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"Lectio divina" (2): Lê!

Abre a Bíblia e lê o texto: nunca o escolhas ao acaso, porque a Palavra de Deus não se debica. Obedece ao lecionário litúrgico e aceita a passagem que a Igreja te oferece, ou lê um livro da Bíblia do princípio ao fim.

A obediência ao lecionário ou a obediência ao livro são essenciais para uma obediência diária, para uma continuidade na "lectio", para não caíres no subjetivismo da escolha do excerto que te agrada ou que penses que necessitas. É preciso que te mantenhas fiel a este princípio férreo.

Escolhe um livro indicado pela tradição da Igreja para os diferentes tempos litúrgicos ou uma das leituras do lecionário. Não multipliques os textos: um trecho, uma perícope, poucos versículos são mais que suficientes! E se fizeres a "lectio divina" nos textos dominicais, lembra-te de que a primeira (Antigo Testamento) e terceira leituras (Evangelho) são paralelas, e sobre ambas és convidado a orar.

O lecionário festivo é um grande dom, feito com muita sabedoria espiritual; o ferial (dias não festivos) é mais descontínuo: se isto te causa dificuldade, é melhor fazeres uma "lectio" contínua num livro bíblico à tua escolha.

Lê o texto não uma só vez, mas repetidamente e em voz alta. Se tiveres os meios, lê os originais em hebraico ou grego, caso contrário, contenta-te com a tradução. Serve-te sempre, proporcionalmente à tua preparação intelectual, à versão dos LXX e à Vulgata, que são traduções sagradas, veneradas pela Igreja ao longo dos séculos.

Se já conheces o trecho quase de cor e fores tentado a lê-lo à pressa, não temas recorrer a meios que impeçam essa leitura rápida e superficial: escreve e copia o texto! Um monge, exegeta de fama internacional, meu amigo, confidenciava-me que, para a "lectio divina", copia o texto e muitas vezes tenta repeti-lo para ver a diferença entre o que memoriza e o que escreve. Não leias apenas com os olhos, mas mantêm-te muito atento e procura imprimir o texto no teu coração.

Lê também as passagens paralelas ou referenciadas pelas notas de rodapé, especialmente se usares a Bíblia de Jerusalém ou a TOB, que são de grande ajuda. Amplia a mensagem, completa-a, junta outras passagens relacionadas à do dia, porque a Palavra é intérprete de si mesma. "Scriptura sui ipsius interpres" é o grande critério rabínico e patrístico da "lectio".

Que a leitura seja escuta e a escuta se torne obediência. Não ter pressa, porque a leitura faz-se para a escuta. A Palavra deve ser escutada! No princípio era a Palavra, não o Livro, como no islão! É Deus que fala e a "lectio" é apenas um meio para alcançar a escuta. «Escuta Israel!» é sempre o grito de Deus que deve elevar-se do texto até ti.



 

In Monastero di Bose
Trad.: SNPC
Publicado em 23.05.2018

 

 
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