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Cinema: Júri ecuménico do festival de Cannes distingue filmes sobre infância, pobreza e racismo

O júri ecuménico presente no festival de cinema de Cannes, presidido pela cineasta portuguesa Inês Gil, distinguiu hoje o filme "Capharnaüm", da realizadora libanesa Nadine Labaki.

«Ao longo da Competição, são as mulheres, os imigrantes e os excluídos que mostraram toda a força do espírito humano pelo seu amor, a sua coragem, a sua perseverança e a sua criatividade», começa por referir a justificação dos jurados.

O filme de 2h10m, o primeiro trabalho libanês a ser selecionado para Cannes desde 1991 e um dos favoritos a ganhar o principal prémio, a Palma de Ouro, centra-se em Zain, um menino de 12 anos que processa judicialmente os pais por lhe terem dado vida.

Através da história de Zain, a cineasta de 44 anos, que também assina o argumento, em parceria, recorre a um elenco formado maioritariamente por atores não profissionais para expor «sem sentimentalismo a infância maltratada e propõe uma viagem iniciática repleta de altruismo», assinala a declaração.

Citada no Novo Testamento bíblico, a cidade piscatória de Cafarnaúm evocada no título do filme, «situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali», foi o local onde, de acordo com o Evangelho segundo Mateus (cf. 4, 13-17), Jesus iniciou a pregação, com o chamamento à conversão.






No mesmo Evangelho (11, 23-24), Jesus lança um severo aviso à cidade: «E tu, Cafarnaúm, julgas que serás exaltada até ao céu? Serás precipitada no abismo. Porque, se os milagres que em ti se realizaram tivessem sido feitos em Sodoma, ela ainda hoje existiria. Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para os de Sodoma do que para ti».

É igualmente em Cafarnaúm, principal centro comercial e social da região, mais precisamente na sua sinagoga, que Jesus cura um possesso, espalhando-se a partir daí a sua fama «em toda a região da Galileia» (cf. Marcos 1, 21-28).

Ainda na narração de Marcos (9, 33-37), Jesus pega numa criança para ensinar que o primeiro dos discípulos é o último: «Tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: "Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou"».

«"Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim (...); quem come mesmo deste pão viverá eternamente." Isto foi o que Ele disse em Cafarnaúm, ao ensinar na sinagoga», lê-se no capítulo sexto do Evangelho segundo João.






Os jurados decidiram também conceder uma menção especial a "BlacKkKlansman", do realizador norte-americano Spike Lee, «grito contra um racismo persistante, não só nos Estados Unidos, como no mundo inteiro».

«Misturando humor e drama, o filme condena a apropriação perversa da religião para justificar o ódio», assinala o júri, composto, além de Inês Gil, por cinco cristãos católicos e protestantes da Austrália, EUA, França e Suíça.

Inês Gil foi convidada pela SIGNIS - Associação Católica Mundial para a Comunicação para presidir ao júri ecuménico, tendo o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, representante daquele organismo em Portugal, assumido os custos da deslocação.

A 71.ª edição do festival, que termina este sábado, ficou também assinalada pelo destaque dado a mais duas personalidades portuguesas.

João Salaviza, que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura distinguiu recentemente no IndieLisboa com o prémio Árvore da Vida pela curta-metragem "Russa", foi reconhecido pelo filme "Chuva é cantoria na aldeia dos mortos", realizado em conjunto com Renée Nader Messora.

A película filmada junto dos krahô, povo indígena do Brasil, no estado de Tocantins, ganhou o prémio especial do júri da secção "Un certain regard", secção paralela à seleção oficial do festival.

Gabriel Arantes também foi galardoado com o Grande Prémio da 57.ª Semana da Crítica por "Diamantino", realizado com Daniel Schmidt, filme que conta a história de um futebolista que, segundo o cineasta é alguém «que mexe com as pessoas como mais ninguém».


 

SNPC
Imagem: "Capharnaüm", de Nadine Labaki | D.R.
Publicado em 19.05.2018

 

 

 
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