cintra, Alice Vieira e Tolentino Mendonça no ciclo "Viver uma mística de olhos abertos"

Imagem D.R.

Luís Miguel Cintra, Alice Vieira e Tolentino Mendonça no ciclo "Viver uma mística de olhos abertos"

O encenador Luís Miguel Cintra, a escritora Alice Vieira e o padre e poeta José Tolentino Mendonça são alguns dos participantes do ciclo "Viver uma mística de olhos abertos", que decorre entre outubro e junho em Lisboa.

A iniciativa "Conferências no Mosteiro de Santa Maria no Lumiar", organizada pela congregação das Monjas Dominicanas, começa este sábado com o encontro intitulado "Rezar é abraçar a vida como ela é", de Tolentino Mendonça.

"O desejo como arte e a arte como fé? (com a ajuda da leitura da ode de Camões 'Pode um desejo imenso'" é a proposta de Luís Miguel Cintra para a sessão de 12 de novembro.

Em pleno tempo de preparação para o Natal, o Advento, Alice Vieira sugere a 10 de dezembro um "Manual de instruções para a construção de um presépio", e a 14 de janeiro de 2017 o frei dominicano Mateus Peres fala do "quotidiano como lugar teológico".

"Em Deus, 'os lugares do impossível se deslocam' - Uma leitura de José Augusto Mourão", religioso dominicano, é o tema a apresentar no dia 11 de fevereiro por Luísa Ribeiro Ferreira.

No mês seguinte, também a 11, Teresa Messias reflete sobre a "vida afetiva e caminho espiritual" a partir do versículo 14 do Salmo 139: «Dou-te graças por me haveres feito tão maravilhosamente».

O ciclo prossegue a 8 de abril, com o responsável pelos Jesuítas em Portugal, frei José Frazão ("Esta certeza de que somos filhos") e 20 de maio, com Maria Emília Leitão ("O desenho visível e invisível da vida").

"O barro e o tesouro, parábola da história e do Reino", é a conferência que encerra a iniciativa, a 3 de junho, novamente com José Tolentino Mendonça, para quem o místico «é aquele ou aquela que viver aberto à banda larga da realidade».

«Na mesma linha, o teólogo Karl Rahner assinou a famosa interjeição: "O cristão do futuro ou será um místico ou nada será!" Na opinião dele, há dois traços estruturantes no perfil do crente contemporâneo: por um lado, a sua espiritualidade precisa ser vivida continuamente na primeira pessoa (não lhe basta a fusão no coletivo apenas); e por outro, sente-se chamado à coragem de uma decisão de fé que colha a sua força numa experiência consciente de Deus, isto é, numa mística vivida de olhos abertos», lê-se no texto de apresentação.

Para Tolentino Mendonça, «a maior parte das vezes, o que falta ao itinerário crente não são ideias», mas «corporeidade e espessura»: «A fragilidade que é o alfabeto do corpo; o espanto, a delícia e o grito que dele brotam; a nossa comum e quotidiana respiração aproximam-nos mais de Deus do que qualquer elaboração concetual».

«Entre Deus e nós há um espaço. Nós movemo-nos aí. Experimentamos que o essencial está além e só na pobreza da nossa carne e do nosso tempo, que são também carne e tempo de Deus, podemos entrevê-lo. Não é fugindo, mas abraçando o banal e o ordinário que a fé se cumpre, pois Deus habita o comprimento maravilhoso e árduo do nosso caminho», escreve Tolentino Mendonça.

Também como cenário deste ciclo de conferências, um poema de Adélia Prado, intitulado "Um salmo": «Tudo que existe louvará./ Quem tocar vai louvar,/ quem cantar vai louvar,/ o que pegar a ponta de sua saia/ e fazer uma pirueta, vai louvar./ Os meninos, os cachorros,/ os gatos desesquivados,/ os ressuscitados/ o que sob o céu mover e andar/ vai seguir e louvar./ O abano de um rabo, um miado,/ u'a mão levantada, louvarão./Esperai a deflagração da alegria./A nossa alma deseja,/ o nosso corpo anseia/ o movimento pleno:/ cantar e dançar TE-DEUM.».

Os encontros iniciam-se sempre às 15h30, seguindo-se o debate, o convívio e a celebração da missa.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 03.10.2016

 

 

 
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«A maior parte das vezes, o que falta ao itinerário crente não são ideias», mas «corporeidade e espessura»: «A fragilidade que é o alfabeto do corpo; o espanto, a delícia e o grito que dele brotam; a nossa comum e quotidiana respiração aproximam-nos mais de Deus do que qualquer elaboração concetual»
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