Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Lucros das farmacêuticas devem ser investidos no tratamento de doenças raras, considera Vaticano

«As doenças raras são negligenciadas pelos grandes investimentos das multinacionais dos fármacos, que financiam quase exclusivamente a pesquisa sobre patologias mais difundidas», denuncia uma nota do Vaticano publicada hoje, data em que se assinala o 11.º Dia Mundial das Doenças Raras.

Na mensagem para a ocasião assinada pelo responsável pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano, lê-se que as enfermidades genéticas são conhecidas como «doenças “órfãs”, e muitas vezes são os próprios doentes a dar-lhes voz, organizando-se em associações especializadas».

«Mas se as doenças e os fármacos são “órfãos”, não podemos deixar órfãs as pessoas. Cada doente deve ser acolhido e amado, e nenhuma doença deve condená-lo ao abandono e à marginalização. O próprio Jesus ensinou-nos que a pessoa humana é sempre preciosa, sempre dotada de uma dignidade que nada nem ninguém pode eliminar, nem sequer a doença», sublinha o cardeal ganês Peter Turkson.

O prelado pede à indústria farmacêutica que «devolva, voluntariamente, uma parte dos lucros para a investigação sobre as doenças raras», vincando que se trata «verdadeiramente de uma causa urgente e inadiável».

O texto também apela às «autoridades públicas» um «contributo decisivo para a investigação, envolvendo todas as agências e empresas disponíveis, colocando em rede os conhecimentos, os financiamentos e as melhores práticas médicas».

O documento agradece a «todas as associações de doentes, clínicos, estudiosos, profissionais da saúde, empresas farmacêuticas, farmácias, hospitais e instituições que favorecem e apoiam a investigação científica», bem como «todas as pessoas de boa vontade» que colaboram com a causa do tratamento das doenças raras.



Uma doença é considerada rara quando afeta no máximo uma em cada 2 mil pessoas. Em Portugal são atingidas 600 mil pessoas



A relação de causa-efeito entre o meio ambiente e as patologias invulgares é também assinalada na mensagem, através da citação do discurso que o papa dirigiu em novembro de 2016 aos participantes numa conferência organizada pelo Vaticano.

«Muitas doenças “raras” têm causas genéticas, enquanto que para outras os elementos ambientais têm uma forte relevância; mas até quando as causas são genéticas, o ambiente poluído funciona como um multiplicador do dano. E o maior fardo pesa sobre as populações mais pobres. É por isso que desejo pôr mais uma vez em evidência a importância absoluta do respeito e da preservação da criação, da nossa casa comum», afirmou Francisco.

O cardeal Turkson recorda que a Igreja, «através das suas numerosas instituições de saúde, entre as quais há centros de investigação de excelência, segue com atenção a situação e as condições das pessoas afetadas pelas patologias raras em cada parte do mundo».

«O Santo Padre Francisco quis fortemente que a atenção a estas pessoas se tornasse uma das prioridades da ação do novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral», esclarece o responsável.

As doenças raras atingem cerca de 600 mil pessoas em Portugal, refere a página da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, que explica que «uma doença é considerada rara quando afeta no máximo uma em cada 2 mil pessoas».

«Em Portugal são apenas comercializados 67 medicamentos para estas doenças, os médicos alertam para o défice de cuidados continuados nesta área», assinala o organismo.



 

SNPC
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: D.R.
Publicado em 28.02.2018

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos