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Leonor Teles, vencedora do Urso de Ouro em Berlim, já foi distinguida pela Igreja católica

Imagem Leonor Teles | Berlim, Alemanha | 21.2.2016 | D.R.

Leonor Teles, vencedora do Urso de Ouro em Berlim, já foi distinguida pela Igreja católica

A cinematografia de Leonor Teles, que no sábado ganhou o mais importante prémio, na categoria de curtas-metragens, do Festival de Berlim, pelo documentário "Balada de um batráquio", foi distinguida há quase três anos pela Igreja católica.

Estávamos em abril de 2013, eram os últimos dias do IndieLisboa, festival internacional de cinema independente que desde há várias edições inclui no palmarés o prémio Árvore da Vida, atribuído pelos Secretariados Nacionais da Pastoral da Cultura e das Comunicações Sociais.

Entre as curtas e longas-metragens a concurso abrangidas pela distinção, realizadas por cineastas portugueses, encontrava-se o documentário "Rhoma acans", expressão romani que significa "Olhos ciganos", dirigido em 2012 por Leonor Teles, então a frequentar do curso de Cinema.

Os jurados presentes na 10.ª edição do IndieLisboa, Inês Gil, professora universitária de Cinema, Margarida Ataíde, crítica de Sétima Arte, e Rui Martins, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, decidiram conceder a Menção Honrosa ao vídeo de cerca de 12 minutos.

"Rhoma Acans" «aborda de forma livre, sem dogmas, mas também sem rejeição, a dificuldade de se libertar de uma tradição», referia a declaração do júri, lida na cerimónia de entrega dos prémios.

Dias mais tarde, Margarida Ataíde escreveria que o documentário percorre um «caminho de busca e reencontro identitário, prestando tributo às mulheres e homens da sua família de origem cigana capazes de recusar o cumprimento de regras/dogmas étnicos quando estes impedissem a liberdade de escolha própria no amor, sem no entanto recusar ou romper as suas raízes».

Filha de pai cigano, Leonor Teles pretendeu apresentar um paralelismo entre a sua vida e a das jovens que, ao contrário dela, cresceram nas tradições gitanas. O documentário conta a história da família paterna da realizadora, até chegar ao seu pai, que casou com uma mulher fora da comunidade.

Em dezembro de 2012 "Rhoma acans" tinha sido distinguido pelo concurso de vídeo da Fundação Inatel, em maio do ano seguinte fez parte do palmarés do Festival Curtas Sadinas e em agosto foi o Festival de Curtas de Vila do Conde a atribuir o prémio Take One!.

Hoje com 23 anos, a cineasta é a mais jovem de sempre a receber um Urso de Ouro, com um documentário sobre «partir sapos», como contou na conferência de imprensa da "Berlinale", onde se declarou surpreendida pelo prémio.

"Balada de um batráquio", segundo filme de autor português a receber a distinção, depois de "Rafa", de João Salaviza, em 2012, fala do hábito existente em Portugal de colocar sapos de louça à porta dos estabelecimentos comerciais para manter os ciganos afastados.

«Os ciganos estão no espaço deles e gostam de estar. Mas isso tem que começar a mudar. Não se pode continuar a usar a desculpa de é cultural e que isso justifica tudo», afirmou Leonor Teles, citada pelo jornal "Público".

A cineasta considera que «há coisas que não têm justificação, e de ambos os lados», como os sapos nas montras «do lado da sociedade», e do lado dos ciganos os casamentos de raparigas menores de idade, que são impedidas de estudar. «E depois, nos tribunais, os juízes não podem continuar a dizer que é uma questão de cultura.»

Para o Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, a distinção «é também o reconhecimento de uma causa: a luta contra a xenofobia e a batalha pela sã convivência entre culturas diferentes que se conhecem e nem sempre se ligam».

O documentário concorreu à 66.ª edição do Festival de Berlim, um dos mais conceituados do mundo, com 24 curtas-metragens, incluindo outra portuguesa, "Freud und Friends", de Gabriel Abrantes.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 22.02.2016

 

 
Imagem Leonor Teles | Berlim, Alemanha | 21.2.2016 | D.R.
Filha de pai cigano, Leonor Teles pretendeu apresentar um paralelismo entre a sua vida e a das jovens que, ao contrário dela, cresceram nas tradições gitanas. O documentário conta a história da família paterna da realizadora, até chegar ao seu pai, que casou com uma mulher fora da comunidade
A cineasta considera que «há coisas que não têm justificação, e de ambos os lados», como os sapos nas montras «do lado da sociedade», e do lado dos ciganos os casamentos de raparigas menores de idade, que são impedidas de estudar. «E depois, nos tribunais, os juízes não podem continuar a dizer que é uma questão de cultura.»
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