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Quaresma e música: Junto aos rios da Babilónia

O ano litúrgico alterna os períodos de louvor mais ativos e tempos de recolhimento mais interiores, como a Quaresma. O Salmo 137 (136) lembra-nos a história do povo de Deus no exílio na Babilónia. De que forma é que as suas palavras podem sustentar a nossa oração?

O moteto “Super flumina Babylonis”, de Palestrina, pertence ao seu segundo livro de motetos, datado de 1584. Ele apresenta-se como uma abertura à meditação deste Salmo, numa composição que abrange apenas os dois primeiros versículos, não tratados como uma simples salmodia, mas desenvolvidos numa polifonia sábia e límpida.

O sucesso do “italiano” Giovanni Pierluigi da Palestrina (c. 1525-1594) ao longo dos séculos até hoje baseia-se sem dúvida numa maneira de escrever a música que lhe é própria.

Ele encontra-se na charneira entre a Idade Média e o Renascimento, período em que se explora uma nova linguagem musical mais vertical mas ainda enraizada nos modos do canto gregoriano, fontes de uma música mais horizontal. Em Palestrina saboreamos este charme entre polifonia à antiga e harmonia nova, mais familiar aos nossos ouvidos.

A música deste moteto segue fielmente as palavras do Salmo num tom de recolhimento e de queixume nostálgico que realça algumas palavras: por exemplo, a acentuação do carácter lancinante da recordação (de Sião), ou a rutura de tom em “suspendimus” para exprimir o sentido ativo deste verbo depois dos verbos que traduzem o estado de espírito do salmista.

E nós, como podemos escutar esta música? A Quaresma convida-nos a voltar-nos para aquele de quem o pecado nos afasta, como se estivéssemos no exílio, fora do país que é o nosso.

Não se trata de chorar, mas de nos lembrarmos da fonte da nossa verdadeira alegria. Como diz o Salmo, mais adiante: «Pegue-se-me a língua ao paladar (…) se não fizer de Jerusalém a minha suprema alegria».

«Super flumina Babylonis, illic sedimus et flevimus: cum recordaremur Sion» (Junto aos rios da Babilónia nos sentámos a chorar, recordando-nos de Sião).

«In salicibus in medio ejus, suspendimus organa nostra» (Nos salgueiros das suas margens pendurámos as nossas harpas).









 

In Narthex
Trad.: SNPC
Publicado em 06.03.2018

 

 
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