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Jornal do Vaticano recorda “Bud Spencer”

Imagem Carlo Pedersoli | D.R.

Jornal do Vaticano recorda “Bud Spencer”

«Para quem, desde criança, viu os seus filmes, em dupla com Terence Hill, mas também para quem se torna novamente criança de cada vez que o vê, talvez não haja luto cinematográfico maior e mais comovente do que o desaparecimento de Bud Spencer.»

É com estas palavras que o jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, evoca na edição de hoje o ator italiano que morreu esta segunda-feira, em Roma, aos 86 anos.

A sua presença na Sétima Arte começou na década de 50, ainda com o verdadeiro nome, Carlo Pedersoli, ao mesmo tempo que aperfeiçoava a sua «brilhante carreira de nadador».

Emilio Ranzato, autor do artigo, recorda que nesse tempo as aparições do ator se resumiam a pequenos papéis ou figurações numa mão-cheia de películas, incluindo uma que se tornou famosa, “Quo vadis?”, de 1951, dirigida por Mervyn LeRoy.

Terminada a carreira desportiva, Pedersoli «começou a dedicar-se ao cinema a tempo inteiro quando o realizador Giuseppe Colizzi lhe propõe o papel de coprotagonista num “western spaghetti”, “Deus perdoa… Eu não!” (1967). É durante a rodagem desta película que ocorre um encontro determinante para a sua nova carreira: Mario Girotti, com quem rodará 18 filmes.

«Como acontecia muitas vezes com os “western” à italiana, ambos são obrigados a escolher nomes anglo-saxónicos, tornando-se assim Bud Spencer – nome escolhido por Pedersoli em honra de Spencer Tracy e de uma conhecida marca de cerveja – e Terence Hill», explica o jornal.

Os dois atores protagonizaram a história do género transalpino, deslocando-o da sua fase séria para outra mais informal e jocosa, já latente nos seus primeiros filmes, assinala Emilio Ranzato.

«Depois de duas outras películas realizadas por Colizzi, “Os quatro da Avé-maria” (1968) [que em Portugal foi exibido com o título “O ás vale mais”] e “A colina dos sarilhos” (1969), chega o clamoroso sucesso com “Chamavam-no Trinitá” [em Portugal, “Trinitá cowboy insolente”] (Enzo Barboni, 1970), hibrido genial entre “western” e farsa, sobre a qual paira a remota influência da “commedia dell’arte”, e no qual os disparos das armas de fogo são substituídos por simpáticos murros, fazendo assim do subgénero um espetáculo para famílias.»

Entre Bud Spencer e Terence Hill «aperfeiçoa-se uma alquimia verdadeiramente rara, e digna das grandes duplas cómicas, como Laurel e Hardy [Bucha e Estica], de quem atualizarão os ritmos da comicidade física graças a brigas coreografadas de maneira cada vez mais aprimorada e acrobática».

Após uma sequela, “Continuaram a chamar-lhe Trinitá” (1971) e dois pequenos papéis por parte de Spencer, a dupla é inserida noutros ambientes, exóticos ou urbanos, «funcionando do mesmo modo e antecipando, de algum modo, a moda americana dos “buddy movies”, histórias de amizade viril entre dois protagonistas que inicialmente se detestam, habitualmente misturadas com o cinema “thriller” e de ação».

Pedersoli seria, mais tarde, protagonista, a solo, de outros filmes, como “O inspetor Martelada” (1973). Voltou-se depois para as séries televisivas, consolidando a sua imagem de duro com bom coração. O seu último filme no cinema foi “Cantando por detrás das cortinas” (2003), adaptação de Jorge Luis Borges pelo realizador Ermanno Olmi.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 22.04.2016

 

 
Imagem Carlo Pedersoli | D.R.
Entre Bud Spencer e Terence Hill «aperfeiçoa-se uma alquimia verdadeiramente rara, e digna das grandes duplas cómicas, como Laurel e Hardy [Bucha e Estica], de quem atualizarão os ritmos da comicidade física graças a brigas coreografadas de maneira cada vez mais aprimorada e acrobática»
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