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Leonard Cohen: Mestre da poesia e da oração em música

Leonard Cohen: Mestre da poesia e da oração em música




No seu último álbum, “You want it darker”, saído há poucos dias, é explícito desde a primeira canção, homónima: «I’m ready, my Lord», «estou pronto, Senhor». Morreu aos 82 anos, em Los Angeles, o poeta e cantor canadiano Leonard Cohen, que com os seus versos deu a cara ao amor e à religião, à alegria e à dor da vida.

Modelar a poesia a partir da oração não era novidade para Cohen: desde o celebérrimo “Hallelujah” ao insuspeito “The guests” (que para o autor representava o ingresso e o progresso de uma alma no mundo), passando por recolhas poéticas, como o “Livro de misericórdia”, em que os salmos bíblicos se entrecruzavam com a experiência da meditação oriental.

Nascido em Montreal a 21 de setembro de 1934, Cohen começou o percurso artístico como poeta, em 1956, obtendo depois um assinalável sucesso da crítica com o romance “O jogo preferido”, publicado em 1963.

O primeiro disco, “Songs of Leonard Cohen”, de 1967, inclui a belíssima “Suzanne”, que deixa já entrever a complexidade do mundo espiritual do poeta, judeu por nascimento e educação, e ao mesmo tempo irresistivelmente atraído pela figura de Jesus.



Na escrita musical e alfabética, em verso e em prosa, sem nunca se reconhecer numa precisa fé religiosa, a sua obra coloca-se sob o sinal de uma canção premonitória, “Waiting for the miracle”, na qual a expetativa do milagre faz de síntese entre o tumulto do mundo e a serenidade da paixão



De álbum em álbum, de canção em canção, Cohen explorou os temas do compromisso civil e do protesto (“The partisan”, “First we take Manhattan”), compondo igualmente inesquecíveis canções de amor (“So long”, “Marianne”, “Take this waltz”, entre muitas outras).

Na escrita musical e alfabética, em verso e em prosa, sem nunca se reconhecer numa precisa fé religiosa, a sua obra coloca-se sob o sinal de uma canção premonitória, “Waiting for the miracle”, na qual a expetativa do milagre faz de síntese entre o tumulto do mundo e a serenidade da paixão, lançando uma ponte entre a geração dos pais – o Nobel Bob Dylan, o próprio Cohen – e a dos filhos, que tem em Bruce Springsteen o herdeiro mais reconhecível.

Os seus textos estão repletos de referências bíblicas, como em “Hallelujah”, em que canta o amor recordando a história de David e Betsabá e de Sansão e Dalila. Em “Suzanne” fala de Jesus.

Fascinado pelo mistério das palavras, desejava dizer tudo o que havia a dizer numa só palavra. Sofria de depressão e foi muitas vezes tomado pelo pessimismo; afirmava que mais cedo ou mais tarde haveria de se desencadear a terceira guerra mundial. Todavia, amava a vida, criticando a morte das crianças por nascer. Esteve do lado dos oprimidos e sentia que há um olhar que tudo vê, tudo avalia.







 

Alessandro Zaccuri/Avvenire, com Sergio Centofanti/Rádio Vaticano
Trad./redação: Rui Jorge Martins
Publicado em 11.11.2016

 

 
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