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Capital Ibero-americana de Cultura em Lisboa acolhe arte e pensamento da América Latina

Capital Ibero-americana de Cultura em Lisboa acolhe arte e pensamento da América Latina

Imagem Legenda | D.R.

Lisboa é a partir deste sábado, e ao longo de um ano, Capital Ibero-americana da Cultura, acolhendo para o efeito um «conjunto vastíssimo de atividades» que vão divulgar «um universo bastante desconhecido» em Portugal, declarou o programador à Renascença.

A criação artística é muito viva na América Latina, em parte por «a maioria dos países viverem há cerca de 30 anos em democracia», o que «teve efeitos que se estão a sentir agora de uma forma mais intensa», explicou António Pinto Ribeiro ao programa "Ensaio Geral" emitido esta sexta-feira na emissora católica.

«Hoje é relativamente comum ver nas grandes exposições internacionais verem-se artistas plásticos deste universo. O mesmo se passa em termos de literatura, com traduções de autores extraordinários que já são pós-realismo mágico e são, do meu ponto de vista, incontornáveis», sustenta.

Durante o próximo ano o público terá a oportunidade de descobrir cerca de 30 exposições, o «novo cinema», o teatro e também «algo eventualmente mais minoritário mas nem por isso menos interessante que é o debate intelectual» sobre temas muito variados, também «importantes» para os europeus, defende.



«A programação foi feita no sentido em que não fechamos a América Latina como um gueto, não é um festival sobre a América Latina»



A cultura e a reflexão ibero-americanas são constituídas por «enorme diversidade de regimes políticos, demográficos e ao nível da criação artística» e há a expetativa de o público poder «perceber o que é hoje o pensamento sobre o passado» por parte dos convidados, nomeadamente no que respeita ao chamado "colonialismo", afirma.

«A programação foi feita no sentido em que não fechamos a América Latina como um gueto, não é um festival sobre a América Latina. Quando eu vejo, por exemplo, uma obra que tem a ver com as migrações, não posso deixar de pensar na Europa», assinala António Pinto Ribeiro.

A exposição simultânea à inauguração desta edição da Capital Ibero-americana da Cultura, dedicada ao tema "Passado e presente", intitula-se "Al final del paraíso", do mexicano Demián Flores (n. 1971), e pode ser vista no Padrão dos Descobrimentos até 2 de abril.

«"Al final del paraíso" tem a ver não só com uma ideia alegórica do fim do paraíso latino-americano, mas também tem a ver, simbolicamente, com essa ideia do século XVI de um Portugal que está do outro lado do paraíso. Nesse sentido, é uma exposição que tem uma carga crítica e uma posição sobre as questões sociais e políticas latino-americanas. Claro que isso não pode ser visto sem os impérios, sem a visão colonialista, e creio que esta mostra está carregada disso», salienta o artista.



O outro critério que presidiu aos convites feitos decorre do reconhecimento da importância que as mulheres, de um modo geral, e as artistas, em particular, conseguiram neste continente



«Quando as pessoas pensam nos indígenas, pensam em museus ou em algo que está nas prateleiras, e não no México. O mundo indígena é um mundo contemporâneo e atual. Ou seja, mais do que falarmos de um ponto de vista crítico, não estamos só a falar do passado, mas também do presente», acrescenta.

O primeiro dia da Capital fica também marcado pelo concerto de inauguração, "Canções para uma festa", com Gisela João (Portugal), Mariela Condo (Equador) e Yomira John (Panamá), que sábado e domingo atuam às 21h00 no teatro municipal São Luiz.

«Destacamos a origem diversificada das cantoras, das músicas e a qualidade artística das letras das canções, mas outros dois aspetos foram determinantes na escolha das nossas convidadas. Um teve a ver com a juventude das cantoras, que é, de muitas maneiras, a expressão da energia de um continente que, com uma diversidade de etnias, culturas, regimes, paisagens, cria grandes expetativas para o futuro, não só desta área cultural e geográfica, mas também para o futuro de todo o mundo», refere o texto de introdução.

«O outro critério que presidiu aos convites feitos decorre do reconhecimento da importância que as mulheres, de um modo geral, e as artistas, em particular, conseguiram neste continente», assinala a nota.



Os principais objetivos deste acontecimento anual «são o estimular as relações entre as cidades capitais do território ibero-americano e o desenvolvimento articulado e equilibrado, sempre assente na solidariedade e cooperação», entre essas cidades



À meia-noite de sábado para domingo começam as "Danças no Jardim de Inverno" do São Luiz, com uma «cenografia luxuriosa e divertida, da autoria do artista visual Pedro Valdez Cardoso, e com as sonoridades de contornos latinos de La Flama Blanca, dá-se início às danças».

Lisboa é pela segunda vez a Capital Ibero-americana da Cultura, depois de se ter estreado em 1994. A iniciativa é organizada pela UCCI – União de Cidades Capitais Ibero-americana, em parceria com a Câmara Municipal.

Os principais objetivos deste acontecimento anual «são o estimular as relações entre as cidades capitais do território ibero-americano e o desenvolvimento articulado e equilibrado, sempre assente na solidariedade e cooperação», entre essas cidades.

A conversa com António Pinto Ribeiro e Demián Flores são alguns dos temas da mais recente edição do programa de cultura "Ensaio Geral", que vai para o ar todas as sextas-feiras à noite na Renascença, com realização da jornalista Maria João Costa.



 

Edição: Maria João Costa/Renascença
Com SNPC
Publicado em 08.01.2017

 

 

 
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