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Lava-pés, sinal da doação total de Cristo e exemplo de serviço

Na Quinta-feira Santa chegamos à última noite da vida terrena de Cristo. Naquela sala do piso superior de uma casa de Jerusalém, mais tarde denominada “Cenáculo”, Cristo realizou, de surpresa, um gesto que era proibido até aos servos judeus no relacionamento com os seus patrões, por ser considerado demasiado humilhante e por isso reservado aos escravos estrangeiros: a lavagem dos pés.

Compreende-se, assim, a oposição indignada de Pedro: «Tu nunca me lavarás os pés!». Jesus replica: «Se Eu não te lavar, não tereis parte comigo». E então o apóstolo, com uma reação impulsiva, como não era raro acontecer-lhe, declara: «Senhor, então não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» (João 13, 8-9). Neste momento o Mestre diz a frase enigmática que queremos iluminar, distinguindo um banho total do corpo e uma lavagem parcial dos pés.

A que alude Cristo através desta distinção, que tem um evidente valor simbólico? Muitos Padres da Igreja [escritores desde as origens do cristianismo até ao século VIII, com o período áureo nos séculos IV e V] distinguiram entre o “banho” do Batismo e a “lavagem” dos pecados sucessivamente cometidos durante a existência cristã, através da penitência-reconciliação-confissão das culpas (cf. Mateus 16, 19; 18, 18; João 20, 23).

Na verdade, é preciso recordar antes de tudo que Jesus, com o lava-pés, quis representar simbolicamente a sua doação sacrificial pela redenção-salvação da humanidade na humilhação da morte na cruz.

Não é por acaso que diz a Pedro que se recusasse esse dom, não teria parte com Ele no reino futuro. O apóstolo, no entanto, equivoca-se e pensa que Jesus quer introduzir um novo ritual de purificação. É por isso que Jesus replica, propondo o sentido profundo desse gesto: a lavagem batismal completa precisa sempre da doação extrema de Cristo na sua morte redentora, representada precisamente no gesto de humilhação da lavagem dos pés.

Esta humildade não é um fim em si mesmo, mas tem uma meta de amor. O gesto torna-se exemplar, como recorda o próprio Jesus depois de se ter levantado e retomado o seu lugar à mesa: «Se Eu, o Senhor e o Mestre, lavei os vossos pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros».



 

Card. Gianfranco Ravasi
Presidente do Conselho Pontifício da Cultura
In Famiglia Cristiana, Avvenire
Trad. / edição: SNPC
Imagem: Papa Francisco | D.R.
Publicado em 29.03.2018

 

 
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