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Jovens gostam de oração e silêncio e desejam a unidade entre Igrejas, diz prior de Taizé

Jovens gostam de oração e silêncio e desejam a unidade entre Igrejas, diz prior de Taizé

Imagem D.R.

Um sinal de esperança deixado nos corações dos jovens. Para Taizé este seria o "resultado" mais aguardado do encontro europeu de jovens que a cada final de ano a comunidade ecuménica promove numa cidade diferente da Europa. Em 2017 terá lugar em Basileia, de 28 de dezembro a 1 de janeiro. Mais de 15 mil jovens são esperados na cidade suíça para esta nova etapa da "Peregrinação da Confiança na Terra", iniciada pelo irmão Roger há muitos anos.

«Para os jovens de hoje o futuro não é fácil. Não o é nas nossas sociedades, particularmente na Europa. O desejo é que este encontro deixe um sinal de esperança», afirma o Ir. Alois, prior da comunidade de Taizé.

À espera dos peregrinos e de todos aqueles que, não podendo estar presentes, alimentam a fé com a espiritualidade da comunidade religiosa ecuménica, está o novo CD “Laudamus te” (56’, 15 €), gravado este ano na igreja da Reconciliação, em Taizé.

A gravação «mostra o renovamento da oração em Taizé e a sua continuidade ao longo dos anos. Apresenta cânticos novos, escritos por irmãos de Taizé entre 2012 e 2017 e gravados pela primeira vez, mas também outros que fazem parte da oração da comunidade há muito tempo».

A página dos monges de Taizé explica também que alguns dos 16 cânticos «provêm de um passado distante: um cântico do Tempo do Advento vindo da tradição evangélica alemã do século XVII e uma ladainha baseada em antífonas da tradição secular da Igreja».

A entrevista ao Ir. Alois.

 

Quinze, talvez até 20 mil jovens. É surpreendente que muitos decidam passar o fim do ano em oração e meditação.

Haverá muitos em Basileia. Vêm também de longe, e para chegar farão fazem longas viagens de autocarro. É inverno e não será fácil. Eu chamar-lhe-ia peregrinação. Diante desta generosidade, também esperamos uma grande hospitalidade, para que os jovens possam descobrir, através do acolhimento, um valor evangélico: que Cristo nos une para além de cada fronteira. Esta é a esperança que queremos viver, uma comunhão que nos encoraja a retornar à nossa vida diária e enfrentar dificuldades.

 

No programa estão previstos momentos de oração, canto e silêncio. Acredita realmente que os jovens na Europa ainda gostam dessas coisas e que podem colocar-se "à prova do silêncio"?

Sim, é verdade. O silêncio e a oração são hoje difíceis de propor aos jovens, porque estes – creio que em todo o lado - procuram antes de tudo fazer uma experiência de amizade. E vão fazê-lo em Basileia: durante cinco dias estarão juntos com outros colegas de países diferentes; todas as manhãs reencontrar-se-ão em grupo na paróquia que os acolhe; caminharão juntos para chegar aos diferentes locais de encontro na cidade; vão estar juntos na fila para a distribuição das refeições; e todos estarão disponíveis para ajudar de alguma forma. Por isso vão conhecer-se entre eles. Nos ateliês também chamaremos a atenção dos jovens para questões muito concretas: falaremos, por exemplo, de problemas sociais e políticos, das migrações a como viver a fé no local de trabalho e de estudo. Questões que os jovens se colocam e que debateremos com eles. É tudo isto que conduz os jovens a viver momentos partilhados de oração e silêncio. Sempre que temos um encontro de jovens, numa cidade ou mesmo em Taizé, ficamos maravilhados ao ver que, no final da oração litúrgica, há jovens que continuam a rezar. Ficam ali, parados, em oração em torno da cruz. É deveras surpreendente.

 

O que é o silêncio?

Estamos todos juntos, mesmo aos milhares. E fazemos silênciojuntos para que cada um possa sobretudo encontrar dentro e fora de si um momento de paz. Um momento em que não se deve fazer nada. Que só pede para se estar simplesmente lá. Estar lá, na presença de Deus. É esta a experiência que gostaríamos de fazer com que os jovens experimentassem: estar juntos na presença de Deus. Para os jovens torna-se cada vez mais raro e difícil viver um momento de paz assim, numa vida em que, mesmo que se esteja sozinho, se está permanentemente ligado.

 

Com que linguagem se vão dirigir aos jovens para que a mensagem chegue realmente ao seu coração?

Será uma mensagem de alegria, uma alegria que desejamos que nunca se extinga. A alegria de viver. Perguntamo-nos: o que é que nos dá alegria na vida? Uma alegria que não é uma fuga dos problemas. Mas, pelo contrário, encoraja-nos a enfrentar as dificuldades e a colocarmo-nos à escuta do grito daqueles que sofrem. Vou falar aos jovens da minha recente visita ao Sudão do Sul e ao Sudão. Mesmo nos países que atravessam grandes dificuldades e sofrimentos, encontrei pessoas que conhecem momentos de profunda alegria. E experimentei que, quando há solidariedade, mesmo que as situações sejam difíceis, há sempre a possibilidade de viver uma alegria profunda. Gostaria, portanto, de falar aos jovens da alegria de viver e de uma alegria que nos encoraja a enfrentar dificuldades e desafios e a escutar o sofrimento dos outros.

 

Basileia é uma cidade localizada no coração da Europa. Que mensagem darão todos esses jovens em nome de Taizé à Europa?

Este encontro é, antes de tudo, o sinal de que os jovens querem viver na Europa. Querem a Europa. Querem poder viajar, encontrar, aprender outra língua, ir estudar e trabalhar fora. Eles querem o “Erasmus” não seja só para os estudantes mas também para quem tem de realizar uma aprendizagem. Por isso é um sinal de que a Europa está viva. Basileia é uma cidade ligada a três países. Está localizada numa região transfronteiriça partilhada pela Suíça, França e Alemanha. Haverá jovens que serão acolhidos não só na Suíça, mas também na França e na Alemanha. Pela primeira vez o encontro decorrerá simultaneamente em três países. Mostramos assim à Europa que há na sua terra lugares que nos dizem que não podemos voltar atrás. Vemo-lo, por exemplo, inclusive entre o norte e o sul da Irlanda, unidos por um laço que o “Brexit” não conseguiu enfraquecer. São todos sinais muito claros: a construção da Europa continua.

 

Um dos ateliês será animado pelo arcebispo Job de Telmessos (Patriarcado Ecuménico), copresidente da Comissão Mista para o Diálogo Entre Católicos e Ortodoxos. Uma comissão que faz um grande esforço para chegar a acordos sobre problemas teológicos complicados. Acredita realmente que as Igrejas chegarão um dia à plena unidade? E qual é o caminho a seguir hoje para alcançar esse objetivo?

É muito belo que o arcebispo Job esteja presente e com ele também haverá outros bispos católicos e protestantes. Um bispo católico e outro protestante animarão juntos um ateliê sobre os 500 anos da Reforma. É belo que os responsáveis das Igrejas participem neste encontro de jovens em Basileia porque a sua participação favorece o vínculo entre o diálogo teológico, de extrema importância, e os jovens de hoje, que estão muito longe desse diálogo teológico. É importante que os jovens tomem consciência dos esforços feitos pelos teólogos para aproximar as Igrejas extraordinárias e das metas teológicas extraordinárias que se alcançaram, como, por exemplo, o acordo sobre a justificação entre a Igreja católica e as diversas Igrejas protestantes, inclusive, por último, a anglicana. O encontro europeu pode, portanto, representar um momento em que se encontram dois mundos, o mundo teológico e o mundo dos jovens. Os jovens, creio, já querem viver a unidade. Querem estar juntos e o facto de que em Basileia haja jovens protestantes, católicos, ortodoxos é, de alguma forma, uma pequena antecipação desta unidade que esperamos.















 

M. Chiara Biagioni
In SIR
Trad. / edição: SNPC
Publicado em 19.12.2017

 

 

 
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